sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Nobel da Paz de 2015 vai para grupo que promove a democracia na Tunísia

O Prêmio Nobel da Paz de 2015 foi concedido ao Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia.

A comissão do prêmio anunciou a decisão nesta sexta-feira (9) em Oslo, na Noruega.

O grupo político, destacou a comissão, foi criado em 2013 para acelerar o processo de democratização da Tunísia após os eventos de 2011, que levaram à queda do então ditador Ben Ali. Ressaltou-se que a coalizão estabeleceu um processo político alternativo e pacífico no momento em que o país estava à beira de uma guerra civil.

Fethi Belaid - 21.set.2013/AFP
A partir da esquerda, os integrantes do Quarteto Wided Bouchamaoui (Utica), Houcine Abbassi (UGTT), Abdessattar ben Moussa (Liga dos Direitos Humanos) e Mohamed Fadhel Mahmoud (Ordem dos Advogados), em foto de 2013
A partir da esquerda, Wided Bouchamaoui (Utica), Houcine Abbassi (UGTT), 
Abdessattar ben Moussa (Liga dos Direitos Humanos) e Mohamed Fadhel Mahmoud
 (Ordem dos Advogados), em foto de 2013

A escolha é uma surpresa porque na lista de favoritos estavam, entre outros, Papa Francisco, Angela Merkel, um padre da Eritreia e um médico congolês.

O grupo vencedor do prêmio é formado por quatro organizações: um sindicato (UGTT), a Confederação da Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia, a Liga dos Direitos Humanos do país e a Ordem dos Advogados do país.

"Foi um instrumento que permitiu à Tunísia, num espaço de poucos anos, estabelecer um sistema de governo constitucional que garante os direitos fundamentais de toda a população, independentemente do sexo, convicção política ou crença religiosa", destacou a comissão em Oslo.

"Essas organizações (que formam o quarteto) representam diferentes setores e valores da sociedade tunisiana. O quarteto exerceu seu papel de mediador e de força condutora para promover o desenvolvimento democrático pacífico na Tunísia com grande autoridade moral", ressaltaram os responsáveis pelo Nobel.

Heiko Junge/Associated Press
Kaci Kullmann Five, the new head of the Norwegian Nobel Peace Prize Committee, announces the winner of 2015 Nobel peace prize during a press conference in Oslo, Norway, Friday Oct. 9, 2015. The Norwegian Nobel Committee announced Friday that the 2015 Nobel Peace Prize was awarded to the Tunisian National Dialogue Quartet. (Heiko Junge/NTB scanpix via AP) NORWAY OUT ORG XMIT: TH801
A representante do Nobel da Paz, Kaci Kullmann Five, anuncia os vencedores
 do prêmio em Oslo


Após o anúncio em Oslo, o secretário-geral da UGTT, Houcine Abassi, disse à agência de notícias Associated Press que ficou "impressionado" com prêmio e ressaltou que os membros do Quarteto não esperavam ganhá-lo.

"É um prêmio que coroa mais de dois anos de esforços empregados pelo quarteto quando o país enfrentava perigos em todas as frentes", afirmou.

A organização do prêmio lembrou que a Tunísia foi o palco de origem da Primavera Árabe entre 2010 e 2011, série de reações populares que se seguiram em outros países da norte da África e do Oriente Médio naquele período.
"Em muitos desses países, a batalha por democracia e direitos fundamentais estagnou ou sofreu revés. A Tunísia, no entanto, tem visto uma transição democrática baseada numa sociedade civil vibrante com demandas por respeito aos direitos humanos básicos", disse a comissão.

O porta-voz da Organização das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, acolheu a escolha do Quarteto tunisiano, dizendo ser necessária a presença da "sociedade civil para ajudar a pôr em marcha processos de paz".

O PRÊMIO

Ao todo, 273 indicações foram feitas este ano, perdendo apenas para 2014, com 278 candidatos.

Concedido desde 1901, o Nobel da Paz, um dos prêmios mais badalados do mundo, é escolhido por um comitê de cinco lideranças norueguesas –incluindo advogados e professores– indicadas pelo Parlamento local. Na demais categorias do prêmio Nobel, os vencedores são definidos por uma comissão de suecos.

A ideia é que a decisão seja unânime, mas, em caso de impasse, vale a maioria simples. Não há uma fórmula para a decisão - nem o conteúdo da lista de indicados nem os bastidores do processo costumam ser revelados.

A jovem paquistanesa Malala Yousafzai, por exemplo, era considerada imbatível em 2013, mas acabou levando em 2014, quando foi escolhida ao lado do indiano Kailash Satyarthi, ambos ativistas em defesa de jovens e crianças. A dupla dividiu um prêmio de US$ 1,4 milhão (R$ 5,3 milhões).

O Nobel da Paz nem sempre é concedido a pessoas: em 2012 coube à União Europeia celebrá-lo e à Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) no ano seguinte.

LEANDRO COLON
DE LONDRES

Fonte: folhauol

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O beijo e a lágrima - Mia Couto

Quero um beijo, pediu ela.

 Um sismo

abalou o peito dele.

 E devotou o calor

 de lava dos seus lábios,

entontecida água na cascata.

Entusiasmado,

ele se preparou para, de novo,

duplicar o corpo e regressar à vertigem do beijo.

Mas ela o fez  parar.

Só queria um beijo.

Um único beijo para chorar.

Há anos que não pranteava.

E a sua alma se convertia

em areia do deserto.

Encantada,

ela no dedo recolheu a lágrima.

 E se repetiu o gesto

com que Deus criou o Oceano.  

Mia Couto


Mia Couto

"Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou á dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa. Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrespou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares".
Mia Couto, Contos do Nascer da Terra

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

José Luís Peixoto à descoberta de novos escritores em Moçambique -

O autor português José Luís Peixoto descobriu, nos cursos e oficinas de escrita que tem desenvolvido em Moçambique, potencial para novos talentos no país, embora limitados nas condições de que dispõem para publicar as suas obras. 

"Ao nível do potencial da escrita, encontrei muito mais do que imaginava", descreveu José Luís Peixoto, em declarações à Lusa, a propósito da sua participação na 27.ª edição do Curso de Literaturas em Língua Portuguesa, promovido pelo Centro Cultural Português em Maputo, este ano dedicada ao tema "Novas Tendências".
O escritor lembrou que, para ele, estando em Portugal, estes potenciais autores moçambicanos têm sido invisíveis, mas, agora que já houve interação, tornou-se "muito visível essa vontade de se encontrar caminhos que confirmem esse potencial, porque a motivação para a leitura e para a escrita já está lá".
O Curso de Literaturas em Língua Portuguesa é o evento cultural mais antigo promovido pelo Centro Cultural Português, em parceria com a Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, e, este ano, além de Maputo, deslocou-se para Quelimane e para Beira, cujas ações decorreram na semana passada, esperando-se que chegue a Nampula, norte do país, a partir de segunda-feira.
A par do curso, José Luís Peixoto realizou também oficinas de escrita para estudantes e jovens já iniciados nas letras e "muitas vezes bastante perto de poderem efetivamente se afirmar como escritores e publicar e obter algum reconhecimento".
Por outro lado, assinalou, estão "muitas vezes limitados pelo próprio meio a que pertencem", como nas realidades mais periféricas de Quelimane ou Beira, onde devem esperar "mais dificuldades em dar esse passo, da publicação e divulgação do seu trabalho".
O escritor lembrou que o potencial que encontrou em Moçambique é um património que pode servir o próprio país, enquanto afirmação cultural.
"Olhamos para grandes embaixadores da literatura moçambicana, como o caso incontornável de Mia Couto, e percebemos o quanto se trata de alguém que leva a cultura deste país e a imagem e identidade deste povo além-fronteiras", observou.
É esse trabalho, prosseguiu, que "dá uma certa forma e consistência muito importantes para que o país se pense e se oriente", considerando a propósito que se trata de "um povo curioso e que transmite uma certa tranquilidade pelo menos no contacto direto", uma caraterística positiva "num momento em que a guerra é uma nuvem que paira em Moçambique".
Sobre o tema do curso, dedicado às "Novas Tendências", José Luís Peixoto, 41 anos, interpreta-o como "uma oportunidade de descoberta e conhecer essas vozes difíceis de escutar em Portugal", mas também o inverso, "de falar de literatura portuguesa, que é também falar do Portugal contemporâneo, porque existe a história que partilhamos e também o momento presente".
Apesar da profusão de línguas locais em Moçambique e de grande parte da população não falar o português como língua materna, o escritor lembrou que "a literatura ganha sempre com a riqueza e diversidade" mas também não vislumbra alternativas para os autores moçambicanos.
"Parece-me que o caminho da literatura moçambicana é na língua portuguesa", afirmou, sustentando que, entre todas as que são faladas em Moçambique, trata-se da mais desenvolvida ao nível escrito, embora haja margem para tirar vantagens da diversidade e partilha.
"A própria língua portuguesa não tem de ter medo de outras realidades linguísticas", advertiu o escritor, "porque uma língua, seja ela qual for, tem a ambição de exprimir o mundo e o mundo é muito diverso", devendo assumir como mais-valia novas contribuições, inclusive de vocabulário.
Para dar a conhecer o seu trabalho, José Luís Peixoto viajou para Moçambique com mais de 500 exemplares de uma pequena edição, reunindo textos de vários dos seus livros, e que foi deixando por os lugares por onde passou no país.
"Em muitos casos era o primeiro livro que aquelas pessoas iam ter em casa e isso é muito impactante", descreveu, na justa medida em que ", para um leitor, ter os seus livros também é importante"
- Fonte: http://www.rtp.pt/noticias/cultura/jose-luis-peixoto-a-descoberta-de-novos-escritores-em-mocambique_n861513#sthash.1J9Nxd0R.dpuf

Unesco saúda entrega ao TPI de suspeito de destruir património de Timbuktu

Ahmad Al Mahdi Al Faqi é o primeiro a ficar preso em Haia acusado do crime de guerra que envolve danos a monumentos religiosos ou históricos na área do Mali; para procuradora-chefe do tribunal, ação terá impacto no Sahel e no Saara.

Monumento em Timbuktu destruído por extremistas. Foto: Minusma/Sophie Ravier
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, saudou este sábado a transferência de um suposto extremista ao Tribunal Penal Internacional,TPI, onde deve ser julgado pela destruição do Património de Timbuktu.
Ahmad Al Mahdi Al Faqi, conhecido como Abu Tourab, é o primeiro suspeito a ficar sob custódia do tribunal por cometer crimes de guerra de destruição de monumentos religiosos ou históricos na área maliana.
Transferência
A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, elogiou a procuradora-chefe do TPI, Fatou Bensouda, e as autoridades do Mali e do Níger pela transferência do acusado de causar dano “intencional a monumentos e edifícios históricos”.
O TPI disse que Faqi, nascido a cerca de 100 km a oeste de Timbuktu, era um membro do grupo Ansar Dine. As milícias associadas à al-Qaeda realizam ataques no norte do Mali desde 2012.
Níger
A procuradora Fatou Bensouda disse que vai continuar a fazer a sua parte para realçar a gravidade do crime que levou à transferência do suspeito para Haia, a partir do Níger.
A procuradora disse que a detenção representa um importante avanço na luta contra a impunidade, não somente no país envolvido mas também no Sahel e na região do Saara. Bensouda declarou que a população dessas áreas esteve sujeita a crimes indescritíveis durante os últimos anos.
Crimes
A responsável declarou ainda que as pessoas no Mali merecem justiça pelos ataques contra as suas cidades, edifícios e comunidades. Ela acrescentou que os crimes envolvem a destruição de “monumentos históricos insubstituíveis”.
O Estatuto de Roma, que criou o TPI, considera crimes de guerra os “ataques diretos contra edifícios dedicados à religião, educação, arte, ciência ou fins de caridade”, incluindo monumentos históricos.
Extremismo
A nota realça que a Unesco liderou um movimento global que deplorou a destruição dos mausoléus e de monumentos na cidade de Timbuktu, quando esta “caiu nas mãos do extremismo violento” em 2012.
Bokova  afirmou que a Unesco cumpriu a sua promessa de reconstruir os mausoléus da área. A agência anunciou ainda que está a trabalhar com o governo e com a comunidade local para o efeito.
Fonte: radioonu

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Biografia reúne conselhos de Rubem Alves sobre fama, sucesso e a vida de escritor

Gonçalo Junior narra a história de vida, os dramas pessoais, as amizades e as relações familiares de Rubem Alves

divulgaçãao


Rubem Alves teve uma vida marcada pela pregação de ideias. Vivendo num mundo singular, o autor queria levar as pessoas à transformação; delas mesmas e das coisas ao seu redor. Se fosse com as palavras, melhor ainda. Esse e outros aspectos da vida do escritor podem ser encontrados em "É uma Pena Não Viver", biografia assinada pelo jornalista Gonçalo Junior.

Outro aspecto ressaltado pelo biógrafo são os pensamentos de Rubem Alves sobre fama, sucesso e a vida de escritor. No livro, Junior apresenta histórias pouco conhecidas sobre Rubem Alves, como a perseguição que sofreu pela Igreja Presbiteriana do Brasil, que o denunciou nos primeiros dias que seguiram ao golpe militar de 1964 como um perigoso subversivo e comunista. Isso fez com que o escritor buscasse o exílio, o que, por sua vez, o levou a teorizar em uma obra pioneira que trazia os fundamentos da Teologia da Libertação.

Na segunda metade da década de 2000, os novos livros do escritor repetiam o sucesso dos anteriores. Embora estivesse feliz com a recepção do público, ele mantinha os pés no chão, sem vaidades. Em uma crônica da época, observou: "Escrevo na solidão do meu escritório. Sozinho, não sinto vergonha porque não há olhos que me vejam. Confessada como literatura, a vergonha se torna suportável".

Junior explica que, para Rubem Alves, a literatura era a "feiticeira curante" que poderia transformar a vergonha em arte ou em documento psicológico. Por outro lado, dizia não gostar da palavra sucesso, um tema que os jornalistas abordavam com frequência nas entrevistas.

"Vender um milhão de livros? Muitos livros medíocres são vendidos aos milhões enquanto outros livros geniais não vendem uma única edição. Muitos sucessos acontecem por acidente, trapaça ou malandragem", afirmou.
Para Alves, uma pessoa que busca o sucesso deve fazer exatamente o contrário. "Não queira afinar-se para o sucesso. Não faça do sucesso o seu Deus. Seja fiel a você mesmo. Se vier o tal do 'sucesso', melhor para você. Ou pior para você, nunca se sabe".

Alves ainda afirmava ser um fingidor por representar um personagem. "O que escrevo é melhor que eu. Finjo ser outro. O texto é mais bonito que o escritor. Fernando Pessoa se espantava com isso. Tinha clara consciência de que era pequeno quando comparado com a sua obra".

Em "É uma Pena Não Viver", Gonçalo Junior também narra a história de vida, os dramas pessoais, as amizades, as relações familiares e a descoberta de duas doenças devastadoras que minaram a saúde e a paixão de Rubem Alves pelas coisas simples da vida. Fã de quebra-cabeças, brincar de balanço e dar ouvido às crianças, o escritor morreu em julho de 2014, mas deixou um legado com 146 obras escritas e a sensibilidade em todos os seus textos.
Fonte: folhauol

Peça 'A Mulher do Trem' abre mão de 'blackface' após críticas de racismo

Cinco meses após receber críticas de ativistas antirracistas e de, por essa razão, ter sido subtraída de uma programação do Itaú Cultural, a peça "A Mulher do Trem" está de volta, com nova maquiagem. 

Na segunda (28), será exibida em programação da biblioteca Mário de Andrade e não terá mais o elemento cênico que motivou a revolta do movimento negro, por ele cunhado de "blackface".

Para caracterizar um criado negro, a peça, um vaudeville resgatado da tradição circense brasileira pela companhia Os Fofos Encenam, usava tinta: os rostos de dois atores eram pintados de preto. Ativistas antirracistas dos EUA, da África, da Europa e do Brasil defendem que a fórmula reforça o preconceito sofrido por negros.

Após o cancelamento da sessão da peça em maio, o Itaú Cultural realizou um debate sobre o conflito, reunindo artistas e ativistas. Os Fofos decidiram então abdicar da composição original –a nova versão será exibida sem a pintura usada pela peça há cerca de dez anos (o figurino da montagem ganhou o Prêmio Shell em 2003).
LEGENDA DO JORNALAtor usa balackface na peça 'A Mulher do Trem'
Foto divulgação
Carlos Ataíde e Marcelo Andrade com maquiagem preta da versão original do espetáculo
Segundo Kátia Daher, atriz da companhia, a decisão foi tomada porque o grupo não pretendia abordar "questões de relevância social".

"A dramaturgia é escrita para o entretenimento; se remete a um símbolo de luta, ou a um símbolo contra o qual lutam, ela se torna representativa de algo que não serve ao jogo que caracteriza esse trabalho", analisa. Tal jogo, ela explica, deriva de situações cômicas leves e sem peso, com abordagens superficiais.

A nova versão não se restringe a subtrair a maquiagem negra. Daher explica que todos os personagens passaram por uma revisão conceitual. "Teremos um personagem de cada cor, agora, caracterizando a tipologia tradicional do circo-teatro: o tipo cômico será dourado; o ingênuo será rosa", conta.
Na atual montagem, os dois criados que eram pintados de negro ganharão as cores azul e verde.

Daher afirma que o grupo não se sente censurado com a mudança. Diz que seus integrantes compreenderam que ativistas têm motivo para reivindicá-la.

O dramaturgo e diretor Aimar Labaki, que esteve na mesa que discutiu o conflito no Itaú Cultural em maio, considera o episódio "um equívoco do ponto de vista de um debate público adulto e democrático". Para ele, o grupo deveria ter mantido a apresentação no Itaú Cultural naquele mês e debatido a questão, para depois pensar em mudar de ideia.

"Cancelar a sessão e depois apresentar a peça alterada, sem permitir que os que os a acusavam de racismo assistissem à montagem como ela era, significa aceitar censura prévia", desfere. 
A MULHER DO TREM
QUANDO seg. (28), às 20h
ONDE Biblioteca Mário de Andrade, r. da Consolação, 94, tel. (11) 3775-0002
QUANTO grátis
GUSTAVO FIORATTI
Fonte: Folhauol 

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...