segunda-feira, 10 de março de 2014

Moçambique festeja 8 de março sob o lema “Mulheres Inspirando Mudanças”


ONU Mulheres afirma que igualdade e empoderamento são prioridades
absolutas para a organização que dirige;  país ocupa a 14ª posição global 
em termos de representação política feminina no parlamento.

A pianista Melita Matsinhe. Foto: Ouri Pota.



















Ouri Pota, Rádio ONU em Maputo.
Moçambique celebra o Dia Internacional da Mulher, neste 8 de março,
sob o lema Mulheres Inspirando Mudanças.
A Rádio ONU, em Maputo, ouviu homenageadas de vários setores sobre o
que deve mudar para que esta tenha maior dignidade.
Atenção e Reflexão
Para a representante da ONU Mulheres em Moçambique, Valéria de Campos
 Mello, a data deve chamar atenção e ajudar a refletir sobre a igualdade do
 género além da necessidade de incluir o assunto no topo da agenda política.
"Nosso lema nossa mensagem é que a igualdade das mulheres na verdade
significa progresso para todos. Ela traz benefícios económicos, ela traz benefícios
 em termos de uma sociedade mais coerente, mas justa, mais democrática,
 mas sólida, ela traz comunidades mais unidas, então é um benefício para
 toda humanidade. Então essa é a mensagem que queremos trazer".
Direitos
A representante também enumerou os desafios para a mulher moçambicana com vista
a que esta possa usufruir os seus direitos.
"A mulher moçambicana infelizmente na sua maioria ainda é uma mulher que sofre
muita descriminação, é mais pobre, é mais vulnerável, enfrenta desafios desde menina,
desde pequena no acesso a educação, saúde, em questões como casamento forcado,
 casamento precoce em seguida em termos de acesso ao mercado, na igualdade em
remuneração e depois para que sua opinião seja levada em consideração nos meios
 de tomada de decisão".
A comunicadora da Rádio Moçambique, Fárida Costa, considera que ser mulher
no país vem acompanhado do que chama de responsabilidade de educar a nação.


Fárida Costa. Foto: Ouri Pota.
Desafios
Já a pianista moçambicana Melita Matsinhe associa o estatuto da mulher local 
tanto ao sofrimento como à felicidade."Uma das coisas muito importantes é que a
mulher tem que educar uma nação. Quando digo educar uma nação é que a cada
 pessoaque nos educamos, nos estamos a contribuir para esta nação, então ser mulher em 
Moçambique significa ter muita responsabilidade. Um dos desafios é a mulher conseguir 
chegar no topo em estrutura de decisão, parecendo que não, mas isso é verdade, as 
mulheres tem outra sensibilidade de tomar decisão."
"Vivemos numa sociedade patriarcal um pouco machista em que muitas das vezes os
 nossos direitos e as nossas obrigações são determinados segundo as necessidades e
interesses dos homens. E nesse contexto nem sempre o que é melhor para nos é tida
em consideração é por isso que eu associo o ser mulher com sofrer. Temos visto várias
situações em que as mulheres não estão a vontade na pele que elas vestem porque
a vida não gira ao redor delas, mas ao redor de princípios já definidos segundo
interesses masculinos".
Deficientes
Questionada sobre a prioridade dos direitos da mulher para os vários desafios,
 a presidente da Associação dos Deficientes de Moçambique, Fárida Gulamo, 
Ademo, a pianista moçambicana Melita Matsinhe defendem que o elemento chave 
é a o acesso à formação.
"Uma mulher que vá a escola e estude e comente o seu nível de conhecimento
científico contribui bastante para que ela possa ter uma outra visão das coisas
e possa em pé de igualdade discutir e mostrar os eu ponto de vista.
O maior desafio é o direito de informação e a formação, porque a pessoa
fica empoderada,tanto homem como a mulher pode tomar decisões que 
seja mais sábias, mais conscientes segundo os seus interesses e da
 sua comunidade".

Parlamento
Apesar dos desafios , Campos Melo frisou que Moçambique está no
bom caminho. Como exemplo citou a participação das mulheres no parlamento. 
Recentemente, o país foi colocado em 14º lugar no ranking da representação 
política das mulheres no órgão.

Desafios desde menina. Foto: UN Photos.


















Rapariga
"Moçambique está em décimo quarto lugar no mundo, por exemplo, a França
está na posição 47 e o Brasil que é meu pais de origem apesar de ter uma
presidenta mulher esta na posição 124. Então nessa área da representação
política das mulheres no parlamento o pais obteve resultados excelente.
Então nesse momento eleitoral qual a reflexão necessária para que esse resultado
se mantém e para que ele até venha a ser melhorado?"
Numa mensagem para o Dia Internacional da Mulher, a subsecretária-geral das
Nações Unidas e diretora executiva da ONU Mulheres disse que o século 21
 deve ser diferente para cada mulher e rapariga no mundo.
Para Phumzile Mlambo-Ngcuka  é importante saber que o nascer de uma menina
 não é o início de uma vida de dificuldades e de desvantagens.
Fonte: radioonu

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