quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Especialista de universidade catalã aborda produção discursiva do racismo


professor Teun A. Van Dijk
Racismo e discurso político é o tema da conferência que o professor Teun A. Van Dijk, da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, Espanha, ministrará nesta quinta-feira, dia 28. Organizada pelo Centro de Estudos Africanos, a atividade vai das 13h30 às 16h no auditório 1A do Centro de Atividades Didáticas das Ciências Naturais (CAD1), no campus Pampulha.
Van Dijk focalizará o tema da produção discursiva do racismo na sociedade, discutindo as articulações que ocorrem entre mídia, poder, ideologia e contexto. Ele analisará dimensões linguísticas, cognitivas, sociais, políticas, culturais e históricas do fenômeno do racismo e suas diferentes manifestações em cada sociedade.
Van Dijk lançou em 2008 o livro Racismo e discurso na América Latina. Atualmente lidera projeto internacional sobre o tema com equipes no México, Colômbia, Venezuela, Brasil, Argentina, Chile e Peru.
A conferência é organizada pelo grupo de pesquisa integrada Ensinar qual língua, ler qual literatura, coordenado pela professora Aracy Martins, da Faculdade de Educação, em parceria com o Programa Ações Afirmativas na UFMG. Outras informações podem ser obtidas a partir de envio de mensagem para o endereço eletrônico pesquisalinguaeliteratura@gmail.com.
Fonte: CBN Foz

A representação social do negro no livro didático: o que mudou? por que mudou?

Ana Celia da Silva-1

Title: A representação social do negro no livro didático: o que mudou? por que mudou?
Authors: Silva, Ana Célia da
Keywords: Negros nos livros didáticos
Racismo nos livros didáticos
Livros didáticos – Influências tendenciosas
Discriminação na educação
Issue Date: 2011
Publisher: EDUFBA

INTRODUÇÃO
Este livro é resultado da pesquisa intitulada As transformações da representação social do negro no livro didático e seus determinantes, apresentada como crédito para obtenção da titulação de doutora em educação, defendida  em maio de 2001. Tive como objeto de investigação a representação social do negro no livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental de 1o e 2o ciclos, da década de 90 e os autores dos textos e ilustrações desses livros. Investiguei as transformações ocorridas nessa representação e os fatores que as determinaram.

Identifiquei, em pesquisa anterior, que os livros de Língua Portuguesa das mesmas séries e ciclos da década de 80 caracteriza- vam-se pela rara presença do negro, e essa rara presença era marcada pela desumanização e estigma. Desenvolvi, em uma segunda pesquisa, um trabalho de desconstrução dessa invisibilidade e es- tigma da representação social do negro. No presente trabalho, investiguei até que ponto, a partir dos trabalhos crítico-construtivos desenvolvidos sobre o livro didático, elaborados nas duas últimas décadas, cujos trabalhos determinaram mudanças significativas nas representações, já existe, no que tange à representação do negro, uma transformação, e os fatores que a determinaram.

Os resultados dessa investigação evidenciaram a existência de mudanças significativas na representação social do negro nos textos e ilustrações do livro de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental de 1o e 2o ciclos. Essas mudanças podem concorrer, em grande parte, para a construção da autoestima e autoconceito da criança negra, para a aceitação e integração com as crianças pertencentes à sua raça/etnia, uma vez que a internalização de uma representação inferiorizada pode produzir a autorrejeição e a rejeição ao seu outro assemelhado, bem como para o reconhecimento e respeito do negro por parte dos indivíduos de outras raças/etnias.

Tendo em vista a importância dos estudos de representação social, procurei identificar a existência de outras pesquisas nesse âmbito, em relação ao negro. A busca no site da Universidade de São Paulo (USP) revelou 693 pesquisas sobre representação social e apenas uma sobre o negro, de autoria de Solange Martins Couceiro de Lima, do Departamento de Comunicação e Artes I, sobre a representação do negro na televisão, mencionada em poucas linhas e poucos detalhes.

A busca no Alta Vista identificou duas pesquisas sobre representação do negro. A de Alexino Ricardo Ferreira, em nível de Mestrado, da Escola de Comunicação e Artes da USP, realizada em 1988, sobre a análise do discurso jornalístico nas ma- térias publicadas em jornais de grande circulação, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e O Globo, e regionais, como A Tarde e O Dia.

A segunda pesquisa identificada investiga a representação do negro na arte e a influência africana na cultura brasileira: Reflexões a partir da obra de Seydou Keita. Não identifica o autor nem o ano de conclusão. Outro trabalho bastante recente sobre a representação do negro é a pesquisa de doutorado de Joel Zito Araújo, A negação do Brasil – o negro na telenovela brasileira, tese de doutorado defendida na Escola de Comunica- ções e Artes (ECA/USP), em 1998, publicada pela Editora Senac, São Paulo, e transformada em um filme de 90 minutos com o mes- mo título. Trata-se de um importante trabalho sobre como o negro é invisibilizado nas telenovelas e como nelas aparece no período de 1963 a 1997.

Description: Impresso em formato: 15,5 x 22,5. Tiragem: 300 exemplares. 182 p.
URI: http://www.repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/8688
ISBN: 978-85-232-0815-8
Appears in Collections:Ciências Humanas (EDUFBA)

Please use this identifier to cite or link to this item: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/8688
Fonte: Geledes

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Personalidades Negras – Carolina de Jesus



Filha de negros, Carolina de Jesus nasceu em Sacramento, estado de Minas Gerais. De família pobre, a intelectual brasileira contou com a proteção de Maria Leite Monteiro de Barros, que patrocinou seus estudos. Célebre intérprete lírica brasileira, Carolina foi também escritora e tem em sua obra um importante referencial para os estudos culturais no Brasil e no mundo.
Por meio de sua escrita de contestação, Carolina revela a importância do testemunho como meio de denúncia sociopolítica de uma cultura hegemônica que exclui. Sua obra mais conhecida é Quarto de despejo, que resgata e delata uma face da vida cultural brasileira no início da modernização da cidade de São Paulo e do surgimento de suas favelas.
Sua obra, que é considerada a literatura das vozes subalternas, inspirou diversas expressões artísticas, como a letra do samba Quarto de despejo, de B. Lobo; o texto em debate no livro Eu te arrespondo, Carolina, de Herculano Neves; a adaptação teatral de Edy Lima e o filme Despertar de um sonho, realizado pela Televisão Alemã, utilizando a própria Carolina de Jesus como protagonista.

Fundação Palmares abre concurso para preencher 11 vagas


Inscrições estarão abertas até 20 de dezembro e as provas serão aplicadas em 23 de fevereiro de 2014
A Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) abriu concurso público para o provimento de 11 vagas de nível médio e superior. O Edital foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 25 de novembro, na seção 3, páginas 20 a 27.
O vencimento básico de R$ 1.990,22, para os cargos de nível superior, e de R$ 1.568,42, para o cargo de nível médio, acrescidos de 80% da Gratificação de Desempenho por Atividades Culturais – GDAC que corresponde a R$ 1.990,40, para os cargos de Nível Superior, e de R$ 1.001,60, para o cargo de Nível Médio. A jornada de trabalho será de 40 horas semanais.
As provas objetivas e discursivas serão aplicadas no dia 23 de fevereiro de 2014 pela organizadora Cetro Concursos Públicos. As inscrições já estão abertas e poderão ser feitas até 20 de dezembro de 2013, exclusivamente pela internet, no endereço eletrônico  www.cetroconcursos.org.br.
A prova objetiva para o cargo de nível médio terá questões de Língua Portuguesa; Raciocínio Lógico; Noções de Informática; e Conhecimentos Gerais.  Já a prova objetiva para os cargos de nível superior terá questões de Língua Portuguesa; Noções de AdministraçãoPública, políticas culturais e legislação; e Conhecimentos Específicos de cada cargo. A prova discursiva para todos os cargos vai abranger um tema relacionado à Valorização, promoção e proteção da Cultura Negra brasileira.

Entrevista: Cor laranja, mulher, paz e segurança em Moçambique


 
Campanha da ONU Mulheres apela ao fim da violência contra a mulher. Foto: ONU Mulheres
No âmbito da campanha de 16 dias de ativismo pelo fim à violência contra mulheres e meninas, Moçambique também destaca o papel feminino na resolução e na mediação de conflitos.
Nesta entrevista de Maputo, a chefe da ONU Mulheres em Moçambique, Valéria de Campos Mello, falou da componente paz e segurança inserida na iniciativa que decorre até 10 de dezembro.
A representante aborda a cifra de 39% das mulheres no Parlamento do país, mas defende haver razões para reflexão com vista a maior inclusão em áreas como forças de segurança, exército e polícia.
Acompanhe a entrevista a Ouri Pota.
Tempo total: 15’04″

'Sociedade ainda é sexista e preconceituosa', diz Dilma


No Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, comemorado nesta segunda-feira (25), a presidente Dilma Rousseff disse que a "sociedade ainda é sexista e preconceituosa"
Dilma-anuncia-R-8-bilhões-para-mobilidade-urbana-em-SP
"A violência contra a mulher envergonha uma sociedade que, infelizmente, ainda é sexista e preconceituosa", comentou a presidente em sua conta no Twitter.
A data foi criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1993 e escolhida para relembrar o assassinato das irmãs Mirabal --Minerva, Pátria e Maria Teresa, organizadoras do movimento oposicionista Las Mariposas, mortas durante o governo do ditador Trujillo, da República Dominicana, em 1960.
No dia 25 de novembro, Trujillo ordenou a execução delas. Elas foram pegas desarmadas e levadas para uma plantação de cana-de-açúcar, onde foram apunhaladas e estranguladas. O assassinato causou grande comoção no país e contribuiu para acabar com a ditadura em 1961.
Segunda a presidente a Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, foi o alicerce do combate à violência contra as mulheres no país. "Combater à violência contra a mulher é condição para uma Nação mais justa, cidadã e igualitária. É uma forma de preconceito do "mais forte" contra a mulher apenas pelo fato de ser mulher. Graças às lutas das mulheres, o Brasil está mudando. A Lei Maria da Penha foi o alicerce do combate à violência contra as mulheres."
Dilma também destacou o programa Casas da Mulher, ligado à Secretaria de Políticas para as Mulheres, onde o governo atua com parceria com os demais Poderes para coibir a violência contra a mulher. O programa foi lançado em março e prevê a construção de Casas da Mulher Brasileira em todas as capitais do país.
"As Casas da Mulher são o caminho para garantir um combate permanente e sistemático a essa violência. Nessas Casas estão os serviços para o atendimento à mulher com delegacia, Judiciário, Defensoria Pública e atendimento psicossocial."
No começo do mês, a presidente disse que eram "alarmantes" os dados que indicavam crescimento de 18% nos registros de estupros no país. Segundo o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em todo o Brasil foram registrados 50,6 mil casos. Trata-se de 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes, contra 22,1 em 2011. O estudo mostra que o total de casos de estupro superou o total de casos de homicídios dolosos, que, em 2012, registrou 47,1 mil.
"A violência contra a mulher é uma vergonha que a sociedade brasileira precisa superar. Para isso é necessário: o fim da impunidade dos agressores, o combate implacável ao preconceito sexista, o respeito às diferenças e o apoio e acolhimento às vítimas."
Fonte: Folha de S.Paulo

Falta infraestrutura que promova integração entre países da África, diz ex-ministro de Lula


Segundo Franklin Martins, responsável pela série "Presidentes Africanos", continente vive "momento crucial"
franklin
A África atual se ressente da falta de uma infraestrutura que promova a integração entre os países do continente, segundo o jornalista e ex-ministro Franklin Martins, que acaba de estrear a série de reportagens "Presidentes Africanos".
O documentário, contendo 15 episódios, é composto de entrevistas com os líderes de 13 dos maiores países africanos, entre os quais África do Sul, Moçambique, Egito e Tunísia. Também são apresentadas características históricas e geográficas e a realidade do continente que mais cresceu economicamente nos últimos dez anos.
Franklin Martins foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil durante o mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, de 2007 até 2010. "Presidentes Africanos" marca seu retorno à TV como jornalista. A série é exibida nos canais Discovery Civilization e Band.
Em entrevista a Opera Mundi, Martins conta suas impressões do "momento crucial" da África, em geral, e dos líderes com os quais conversou, que têm "consciência da importância da democracia".
Opera Mundi: Qual é, em sua opinião, a sensação dos africanos em relação à política externa do Brasil nas três últimas presidências, de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff?
Franklin Martins: Eu acho que, de um modo geral, existe sensação de que o Brasil, nos últimos dez anos, voltou a ter uma política ativa na África. Isso foi deixado pra trás no governo do Fernando Henrique, a África não existia, e, a partir do governo do Lula, voltou a ter relevância, antes não tinha nenhuma. Isso é evidenciado, primeiro, pelo número de viagens do presidente Lula ao continente. Segundo, pelo grande número de embaixadas abertas na África e também pelo aumento das embaixadas africanas no Brasil. Em terceiro, o aumento muito forte da presença da África no comércio exterior do Brasil e do investimento brasileiro na África. Em quarto, a presença diplomática do Brasil, com a implantação de programas de cooperação na área social, educativa, de saúde. Mesmo a presença política. Acho que eles têm um sentimento de que a África hoje em dia é importante para o Brasil e isso é muito importante pra eles.
exministro
O ex-ministro Franklin Martins entrevista o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, para sua nova série.
Eles também percebem que o Brasil, por ser um país tropical, com geografia parecida com a da África, por ter laços históricos e culturais com o continente, pode ser encarado de um jeito místico, do “deu certo”.
OM: A África foi o continente que mais cresceu nos últimos dez anos, apesar de quase todo o mundo ter entrado em recessão por causa da crise de 2008-2009. Que lições desse desenvolvimento africano o Brasil poderia tirar?
FM: Dos 15 países que mais cresceram nos últimos dez anos, dez são da África. A África passa por um processo de crescimento rigoroso. Isso tem a ver com a potencialidade do continente, com a população jovem, mas também com o fortalecimento da democracia e da paz. Em um ano, houve 17 eleições na África e, em geral, com resultados aceitos pela comunidade internacional. Por outro lado, existe o processo crescente de paz. De um bilhão de africanos, 100 milhões vivem em regiões onde há ameaça de conflito ou presença de conflito. Isso é uma novidade, porque antes havia muito mais áreas de conflito, muito por causa das fronteiras extremamente artificiais.
Hoje, de um modo geral, a África vive um ambiente de paz. Isso permite forte crescimento econômico. O Brasil pode se beneficiar disso, tem potencial tecnológico, elétrico, logística para regiões tropicais… Empresas de agricultura lá podem ter resultados espetaculares, porque a África é um grande cerrado. Tem florestas, mas é um grande cerrado, que lá é chamado de savana.
OM: O senhor trabalhou durante muitos anos no governo brasileiro. Qual a sua avaliação da infraestrutura da África, considerando a gestão e a organização do poder?
FM: A África tem seríssimos problemas de infraestrutura. De um modo geral, foi construída voltada para o exterior, de exportação para as metrópoles. A África se ressente da falta de estrutura, de logísticas de integração, esse é um dos grandes problemas. Assim, se usa pouco o mercado interno, a produção é voltada para o mercado externo. Hoje, o comércio interafricano representa só 3% no continente. O objetivo é chegar a 20%, 25%.
A União Africana tem o Pida [Programa para Desenvolvimento de Infraestrutura na África, na sigla em inglês], que é um projeto de rodovias, eletricidade e transporte que permita à África se integrar mais. É um projeto ambicioso, com previsão de término até 2020, 2025. Já foram investidos mais de 60 bilhões de dólares. Já estão começando a construir.
Já a questão do poder, é um problema que a África tem, a África está construindo sua democracia. A existência de países onde os governos são democráticos é muito maior se for comparada com 20 anos atrás. É incomparável. O processo de construção da democracia é demorado. A África tem participação eleitoral altíssima, 70%, 80% da população, diferente dos EUA e dos países europeus, onde cerca de 30% da população votam. É uma democracia alquebrada, um pouco cansada. Isso é um processo de construção. Entre os presidentes que eu entrevistei, existe uma consciência muito grande da importância da democracia. Existe na sociedade uma compreensão de que o único caminho para a África, o caminho seguro, responsável, eficaz, é a democracia.
Mas as pessoas vão dizer que há países em que o presidente está no poder há 20, 30 anos. Eu entrevistei o presidente de Angola, José Eduardo Santos, e perguntei se ele não achava que estava há muito tempo no poder. Ele disse: acho que é muito tempo, preferia não estar, mas tivemos uma guerra civil de 27 anos, não dava para fazer eleições. E ele foi reeleito em 2012, democraticamente. Na Europa, por exemplo, Angela Merkel acabou de conquistar o terceiro mandato, democraticamente. Quando, na África, há uma duração muito longa de um governo, todo mundo discute isso. Nesses países, é inevitável.
OM: O senhor entrevistou o ex-presidente do Egito Mohamed Mursi depois de ele ser eleito, mas antes de ser deposto. Ele é acusado de ser extremamente centralizador e de tentar “islamizar” a Constituição. Qual a sua impressão sobre ele e o atual momento do Egito?  
Estou seguro que, dentro de poucos anos, grande parte desses setores estará arrependida de ter contribuído com um golpe de Estado sanguinolento – fizeram barbaridades com os seguidores de Mursi – e que lançou o Egito numa noite de trevas pior do que tinha sido no período do Mubarak.  
OM: Além de Mursi, o senhor também entrevistou outro líder importante de um país que passou pela chamada Primavera Árabe, Moncef Marzouki, da Tunísia. Como o senhor vê o país depois da revolução?
FM: Tanto o Egito quanto a Tunísia passaram por momentos ricos que afastaram ditaduras. No Egito, produziu-se essa situação de retorno à ditadura. Na Tunísia, houve a percepção muito aguda da necessidade de uma cooperação entre os dois lados.
O próprio presidente Marzouki diz que governa um país com duas dimensões: islâmica e mediterrânea. Elas têm que coexistir e têm que ser levadas em conta. O país não conseguirá se entender se uma das dimensões sufocar a outra. É necessário entender que existe uma dimensão mediterrânea que tem que ser levada em conta, mesmo se o lado islâmico tiver ganhado as eleições.
A Tunísia não é só um país islâmico, é um país mediterrâneo, onde os pobres são fundamentalmente islâmicos – aspiram a um governo que, de alguma forma, se apoie nas leis de Islã – enquanto que a classe média e outros setores querem governos e constituições mais laicas. Na Tunísia, isso é mais forte e levou a uma composição das duas partes, embora sempre ameaçada.No Egito, infelizmente, o pensamento islâmico majoritário não estabeleceu acordos com a oposição.
OM: Qual foi a entrevista que o senhor mais gostou de fazer?
FM: Gostei muito de todos os presidentes. Não estou sendo diplomático. Por exemplo, o presidente José Eduardo dos Santos não dá uma entrevista longa há mais de dez anos e foi uma entrevista de uma hora, uma entrevista rica. A entrevista com o presidente [Jacob] Zuma [da África do Sul] também foi riquíssima. O presidente do Congo também não dava uma entrevista há uns cinco ou seis anos e foi muito interessante, de um país fundamental da África com muita conexão com o Brasil, um grande fornecedor de escravos na época da colônia. Mas também Nigéria, Gana, Etiópia foram muito interessantes.
As entrevistas como um conjunto mostram uma coisa: uma geração de líderes africanos, presidentes de seus países, que estão preparados para olhar em frente, em um momento crucial para a África. 

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...