segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Angola e São Tomé e Príncipe cumprem objetivos combate à fome


FAO considera prova de que nações africanas seguem rumo certa; Adis Abeba acolheu compromisso de líderes do continente no sentido de acabar com o problema até 2025.
Abordar as causas da fome.
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
Angola e São Tomé e Príncipe são os únicos lusófonos entre as 11 nações africanas que reduziram pela metade a proporção de pessoas com fome entre 1990 e 2015.
O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, disse tratar-se de uma prova clara de que os países do continente estão a mover-se na direção certa.
Compromisso
Falando na capital etíope, Adis Abeba, José Graziano da Silva destacou São Tomé e Príncipe por ter reduzido pela metade o total de pessoas que passam fome definido na Cimeira Mundial sobre Alimentação de 1996. A meta foi alcançada juntamente com o Djibuti e o Gana.
As outras nações que atingiram o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio que prevê reduzir a fome pela metade foram Argélia, Benim, Camarões, Djibuti, Gana, Malaui, Níger, Nigéria e Togo.
O chefe da FAO saudou o compromisso feito pelos líderes africanos para acabar com o problema no continente em 2025, tendo prometido o apoio da ONU para realizar a visão.
Causas
José Graziano da Silva falava após a adoção oficial dos objetivos na cimeira dos líderes dos Estados-membros da União Africana.
Para o representante, o desafio agora é transformar em realidade a visão da segurança alimentar em África com a abordagem das múltiplas causas da fome.
Acesso
Como propostas, avançou o investimento na agricultura, na criação de redes de segurança e na proteção social para os pobres. O objetivo é garantir o direito de acesso aos recursos de terra e água aos pequenos agricultores e aos jovens.
O alvo definido pelos líderes do continente, para 2025, vai de encontro com o Desafio Fome Zero lançado há quase dois anos pelo Secretário-Geral Ban Ki –moon, destaca a ONU.
Fonte: radioonu

ONU apoia debates online para impulsionar empreendedorismo feminino


Aposta é estimular na inovação para a capacitação económica de mulheres africanas; iniciativa será acompanhada de atividades que devem envolver intervenientes dos setores público e privado.
Jovem empreendedora. Foto: ONU Mulheres
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
Um ciclo de debates online para empreendedoras será realizado em todo o mundo durante os próximos 12 meses, segundo a ONU Mulheres e a Fundação Mara.
O objetivo da  parceria é criar maiores possibilidades, empoderar e inspirar as beneficiárias a nível global.
Especialistas
A entidade das Nações Unidas e a ONG especializada em projetos de promoção do empreendedorismo também devem juntar especialistas de todo o mundo à iniciativa através da internet www.empowerwomen.org.
A tarefa do grupo será facilitar as discussões e estimular maior envolvimento das mulheres, para uma melhor compreensão das barreiras enfrentadas nos negócios no continente africano e no mundo.
A expectativa é que o projeto possa impulsionar abordagens inovadoras para a capacitação económica das mulheres em África.
Empresariado
Tanto a ONU Mulheres como a Fundação Mara devem levar a cabo várias outras atividades e eventos de sensibilização sobre os problemas que as mulheres enfrentam no empresariado e reforçar o seu apoio. As envolvidas serão intervenientes dos setores público e privado.
A parceria tem ainda em vista o reforço da orientação, da formação e das ferramentas de negócios para que sejam atendidas as necessidades individuais.
Uma das ferramentas será a  chamada "Mara Mentor", para ajudar as jovens empresárias a ligar-se online às colegas da área, além de permitir o acesso a dicas de negócios e a redes de trabalho.
Fonte: radioonu

CNJ pesquisa racismo na Justiça

CNJ pesquisa racismo na Justiça

Roldão Arruda,
São Paulo - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) anunciou  que vai realizar uma pesquisa para verificar se os jovens negros, na condição de réus, sofrem algum tipo de discriminação no sistema judicial. O estudo, que será conduzido pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias, também quer verificar se eles têm o mesmo tratamento dispensado aos brancos quando acusados de algum delito.

“Os jovens negros muitas vezes enfrentam a impossibilidade de acesso à Justiça”, disse o conselheiro Guilherme Calmon. A decisão do CNJ integra uma série de ações que vem sendo discutidas com representantes de instituições que participam do Protocolo de Atuação para a Redução de Barreiras de Acesso à Justiça para a Juventude Negra em Situação de Violência, assinado em outubro de 2013. Foi nessa reunião que se definiram os primeiros passos do estudo.

O CNJ não divulgou dados sobre a situação dos jovens negros no sistema judicial. Sabe-se, no entanto, que constituem a maioria da população carcerária no País. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional, mais da metade dos presos - 54% - são pretos ou pardos.

O juiz Douglas Martins, que atua como auxiliar da presidência do CNJ e coordena o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário Nacional, qualifica como passo importante a inclusão da questão racial na pauta do Poder Judiciário. De acordo com a assessoria de comunicação da instituição, ele também disse que estão previstos seminários sobre o tema e o encaminhamento de uma proposta à Escola Nacional da Magistratura de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados para que inclua no currículo de todas as escolas da magistratura matéria sobre discriminação racial.

O Conselho Nacional de Defensores Públicos Gerais defende a criação de núcleos especializados no combate ao racismo nas defensorias públicas e o fortalecimento da ação da defensoria no caso de prisão de jovens negros.

A discriminação racial é uma realidade oficial em outros estudos, como as pesquisas sobre empregos no país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) divulgou, na semana passada, uma nova pesquisa na qual aponta que, em 2013, pessoas de cor preta ou parda ganharam, em média pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca

Em valores, isso dá uma média salarial de R$ 1.374,79 para os trabalhadores negros, enquanto a média dos trabalhadores de cor branca foi de R$ 2.396,74.

Nos últimos dez anos, essa desigualdade diminuiu: desde 2003, o salário dos negros subiu, em média, 51,4%, enquanto o dos brancos aumentou uma média de 27,8%.


Mensagens de Rihanna emocionam família de fã dela assassinado em Sergipe


Ele foi assassinado juntamente com a mãe e o irmão no sábado (1º).
Suspeito pelo crime é o padrasto dele que está foragido.

 
Fredson Navarro
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Os familiares e amigos de Tiago Sobral Valença, 15 anos, assassinado a facadas na madrugada do sábado (1º) na casa da mãe dele em Nossa Senhora do Socorro, região metropolitana deAracaju, ficaram emocionados com as mensagens postadas pela cantora Rihanna no Twitter neste domingo (2) em homenagem ao adolescente que era fã da artista.
ri pai
“Tiago vivia para estudar e acompanhar a vida da Rihanna. A cantora era o esporte e o lazer dele. Receber as mensagens dela de protesto e apoio a nós foi muito emocionante. Onde estiver tenho certeza que ele está feliz demais por ser citado e lembrado pelo grande ídolo dele”, disse o pai de Tiago, Eronilton Valença.

A admiração do Tiago pela cantora era tão grande que a família ficava preocupada. “Ele era muito fã da Rihanna, todo o dinheiro que recebia juntava para comprar CDs, DVDs, camisas e livros da cantora. Mesmo sem saber falar inglês ele cantava todas as canções dela”, disse a tia Ana Amélia.

“A gente se preocupava porque ele vivia pela Rihanna. Estava sempre com fones no ouvido, assistindo DVDs ou lendo livros sobre ela. Nossa preocupação era que esse fanatismo o atrapalhasse nos estudos, mas sempre foi dedicado e nunca deu trabalho”, recorda a tia Diana Valença.
ri tias
 
Neste domingo, a família recebeu visita de muitos amigos de Tiago. Juntos, recordaram boas lembranças dele ao lado de sua coleção de CDs e DVDs.

“Eu era a melhor amiga dele, estávamos sempre juntos. Nos falamos pouco tempo antes da tragédia e ele estava bem feliz. Criamos uma página em uma rede social para homenagear a Rihanna. Tiago tinha contato com muitos fãs da cantora de todo o mundo, foi através da rede social que os outros fãs ficaram sabendo do assassinato e levaram ao conhecimento da cantora”, acredita.
 
Jonatha Batista também falou com o Tiago na madrugada do crime. “Ele já estava deitado pronto para dormir, certamente ouvindo músicas com o fone da Rihanna como sempre fazia. Foi muito triste mas vamos guardar as boas recordações, ele estava sempre alegre”, disse o amigo.
A família está muito abalada com a tragédia que tirou a vida do Tiago, da mãe dele e de um irmão de 9 anos. “Ele morava com o pai e foi passar alguns dias na casa da mãe, mas não voltou. Foi na terça-feira e disse que não sabia quando retornaria porque estava em férias da escola”, conta a tia.
Rihanna lamenta morte
rihanna
A cantora Rihanna lamentou em seu perfil do Twitter a morte de Tiago Sobral Valença, pediu apoio a família e amigos dele e também justiça.

"R. I. P. Para um dos nossos soldados mortos brutalmente assassinado ontem no Brasil! Thiago de 14 anos de idade será eterno em nossos corações!", postou a cantora, que depois ainda escreveu: "Acabo de saber que a mãe e o irmão de Thyago também foram vítimas desse horrível assassinato, em uma reviravolta de acontecimentos! Querido Deus!"
Rihanna ainda colocou uma foto de Tiago em seu perfil e pediu apoio à família e amigos do fã. "Vamos mandar nosso apoio para a família e amigos nesses tempos difíceis, pessoal!"

O crime
Tiago, a mãe dele, Vanessa Almeida Sobral, de 32 anos e o irmão Osvaldo Pereira Júnior, 9 anos, foram assassinados a facadas no Conjunto Marcos Freire II na madrugada do sábado (1º). O suspeito pelo crime é o marido da dona de casa, padrasto das crianças, e está foragido. Ele também é suspeito de abusar sexualmente de uma sobrinha de 13 anos. O crime bárbaro chocou a comunidade da região.

“Depois de assassinar os três, ele ainda amarrou a sobrinha e disse que ia comprar cerveja para comemorar. Mas quando ele voltou a menina havia conseguido fugir pela porta dos fundos e levou o menino de 5 anos, antes ele forçou ela a usar drogas”, disse uma dia de Tiago.

Sepultamento
Os corpos de Vanessa Almeida Sobral e Osvaldo Pereira Júnior foram velados na igreja evangélica frequentada pela família, no Conjunto Novo Horizonte, em Nossa Senhora do Socorro. Tiago, de 15 anos, foi para a casa do pai, no Bairro Olaria em Aracaju, onde ele morava desde pequeno.
“Meu filho era estudioso e tinha tudo pela frente, e perdeu a vida muito cedo de forma trágica. A dor é muito grande e queremos justiça”, lamenta Eronilton Valença, pai de Tiago.

O caso está sendo está sendo investigado por policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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Fonte: G1


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Personalidades Negras – Luiza Bairros



Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Luiza Helena de Bairros, nasceu em 1953, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde cursou a graduação em Administração Pública e Administração de Empresas, na Universidade Federal gaúcha. Possui Mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia e doutorado em Sociologia pela Universidade de Michigan.
Sua trajetória contra a discriminação racial se inicia em 1979 após conhecer o Movimento Negro Unificado da Bahia. Logo iniciou sua militância no Grupo de Mulheres do MNU. Participou ativamente das principais iniciativas do movimento em todo Brasil, sendo eleita, em 1991, como primeira Coordenadora Nacional do MNU, onde permaneceu até 1994.
Seus artigos sobre racismo, sexismo, o negro no mercado de trabalho e enfrentamento ao racismo institucional, já foram publicados em livros de coletânea e periódicos das Nações Unidas no Brasil e em revistas como Afro-Ásia, Análise & Dados, Caderno CRH, Estudos Feministas, Humanidades, e Força de Trabalho e Emprego. Atuou também como consultora do Sistema Nações Unidas no Brasil no processo da III Conferência Mundial contra o Racismo e em projetos de interesse da população afrobrasileira.

Poesia africana



Fotógrafo: Ricardo Rangel

RUI NOGAR
(1932-1993)


Francisco Rui Moniz Barreto, nasceu em Maputo (ex- Lourenço Marques) em 1932. Militante da Frelimo foi o primeiro secretário-geral da Associação de Escritores Moçambicanos. Silêncio Escancarado foi o seu único livro. Faleceu em 1993.




                  NA ZONA DO INIMIGO

                   I
                   as instruções foram bem precisas
todos nós as compreendemos
camaradas

“permanecer no interior do país
cumprindo tarefas que vos daremos

guardar o santo e senha
que de Dar-es-Salaam vos irá
revelar a cada um
as fronteiras da humilhação
e depois a luta e a conquista
de novas zonas libertadas”

as instruções foram bem precisas
todos nós as compreendemos
camaradas

e aguardaremos ansiosamente
o mensageiro que já tardava


XICUEMBO

Eu bebeu suruma
dos teus ólho Ana Maria
eu bebeu suruma
e ficou mesmo maluco

agora eu quero dormir quer comer
mas não pode mais dormir
não pode mais comer

suruma dos teus olhos Ana Maria
matou sossego no meu coração
oh matou sossego no meu coração

eu bebeu suruma oh suruma suruma
dos teus ólho Ana Maria
com meu todo vontade
com meu todo coração

e agora Ana Maria minhamor
eu não pode mais viver
eu não pode mais saber

que meu Ana Maria minhamor
é mulher de todo gente
é mulher de todo gente
todo gente todo gente

menos meu minhamor.


TEXTOS EN ESPAÑOL
Traducción de XOSÉ LOIS GARCÍA


EN LA ZONA DEL ENEMIGO

I
las instrucciones fueron muy precisas
todos nosotros las comprendemos
camaradas

“permanecer en el interior de país
cumpliendo trabajos que os daremos

esperar el santo y seña
que desde Dar-es-Salaam
os revelará a cada uno
las fronteras de la humillación
y despues la lucha y la conquista
de nuevas zonas liberadas”

las instrucciones fueron muy precisas
todos nosotros las comprendemos
camaradas

y esperamos ansiosamente
al mensajero que ya tardaba



Poemas publicados originalmente en la revista HORA DE POESIA, n. 19-20, Barcelona, sin fecha. Ejemplar cedido para la Biblioteca Nacional de Brasilia por Aricy Cuvello, y la reproducción con la debida anuência del traductor.

Fonte:: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/mocambique/rui_nogar.htmlde 2008            Poesia moçambicana

'A Negra Felicidade' discute violência do séc. 19


A Negra Felicidade
A história de uma mulher alforriada que volta a ser escrava é o objeto do espetáculo carioca A Negra Felicidade. Dirigida por Moacir Chaves, a montagem reconstitui um episódio verídico do Rio de Janeiro do século 19: em 1870, uma ex-escrava pede um empréstimo para conseguir comprar a liberdade de sua filha. O agiota, contudo, decide cobrar a dívida assumindo a posse da moça.
À época, o caso foi levado ao tribunal. E é precisamente sobre esse processo judicial que a peça se detém. "Não se trata de uma dramatização dessa situação, mas de uma relação com a notícia bruta, com os documentos", comenta o diretor, que construiu a dramaturgia a partir dos autos do processo jurídico, de classificados de jornal daquele período e de um sermão do Padre Antônio Vieira.
"Além do imenso valor literário, esse é um sermão que trata especificamente da natureza ignóbil do homem, que explora a própria espécie", pontua Chaves.
A despeito do caráter histórico, o caso recuperado por A Negra Felicidade pode servir para ampliar o entendimento sobre questões atuais. Ao recorrem à justiça, mãe e filha acabaram condenadas a prestar serviços por dois anos ao homem que as ameaçava. "Vivemos falando sobre a violência das cidades como se tratasse de um novo fenômeno e não da base sobre a qual nossa sociedade foi calcada. A violência de hoje é desprezível se comparada à da escravidão", observa o encenador.
Além de A Negra Felicidade, a Companhia Alfândega 88, criada por Moacir Chaves em 2011, traz outro título de seu repertório a São Paulo. Labirinto leva à cena três textos do dramaturgo gaúcho Qorpo Santo: Hoje Sou Um, e Amanhã Outro; As Relações Naturais e A Separação de Dois Esposos.
Escrita no século 19 e desconhecida até a década de 1960, sua obra tratava de temas interditos como a sexualidade e a pedofilia. A Separação de Dois Esposos traz, inclusive, aquela que é considerada a primeira cena gay do teatro brasileiro. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: DGACB

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...