Antiga
possessão da Espanha, devolvida à França em 1697, Santo Domingo representa nas
vésperas da Revoluçã Francesa, dois terços da produção colonial
francesa.
Mais de 30.000 plantadores dirigem cerca de 8.500 empresas e
mais de 50.000 negros e mulatos livres exploram uma situação econômica na qual
trabalham 500.000 escravos sem nenhum direito e totalmente excluídos da
prosperidade da colônia mais rica das Antilhas.
Ao proclamar o princípio da libertade e da igualdade, a
Declaração dos Direitos Humanos e do Cidadão, nascida da Revolução Francesa, vai
encontrar um eco na sociedade colonial com consequências incalculáveis. Na
madrugada do 22 ao 23 de agosto de 1791, durante o famoso acontecimento do
Bosque Caiman, se reúnem, sob o comando de responsáveis vodus, alguns milhares
de escravos. Ali começou a rebelião dos escravos do Norte
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 Mapa da
Ihla de Santo Domingo
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Em novembro, o negro Toussaint, descendente de um Rei da África
em Allada, nascido em 1743 na plantação Breda e libertado em 1776, se une ao
movimento e, mandando uma tropa de 3.000 homens, começa sua ação militar ao lado
do exército espanhol contra França.
Não podendo reprimir a insurreição dos escravos e obrigado a
defender as fronteiras da colônia atacadas pelos espanhois e ingleses, o
Comisário Sonthonax proclama, no dia 29 agosto 1793, a abolição da escravatura
na colônia de Santo Domingo. Essa decisão é confirmada no dia 4 fevereiro 1794
pela Convenção Nacional em Paris, sendo a abolição oficial da escravatura
proclamada em todas as colônias.
 Toussaint
Louverture
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Esta decisão provoca a reintegração de Toussaint Louverture às
armas francesas. Em algumas semanas vence aos espanhóis e, em otubro 1795, é
nomeado general do exército francês e, em 1797, general en chefe dos exércitos
da Ilha. Em 1798, os ingleses vencidos se retiram e o tratado assinado entre
Toussaint Louverture e a Inglaterra é, como o disse Aime Césaire, « o primeiro
ato da independência do Haiti ».
No mês de Janeiro 1801, Toussaint Louverture manda as tropas
ocuparem a parte espanhola da Ilha e promulga uma Constitução que da à colônia
de Santo Domingo autonomia e na qual se eleva ao cargo de governador
vitalício .
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Na metrópole, a pressão do movimento escravagista incita ao
regresso à antiga ordem. A paz com Inglaterra permite a Bonaparte o envio de um
corpo expedicionário de 25.000 soldados dirigido por seu sogro, o general
Leclerc, com o objetivo de eradicar o poder negro estabelecido por Toussaint
Louverture.
A chegada da frota em janeiro 1802 e o anúncio do
restabelecimento da escravidão em maio provocam a resistência total. Começa uma
guerra dramática e destrutora na Ilha. Convidado a uma convenção pela paz e
anistia, Toussaint Louverture é retido prisioneiro. Embarca no « Heros » rumo à
França. Chega ao porto de Brest no dia 9 de julho e é mandado ao Castelo de Joux
. Ali entra em sua cela no dia 23 de agosto. Nunca mais reencontrará a
liberdade.
Na ilha o desaparecimento de Toussaint não leva à calma. A
situação das tropas francesas vai piorando e a febre - mais do que a guerilha -
provoca baixas terríveis no corpo expedicionário. A aliança dos chefes negros
acelera o desastre das tropas francesas que acabam por capitular no dia 19 de
novembro em Vertieres, deixando Santo Domingo para sempre.
Os chefes negros substituem o nome de Santo Domingo pelo nome
caribenho de Haiti e, no dia 29 de novembro 1803 « em nome dos Negros e homens
de cor, é proclamada a independência de Santo Domingo. Devolvidos a nossa
liberdade primitiva, asseguramos nós mesmos nossos direitos, juramos de não
obedecer à nenhuma força da Terra… ». A independência é confirmada o dia 1 de
Janeiro 1804.
Assim nasceram: a primeira e única insurreição vitoriosa de
escravos; a primeira colônia indígena independente e a primeira República Negra
da Historia da humanidade. Como celebrou Aimé Césaire, foi no Haiti onde « pela
primeira vez, a negritude se pôs em pé ».
Toussaint Louverture não viu se cumprir este glorioso fim. Foi
o vencedor póstumo. Debilitado pela enfermidade e isolado na sua cela em Joux,
morreu o dia 7 de abril 1803.
Napoleão I conheceu sua primeira derrota em Santo Domingo. Em
1817, no Memorial de Santa Helena, reconheceu seu erro: « o assunto de Santo
Domingo foi uma estupidez minha. Foi o maior erro que cometi em administração.
Deviria ter tratado os chefes Negros como as autoridades de uma província e
deixado, como Vice-Rei, Toussaint Louverture”. Apreciável homenagem do "Napoleão
Branco", chamado de " Napoleão Negro" pelo famoso escritor Chateaubriand.
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 Cela
onde morreu Toussaint Louverture
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