sábado, 28 de dezembro de 2013

Lançamento de Cadernos Negros 36 garante a resistência da literatura afro-brasileira

 LANÇAMENTO DO CN36
O lançamento do livro CADERNOS NEGROS VOLUME 36 - CONTOS AFRO-BRASILEIROS,
aconteceu no dia 13 de dezembro, sexta-feira, às 19h30

O evento contou com a presença de alguns autores do livro residentes em São Paulo e Brasília e algumas participações especiais.
Autores do livro: Adilson Augusto, Cristiane Sobral, Cuti, Elizandra Souza, Fausto Antônio, Hildália Fernandes, Jairo Pinto, Lande Onawale, Lepê Correia, Michel Yakini, Serafina Machado, Sergio Ballouk, Silvana Martins, Valéria Lourenço
Atividades:
- minipalestra "Literatura Afro X Literatura Periférica: Contemporaneidade", com Michel Yakini, do coletivo Elo da Corrente e da Usp.
- participação super-especial do cantor
Fabiann Ifrikan (músico da Guiné-Conacri)
- e das cantoras Liah Jonnes e Débora Garcia e de Cosme Nascimento na percussão.
E não poderia faltar: dança Afro com o grupo Omo Aiyê.

CADERNOS NEGROS VOLUME 36
Este volume 36 de Cadernos Negros continua a história da série criada em 1978 por Cuti, Hugo Ferreira, Jamu Minka e outros. Desde sua criação, a série tem seus volumes feitos de forma coletiva. 
Com 14 autores e dezesseis contos, o livro de 128 páginas traz textos que falam de temas muito próximos a todos, como afetividade, relacionamentos, sobrevivência; traz temas atuais, como futebol, infância e educação; são contos criativos, relatos que dão um agudo retrato de diversos aspectos da vivência afro-brasileira contemporânea.
Lançar mais um Cadernos num ano em que se falou tanto da exclusão de escritores afrodescendentes, cujos textos são tão ricos, mas ainda não tão lidos como deveriam, é algo de profundo significado para os atuais coordenadores da série: Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.
Cadernos 36 certamente colaborará para dar mais visibilidade à literatura afro.
Fonte: correionago

Milton Nascimento, a reinvenção de Minas

A imagem que se tem quando se abeira de Milton Nascimento é a de um patrimônio arquitetônico mais valioso, que se instaura da invenção de um cais entre o barroco de Minas e a modernidade proposta pela vanguarda antropófaga dos bandeirantes paulistas dos primórdios do século 20. 

Por Wander Lourenço*, Correio do Brasil

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Milton Nascimento
Imagina-se que o compositor nascido no Rio de Janeiro há setenta anos cunhasse o passado histórico em canções contemporâneas, por intermédio das tonalidades dos ritmos sacros das ermidas e catedrais do cancioneiro popular, apto a transcender o cenário árcade da Vila Rica de aleijadinhos, joaquins, claudios e gonzagas, em diálogo com cânticos negros provindos da arqueologia das senzalas do Ciclo do Ouro dos Gerais.

Neste contexto simbólico, o sublime intérprete se arvora a ser o Deus da raça da mitologia greco-mineira que, por timbres e mistérios, transborda do barro das lavras de aluvião até esbarrar em artesanato lírico das lavadeiras do Vale do Jequitinhonha. Ao dialogar com as vertentes do interior do país litorâneo, pode-se até dizer, podes crer que sem se considerar um sacrilégio artístico, que o garimpeiro das canções de trabalho dos confins das Minas Gerais se aproximou mais de Villa-Lobos do que de Antônio Carlos Jobim e dos tropicalistas baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Sobre o embrionário cego cantador renascentista de Calix bento e Sentinela, a inigualável gaúcha Elis Regina sintetizou-te com maestria ao dizer que, se Deus humanamente pouco altivo se pronunciasse, decerto seria por sua celestial voz de arcanjo negro. Aliás, entre a mitologia e o homem, à voz do Criador suprimiu-se uma réstia de alfabeto que se refaz pelas letras l e n – Mito / Milton, de modo a traduzir-se, biblicamente, por labirínticos becos e vielas de Diamantina, a Aleijar-se de um assimétrico vocábulo posto em dicção da Santa Teresa do Clube da Esquina, por Wagner Tiso, Marcio e Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta ou Fernando Brant.

Por sua escultura humana talhada em pedra-sabão por sobre o chão pé de moleque de Sabará, São João del-Rei, Congonhas ou Tiradentes, deu-se então com o Nascimento do Milton a reinvenção de Minas Gerais, como se o menino negro se refugiasse por Áfricas menores até aportar em estábulo ou farol em alto-mar do sertão. Ao ressoar das harpas celestes, arrebatadores trompetes divinos e cítaras angelicais à mão direita dos súditos Reis Magos da folia mineira, a lidar com o mais afinado instrumento a ser aventado pelo Criador, a tua voz de sabiá-pátria pousada em buriti-gerais. És Milton Nascimento, sobretudo, quando insurges no horizonte, alferes inconfidente sem indumentária ou mosquete, em claridade por um vozear ou alarido de relâmpago, a avizinhar-se ao edênico espaço terrestre das múltiplas travessias que, por igarapés das palmas das mãos ciganas, impavidamente soberanas desaguam, em disfarces mambembes, pela voz do Rio Chico, qual água doce que brota e jorra aos pés-curupiras de um incontestável ídolo eterno.

Tu, São Francisco impalpável, Milton, afluente dos acordes de uma existência primordial, pois que és o espetáculo do nascimento de uma aurora, que se achega ao pôr do sol pelo prelúdio de um recital silencioso do Cuitelinho, em homenagem à flor da criação, por sobre a qual nos debruçamos por arroubos efêmeros de humanidade. Enfim, por sobre a inebriável ilusão da presença que, miticamente, se afigura por sublimes traços de glória em tão humilde palco-manjedoura, sem perspectivas de salvação ou quimera, reunimo-nos a declamar, por pão, vinho e hóstias, a oração menos óbvia proferida, em púlpito, bailes e feiras, por magnífico gorjeio humano, em cor, em sombra, em luz.

*Wander Lourenço de Oliveira, doutor em letras pela UFF, é escritor e professor universitário. Seus livros mais recentes são ‘O enigma Diadorim’ (Nitpress) e ‘Antologia teatral’ (Ed. Macabéa).
 Fonte: Geledes

Michelle Obama vai celebrar 50 anos com festa dançante

ISABEL FLECK
DE NOVA YORK

"Venham com sapatos confortáveis", já avisa o pré-convite para a festa em comemoração aos 50 anos de Michelle Obama. O texto também orienta os convidados a irem "treinando os passos de dança" nas próximas semanas.
Marcada para o próximo dia 18 –um dia após o aniversário da primeira-dama–, a festa promete ser um evento tão ou mais badalado que o cinquentenário de Barack Obama, comemorado com churrasco e hip-hop em 2011.
Jewel Samad/AFP
Michelle sorri em evento no Natal; convidados de sua festa devem levar 'sapatos confortáveis'
Michelle sorri em evento no Natal; convidados de sua festa devem levar 'sapatos confortáveis'
A lista de convidados e as atrações ainda não foram divulgadas pela Casa Branca, mas Michelle revelou que pretendia comemorar a data com "um pouco de Dougie" ""estilo de hip-hop já dançado por ela num programa de TV.
Convidados para o evento disseram que o pré-convite orienta ainda a "comer antes" de ir. A julgar pelo tema da festa –"Snacks & Sips & Dancing & Dessert" (snacks e goles e dança e sobremesa)"" e pela bandeira da alimentação saudável defendida por Michelle, o cardápio deverá ser mais "light" que os hambúrgueres e costelas servidos nos 50 anos do marido.
O casal Obama terá ainda a oportunidade de dissipar fofocas de possível crise conjugal, após a divulgação de fotos em que Michelle supostamente aparentava incômodo com a proximidade entre Obama e a premiê da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, durante o funeral de Nelson Mandela.
Fonte: folhauol

Casados na vida real, Taís Araújo e Lázaro Ramos repetirão parceria em novela

Taís Araújo e Lázaro Ramos, que são casados na vida real e são pais de João Vicente, 2, vão atuar juntos na novela "Geração Brasil", próxima trama das 19h da Globo.
A dupla de atores repetirá, assim, a dobradinha de "Cobras & Lagartos" (2006), onde interpretaram Ellen e Foguinho.
A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha deste sábado (28).
Ao lado do então só namorado Lázaro Ramos, Taís chega para participar da festa de lançamento da novela "Viver a Vida" (2009-2010), de Manoel Carlos, no Rio
Fonte: Folhauol

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Você comemora o Natal? Mas, já ouviu falar sobre a Kwanzaa?

Kwanzaa é uma festa, de caráter interreligioso, que dura sete dias, e que é muito comum na comunidade afroamericana e entre negros da diáspora. No Brasil, a celebração ainda é desconhecida e ainda resume-se a um pequeno ciclo de militantes panafricanistas conscientes do papel histórico do povo africano e da necessidade de reconstruir essa memória.
O nome “Kwanzaa” deriva da expressão “matunda ya kwanza”, que significa “primeiros frutos” em swahili, a língua original mais falada entre as centenas que existem na África.
Segundo o site  Somos Todos dos Um, a festa dos “primeiros frutos” é típica dos povos ancestrais, a origem do Natal cristão seria uma celebração desse tipo, “a festa da vitória da vida contra a morte, da luz contra as trevas, da colheita farta que garantia a continuidade da tribo contra a ameaça da fome e do extermínio.”
Não é pouca coisa. Na África,  os rituais associados à colheita existiram no passado e existem ainda hoje: “Estas celebrações eram comuns nos tempos antigos, mas também existem hoje, cultivadas por imensos grupos sociais, como os zulus, tanto quanto por pequenos agrupamentos, como os matabelos, os thonga e os lovedus, todos do sudeste do continente africano”.

Kwanzaa-Family
A idéia de criar um feriado “pan-africano” é atribuída a um professor de estudos africanos da Universidade da Califórnia, Maulana Karenga, num tempo difícil, que ficou conhecido como “o movimento pelos direitos civis americanos”, mas que durou mais de uma década, teve ares de guerra civil e virou a sociedade racista dos EUA literalmente de cabeça para baixo.
A Kwanzaa foi celebrada pela primeira vez de 26 de dezembro de 1966 a 1 de janeiro de 1967, Martin Luther King seria assassinado um ano mais tarde e os negros americanos brigavam pelo direito de voto.
Para Makini Olouchi, uma das organizadoras da festividade em Salvador,  ”Celebrar a Kwanzaa no Brasil, significa viver nossa africanidade numa perspectiva panafricanista. É manter-se conectado com toda ancestralidade africana do mundo e manter aceso o espirito de celebração pelas boas colheitas que tem sido feitas, apesar das adversidades”.
Veja fotos da celebração realizada no CEPAIA em Salvador









Os sete princípios do Kwanzaa
O Kwanzaa está centrado nos sete princípios, Nguzo Saba, que representa os valores da família, da comunidade e da cultura para os africanos e para os descendentes de africanos. Os princípios foram desenvolvidos pelo fundador do Kwanzaa, Dr. Maulana Karenga, baseados nos ideais das colheitas dos primeiros frutos.
Os princípios da Kwanzaa são:
  • Umoja : união
    Estar unido como família, comunidade e raça;
  • Kujichagulia : auto-determinação
    Responsabilidade em relação a seu próprio futuro;
  • Ujima: trabalho coletivo e responsabilidade
    Construir juntos a comunidade e resolver quaisquer problemas como um grupo;
  • Ujamaa: economia cooperativa
    A construção e os ganhos da comunidade através de suas próprias atividades;
  • Nia: propósito
    O objetivo de trabalho em grupo para construir a comunidade e expandir a cultura africana;
  • Kuumba: criatividade
    Usar novas idéias para criar uma comunidade mais bonita e mais bem-sucedida;
  • Imani: fé
    Honrar os ancestrais, as tradições e os líderes africanos e celebrar os triunfos do passado sobre as adversidades.
Os sete dias do Kwanzaa
 No primeiro dia do Kwanzaa, 26 de dezembro, o líder ou ministro convida todos a se juntarem e os cumprimenta com a pergunta oficial: “Habari gani?” (O que está acontecendo?), à qual eles respondem com o nome do primeiro princípio: “umoja”.
O ritual é repetido em cada dia de celebração do Kwanzaa, mas a resposta muda para refletir o princípio associado àquele dia. No segundo dia, por exemplo, a resposta é “Kujichagulia”. Em seguida, a família diz uma prece. Depois, eles recitam um chamado de união, Harambee (Vamos nos Unir).
A libação é então realizada por um dos adultos mais velhos, e uma pessoa (geralmente a mais jovem) acende uma vela do Kinara. O grupo discute o significado do princípio do dia e os participantes podem contar uma história ou cantar uma música relacionada a esse princípio. Os presentes são oferecidos um a cada dia ou podem ser todos trocados no último dia do Kwanzaa.
        






banquete do Kwanzaa é no dia 31 de dezembro. Ele não inclui só comida, é também um momento de cantar, orar e celebrar a história e a cultura africana.
O dia 1º de janeiro, o último dia do Kwanzaa, é um momento de reflexão para cada um e para todo o grupo. As pessoas se perguntam: “quem sou eu?” “sou realmente quem digo que sou?” e “sou tudo o que posso ser?” A última vela do Kinara é acesa e então todas as velas são apagadas sinalizando o fim do feriado.
* com informações de HowStuffWorks Brasil e Pele Negra

2013: Um ano atípico para a luta feminista

As mulheres deram sua contribuição acertada para a agenda política que foi se construindo a cada mês nas ruas
Do Fórum de Combate à Violência contra as Mulheres para o Canal Ibase
Em fevereiro, quando ainda construíamos o 8 de Março Unificado, para o Dia Internacional das Mulheres, a possibilidade de uma revolta popular estava distante. Ainda assim, as feministas já faziam a sua escolha política e elegiam a pauta do enfrentamento a todas as formas de violência contra as mulheres, reocupando a rua. Nessa época, ainda não se contabilizava quantas pessoas levávamos às ruas. Mas a passeata do 8 de Março ocupou a Av. Rio Branco e como marca do movimento feminista, a ousadia prevaleceu. O simbolismo a cada esquina que trocávamos os nomes das ruas por nomes de mulheres veio para dizer que as ruas, o espaço público, também é das mulheres! A manifestação foi uma das mais cheias e significativas antes das grandes mobilizações de junho, no Rio de Janeiro.
Passado o 8 de Março, fortalecidas, entendemos a nossa tarefa de seguir o que havíamos retomado naquele mês, também como resposta à conjuntura de crescente violência contra as mulheres no estado do Rio de Janeiro e à omissão dos governantes. Em abril, casos de estupros contra as mulheres, principalmente, no transporte coletivo e espaço público, fizeram com que as organizações e movimentos do movimento feminista e de mulheres se reunissem entorno do fortalecimento da luta feminista no estado e rearticulamos o Fórum Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres (FEM). Rapidamente, organizamos ações de panfletagem em pontos de ônibus e praças no centro da cidade. Provocamos o debate nesses locais e marcamos nesses territórios uma contra ofensiva feminista em defesa das mulheres. Pelo direito de ir e vir das mulheres e não somente transitar. Pelo direito de estar na cidade com segurança!
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Com a chegada de junho, nossas vozes tão diversas refletiam o acúmulo político do FEM. As mulheres deram sua contribuição acertada para a agenda política que foi se construindo a cada mês nas ruas. Mostramos que a transversalidade de nossa pauta no modelo de cidade e transporte/mobilidade significa que a questão urbana deve expressar a desigualdade entre mulheres e homens e nossas demandas, revolucionando a cidade. Dessa maneira, a reivindicação por justiça social não pode ignorar os altos índices de feminicídio, estupro, assédio sexual e ameaça às mulheres em diversos espaços privados e públicos. São 17 mulheres estupradas por dia no Estado do Rio de Janeiro. 25 são assassinadas por mês. No entanto, esses números dizem respeito somente aos casos notificados. A maioria se perde no silenciamento das vítimas provocado pela construção sócio-cultural que leva as mulheres a sentirem vergonha das agressões que sofrem. Além da falta de políticas públicas e serviços derivados que se direcionem a prevenir, apurar e erradicar a violência contra as mulheres.
Apesar dos desafios em conquistar espaço e visibilidade enquanto bloco feminista na multidão de junho, iniciamos um legado feminista para as grandes mobilizações de 2013. O povo nas ruas colocou o desafio de nos repensar enquanto movimento feminista e de mulheres ocupando as ruas nesse novo momento de grande embate político. Afinal, a disputa política para nós vem acompanhada de violência contra a mulher, deslegitimação enquanto sujeito político, inclusive entre forças políticas parceiras dentro da esquerda. Nas mobilizações de 2013 não foi diferente.
Enquanto isso, os diversos ataques recentes aos direitos das mulheres, principalmente referentes aos nossos direitos sexuais e reprodutivos, exigiram nossa articulação entorno do Estatuto do Nascituro, da Cura Gay e do Estatuto do Nascituro Estadual/RJ. Nesses meses, os atos convocados pelos movimentos feministas, de mulheres e LGBT foram vários. Em julho, a Marcha das Vadias fez uma importante resistência ao fundamentalismo religioso e ao atentado ao Estado Laico instalado pela Jornada Mundial da Juventude (JMJ), grande evento internacional direcionado à juventude católica. O FEM se soma às demais ações organizadas pelos movimentos feministas e LGBTs com uma campanha virtual das mulheres pelo Estado Laico chamando atenção nas redes sociais para a criminalização do aborto e a Bolsa Estupro. A JMJ acabou por deixar rastros do avanço político e fortalecimento da Igreja Católica dando mais campo ideológico ao discurso conservador e a um clima de caça às bruxas no qual a diversidade sexual e as mulheres são os maiores alvos da intolerância.
No sentido de fazer do FEM cada vez mais uma frente das mulheres para o enfrentamento coletivo das diversas violências contras as mulheres, construímos em agosto o Encontro Estadual com mais de 40 mulheres de diferentes partes da cidade, da Região Metropolitana e de outros municípios do Estado. Do encontro, saímos com o direcionamento principal de mobilizar e construir um 25 de Novembro representativo no qual chamasse as mulheres e demais pessoas que já estavam nas ruas no processo das mobilizações para fazer ecoar forte um grito de BASTA À VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES! Desde então, encontros e plenárias locais foram realizadas na Zona Oeste, Baixada Fluminense e centro do Rio de Janeiro com o intuito de unificar os movimentos de mulheres.
Mesmo debaixo de chuva, o 25 de novembro foi emocionante. Em memória de algumas mulheres que sofreram violência e por todas que ainda vão sofrê-la antes do machismo acabar, lembramos casos de violência nos últimos anos. Um deles foi o da Maria da Penha, mulher vítima de violência do marido por anos, e que deu nome à Lei 11.340/2006, responsável por coibir e criar mecanismos de prevenção à violência doméstica contra as mulheres, ou seja, nas relações intrafamiliares, de convívio permanente ou relações íntimas de afeto. A lei é fruto da luta do movimento feminista e de muitas mulheres que como Maria da Penha combateram a violência e seus agressores. Porém, temos encarado, diariamente, a falta de compromisso do Estado para com a lei, as políticas necessárias para sua implementação e a vida das mulheres. Estamos morrendo todos os dias vítimas de violência dos maridos, namorados, pais, irmãos, tios, mas também da polícia e do Estado. Dias após o 25, um caso de estupro na Lapa nos fez voltar às ruas. O FEM mais uma vez demonstrou que nós, mulheres, não recuaremos diante de estupradores e assassinos de mulheres, tampouco do Estado e seus governantes que ignoram os direitos das mulheres e visam somente os lucros de uma região tomada pelo capital. Nós, mulheres, travamos uma batalha contra a violência contra as mulheres! Ano que vem tem mais: rumo ao 8 de Março!
A CIDADE É NOSSA, A RUA É NOSSA, O CORPO É MEU!
Fórum Estadual de Combate à Violência contra a Mulher – FEM.
O povo nas ruas colocou o desafio de nos repensar enquanto movimento feminista e de mulheres ocupando as ruas nesse novo momento de grande embate político

Poesia africana - Ana de Santana

ANA DE SANTANA

Poetisa angolana, Ana Paula de Jesus Faria Santana nasceu a 20 de Setembro de 1960, em Luanda (Angola).
Completou o curso de Ciências Económicas na Universidade de Lisboa e, em 1985, ingressou na União de Escritores Angolanos. A poetisa publicou, em 1986, Sabores, Odores e Sonho .
Biografia extraída de: www.infopedia.pt


Música sanguínea

No cimo do tambor
continuar brincando, queria,
mas não,
Cantar o belo,
mas as mãos, os olhos, a carne?
(quanto sofre a carne inconformada)
ter olhos passando tempo
pelo imediato,
eu passo
por aqui, sempre
(como não encontro o infinito)
a angústia no caso
que não há.
Como romper, rasgar
para essa lua entrar,
que luz?
Aonde o sol
e o tempo para soltar a voz,
a fórmula do amar
à força de estar, quem entende?
Oh, discreto riso,
suave tristeza,
olho molhado, olhando-se,
amor fardado (falhado?)
o que será dessa
música sanguínea?



Núpcias

Penetro
esse colchão de cristal,
e
um lençol de mar
me envolve
tecendo o meu vestido raro,
                                      espuma e sal.
Interrompo estas núpcias com o coral,
vem-me o mavioso murmurar
das palmeiras pela brisa
será que não aprovam?


Canção para uma mulher

Nunca me falaste
da tua música
estuprada à força do falo<
nem me contaste
das partículas que
pacientemente raspaste
ao sol para fecundar a terra.
Apenas dizes dos braços
cruzados à volta do filho
ou do milho a colher


Sempre espero, pacientemente,
tua boca liberta,
pelas mãos mostrando o sol
e,
pelos teus filhos contando-te
da vida que semeaste.


Barco aberto

Como um pão aberto
assim te ofereço
este rio em prata
sorrindo

para que te embebedes
da certeza de que
os caminhos se fazem,

como este barco
perseguido por pássaros
enfeitiçados
de todas as latitudes

salpicam da espuma
as luzes da cidade
mostrando-me como
se rompem os contornos.


Extraídos de TODOS OS SONHOS - Antologia da Poesia Moderna Angolana. Org. Adriano Botelho de Vasconcelos. Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2005.

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...