terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sahel continua a enfrentar forte pressão da mudança climática

Ocha explica que região é uma das que mais sofrem com os efeitos de padrões imprevisíveis do clima, em especial secas e degradação da terra; se não forem tratados os desafios, população continuará a sofrer ao longo de 2016.


Campo de refugiados de Mbera, na Mauritânia, na região do Sahel. Foto: PMA/Justin Smith

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.
A região africana do Sahel continua a enfrentar extrema pobreza, rápido crescimento da população e efeitos da mudança climática. O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, faz um alerta: se os desafios não forem tratados, as perspectivas para o Sahel são ruins e as pessoas mais vulneráveis irão continuar a sofrer.
Segundo o Ocha, a região é uma das que mais sofrem com os efeitos da mudança climática, devido a movimentações imprevisíveis do clima, que estão a gerar secas e degradação de terra cada vez mais frequentes.
Perspectivas
Boa parte da população depende da agricultura para sobreviver. Os choques ambientais geram insegurança alimentar, fome crónica e má nutrição.
Conflitos armados e violência em países do Sahel são outros factores a contribuir para a vulnerabilidade. O Ocha aponta também para a falta de empregos e desigualdades sociais, o que gera riscos de radicalização ou do recrutamento de jovens para o combate.
População
Um informe do Ocha cita futuros eventos extremos do clima que colocam Chade, Níger e Nigéria entre os países com nível "extremo de risco climático". Com economias fragilizadas e fraca governança, as condições da região só tendem a piorar.
O levantamento feito pelo Escritório mostra que 150 milhões de pessoas vivem no Sahel. Quatro entre cinco são dependentes da agricultura e uma entre seis enfrenta insegurança alimentar.
Água
A população da região cresce em média 3.5% por ano, a dobrar de tamanho a cada três décadas. Especialistas temem que não haverá alimentos suficientes e muito provavelmente a produção de cereais precisará dobrar até 2050.
A água já está escassa no Sahel, sendo um bem natural muito importante para a agricultura: 98% da produção depende da água da chuva. A quantidade de água disponível por habitante caiu 40% nos últimos 20 anos devido ao crescimento populacional e menores recursos.
Segundo o Ocha, a temperatura média na região poderá subir entre 3° e 6°Celsius até o fim do século. Há estudos que mostram que esse aumento poderá gerar até 25% de queda na produção de alimentos. Para o ano de 2016, o Escritório da ONU prevê que 24 milhões enfrentem insegurança alimentar.
Resolver a "tripla crise" do Sahel (humanitária, de governança e de segurança) precisa ser prioridade na avaliação do Ocha, que revela que 110 entidades de assistência humanitária estão a atuar em nove países da região.
Fonte: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese

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