quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Autora Carolina Maria de Jesus é celebrada em feiras e relançamentos

Aos 60 anos, a professora Vera Eunice de Jesus Lima está descobrindo, "estupefata", como ela gosta de dizer, a "força e a poesia" de sua mãe, Carolina Maria de Jesus (1914-1977).

Até então, Vera se via apenas como personagem de uma fábula de miséria e glória, que começa em 1958, na favela do Canindé, nos arredores do estádio da Portuguesa, em São Paulo, e termina silenciosa em um sítio em Parelheiros, zona sul da cidade.

"Não tinha dimensão da importância dela. Só agora, com este rebuliço, é que fui reler tudo o que ela escreveu. É como se eu estivesse conhecendo a minha mãe agora", diz, sentada na sala do apartamento de dois quartos, em condomínio de Interlagos.

Divulgação/Audalio Dantas
Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde viveu até lançar 'Quarto de Despejo
Carolina Maria de Jesus em 1958 na favela do Canindé, às margens do rio Tietê, onde viveu até lançar 'Quarto de Despejo'
O "rebuliço" tem razão de ser: uma série de eventos marcam o centenário da escritora negra, favelada, semianalfabeta, nome acidental e revolucionário da literatura brasileira, que desapareceu das estantes das livrarias.

Carolina Maria de Jesus será a homenageada da edição deste ano da Flink Sampa, festival de literatura negra que acontece neste sábado (22) e domingo (23), no Memorial da América Latina. Haverá o relançamento de dois de seus livros: "Quarto de Despejo" (Ática, 200 págs., R$ 34,90) e "Diário de Bitita" (Sesi-SP, 216 págs., preço a definir).

Ela é também a homenageada da Balada Literária, com eventos que vão até domingo em SP. E no Rio, foi a estrela da Flupp (Festa Literária Internacional das Periferias), na semana passada.

Na segunda (17), foi lançado, na Câmara Municipal de SP, o livro "Onde Estaes Felicidade?", com dois contos inéditos e apoio do MinC.

"Para o grande público, é um resgate de Carolina", diz Uelinton Farias Alves, professor de literatura brasileira da Universidade Zumbi dos Palmares e curador da Flink.

"Hoje há muitos autores de periferia, como o Paulo Lins. Ela é a precursora. Abriu um precedente na literatura".

CONFIRA DESTAQUES DA FLINK SAMPA
Sábado (22)
14h - Mesa Carolina Maria de Jesus, com Audálio Dantas, Vera Eunice e Elzira Perpétua
16h - Conversa com as misses negras Deise Nunes, Yitayish Ayenew (Israel) e Leila Lopes (Angola) e Paulo Borges
Domingo (23)
14h - Lançamento do livro "O Leito do Silêncio", da escritora angolana Isabel Ferreira
16h - Palestra com a ativista Graça Machel, viúva de Nelson Mandela, em defesa das mulheres e crianças
FLINKSAMPA
QUANDO sab. (22) e dom. (23), das 9h às 19h
ONDE Memorial da América Latina, av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, tel. (11) 3823-4600
QUANTO grátis
CLASSIFICAÇÃO livre
Fonte: Folhauol

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