BIOGRAFIA
Biko foi assassinado
há 37 anos. A 12 de Setembro de 1977, Bantu Steve Biko morreu em consequência
de bárbaras torturas da polícia sul africana, do regime de apartheid. Biko era
um jovem ativista negro — morreu com 30 anos — lutador contra o apartheid, dirigente
estudantil e fundador do Movimento Consciência Negra.
Biko, que dizia que «a
arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido», foi um defensor
dos negros e da sua independência, face aos liberais brancos, na luta contra o
apartheid na África do Sul.
Nelson Mandela em 1997, no elogio a Steve Biko, afirmou: «Um dos grandes legados da luta que Biko travou — e pela qual morreu — foi a explosão do orgulho entre as vítimas do apartheid».
A morte de Biko foi
largamente denunciada no mundo, ampliando e elevando o combate ao regime do
apartheid na África do Sul.
Bantu Steve Biko
nasceu na cidade de King William em 18 de Dezembro de 1946. Estudou medicina na
Universidade de Natal e tornou-se um ativista estudantil. Em 1968, com outros
companheiros de luta fundou a SASO ( South African Students' Organisation —
Organização dos Estudantes Sul Africanos) rompendo com a NUSAS (National Union
of South African Students — União Nacional dos Estudantes Sul Africanos),
defendendo uma intervenção mais radical e criticando o predomínio e orientação
dos liberais brancos na NUSAS. Biko, que foi o primeiro presidente da SASO,
pretendia com esta organização desenvolver a participação dos negros, elevar o
seu orgulho e atuar independentemente dos brancos. Para a SASO escreveu
diversos documentos com o pseudônimo de Frank Talk.
Biko foi um dos
fundadores do Movimento Consciência Negra, defendendo que o principal na luta
contra o apartheid era a luta dos negros, a sua organização e mobilização,
combatendo a dependência dos negros em relação aos liberais brancos. Em 1972
fundou a Convenção do Povo Negro (Black People's Convention) e foi eleito seu
presidente honorário. Também em 72 foi expulso da Universidade e passou a
trabalhar em programas para a comunidade negra (Black Community Programs —
BCP), participando na construção de clínicas, creches e no apoio aos
trabalhadores negros. Em Março de 1973 foi «banido» e proibido de sair da
cidade de King William. «Banido» significava que não podia comunicar com mais
de uma pessoa de cada vez, desde que não fosse da sua família, e não podia
publicar nada, tal como os seus escritos anteriores não podiam ser divulgados
ou citados. Apesar disso, dirigiu uma secção do BCP na sua cidade, mas
posteriormente foi também proibido de ter quaisquer ligações com os programas
da comunidade negra.
Não obstante a
repressão de que era vítima, Biko criou em 1975 um fundo de apoio aos presos
políticos e às suas famílias. As organizações que criou e apoiou, nomeadamente
as organizações estudantis, tiveram um papel decisivo nos levantamentos do Soweto,
em 1976. Biko foi perseguido e preso por diversas vezes.
Em 18 de Agosto de 1977 foi preso juntamente com o seu companheiro Peter Cyril Jones, acusados de desobedecerem às leis do apartheid. Biko foi barbaramente agredido e torturado numa prisão em Port Elizabeth o que lhe provocou uma hemorragia cerebral. A 11 de Setembro foi transportado para a prisão central de Pretória, onde morreu a 12 de Setembro. O governo do apartheid primeiro afirmou que ele tinha morrido devido a uma greve de fome, posteriormente perante a gravidade visível das lesões na cabeça, afirmaram que se tentou suicidar, batendo com a cabeça.
A Comissão de Verdade
e Reconciliação criada após o fim do apartheid, não perdoou aos seus
assassinos. Mas, em Outubro de 2003, o Ministério Público da África do Sul
anunciou que os cinco polícias acusados do crime não seriam processados por
falta de provas, alegando que faltavam testemunhas que provassem a acusação e
considerando ainda que a possibilidade de acusação pelo crime de lesões corporais
já tinha caducado. A morte de Biko foi largamente noticiada internacionalmente
pelo grande prestígio que granjeara, o seu funeral foi acompanhado por milhares
de pessoas, estando inclusivamente presentes diversos embaixadores
estrangeiros.
O assassinato de Biko
tornou-se um símbolo da brutalidade do regime do apartheid. A sua vida, luta e
morte tornaram-se amplamente conhecidos pelo trabalho desenvolvido por Donald
Woods, um seu amigo jornalista branco, que fotografou o seu cadáver com os
ferimentos e um ano depois publicou um livro, «Biko», descrevendo a sua vida e
morte.
Em 1980, Peter Gabriel
editou um álbum que incluía a canção «Biko», que se tornou um hino mundial
contra o apartheid e que foi posteriormente cantada por outros artistas, como
por exemplo Joan Baez. Em 1987, Richard Attenborough realizou o filme Cry
Freedom (Grito de Liberdade) sobre a vida de Biko e no qual a música de Peter
Gabriel foi incluída na banda sonora, Em 1997, no vigésimo aniversário da sua
morte, Nelson Mandela fez o seu elogio e inaugurou uma estátua em sua memória.
Actualmente existe na África do Sul a Fundação Steve Biko (http://www.sbf.org.za/) que
é presidida pelo seu filho Nkosinati Biko.
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