sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Recluso há anos, Raduan Nassar ganha traduções para o inglês em aniversário

Não vai ter bolo nem vela. Quem ligar para Raduan Nassar nesta sexta (27), dia em que completa 80 anos, também não vai conseguir falar com ele, porque o telefone do escritor está desligado. No seu aniversário, Raduan vai fazer o mesmo que tem feito há mais de 30 anos: ficar em silêncio.

"Eu tenho muitos defeitos de personalidade, menos um, pelo menos eu acho: não sou cabotino", ri o escritor ao telefone, para justificar seu desejo de não dar entrevistas. "Costumo desligar o telefone nesse dia."

Raduan afirma se sentir "constrangido" com esse negócio de homenagem. Por isso, o autor de "Lavoura Arcaica" (1975) e "Um Copo de Cólera" (1978) tampouco apareceu no colóquio que a USP promoveu na segunda (23) e na terça (24) para celebrar a data –apesar da insistência dos organizadores.

Jorge Araújo/Folhapress
ORG XMIT: 431601_0.tif SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-03-1989: Literatura: o escritor Raduan Nassar, autor do livro "Lavoura Arcaica", posa para foto. (Foto: Jorge Araújo/Folhapress - Negativo: SP 01919-1989)
O escritor em foto de 1989


Não houvesse Raduan abandonado a literatura nos anos 1980 e virado fazendeiro –e em seguida doado sua fazenda à Universidade Federal de São Carlos–, ele teria motivos de sobra para comemorar: em 7 de janeiro de 2016, sua obra chega pela primeira vez ao público de língua inglesa.

É quando a Penguin do Reino Unido lança, ao mesmo tempo, as traduções de "Lavoura...", por Karen Sotelino, e "Um copo...", por Stefan Tobler –ambos pela prestigiosa coleção Penguin Contemporary Classics.

"Ele tentou boicotar de toda forma as edições. Reclamava da capa, do contrato...", ri Luiz Schwarcz, diretor do grupo Companhia das Letras. "Ainda dizia: 'Quando sair eu não vou estar mais nem aqui.' E eu respondia: 'Então por que você está se preocupando?"

Também em janeiro, sai a primeira tradução em espanhol de "Um Copo de Cólera", feita por Juan Pablo Villalobos para a mexicana Sexto Piso. Villalobos trabalha ainda numa nova tradução de "Lavoura" para o idioma, a sair em 2017. 
A última é de 1982.

As traduções são a novidade. Mas a notícia que os leitores queriam ouvir –que Raduan tem inéditos na gaveta–não pode ser confirmada.

"Eu alimentei essa fantasia por anos. Hoje acho que, se o Raduan escreveu, ele destruiu [os textos]", diz Schwarcz.

Ao leitor, o recado de Raduan é o mesmo do narrador do conto "O Ventre Seco" (1970): "Já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca de seu barulho, dou-lhe meu silêncio".

SEM ESTUDO CRÍTICO

Mesmo conhecido como um clássico contemporâneo do Brasil, Raduan Nassar chega aos 80 anos sem que nenhum dos grandes nomes da crítica literária brasileira –Antônio Cândido, Roberto Schwarz, Silviano Santiago, Davi Arrigucci Jr., entre outros – tenha escrito algo de fôlego sobre sua obra.

Alfredo Bosi, outro dos grandes, cita o autor de passagem em "História Concisa da Literatura Brasileira". O principal texto de referência sobre Raduan é "Da Cólera ao Silêncio", publicado por Leyla Perrone-Moisés na edição em homenagem ao escritor dos "Cadernos de Literatura Brasileira" (Instituto Moreira Salles).

"No meu caso foi um desencontro ocasional, eu estava metido em outras coisas. Ainda vou escrever", promete Davi Arrigucci Jr, amigo de Raduan. "Não foi falta de interesse. Muitas vezes cobrei dele livros novos. Mas hoje lhe dou razão [em ter se recolhido]."

Já Silviano Santiago diz que sempre escreveu a pedido. "Isso é uma coisa delicada na minha carreira, sempre tratei a crítica como encomenda e nunca me pediram uma análise sobre ele", diz o crítico.

"É uma obra de inegável qualidade. Mas tem essa coisa delicada. O recolhimento [do autor] meio cedo talvez seja embaraçoso para a crítica."

Na academia, a impressão de quem trabalha a obra nassariana é a mesma: os livros do escritor são pouco estudados. Ainda assim, o colóquio da USP no começo da semana aponta o surgimento de novos estudos críticos.

Moacyr Lopes Jr./Folhapress
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 17-05-2015: O escritor Raduan Nassar, autor de "Um Copo de Cólera", que será transformado em filme, durante entrevista em sua casa, no bairro de Perdizes, em São Paulo (SP). (Foto: Moacyr Lopes Jr./Folhapress. Negativo: SP 080875-1995)
Raduan Nassar em sua casa em São Paulo, em foto de 1985

Afinal, a obra de Raduan é breve, resumida em "Lavoura...", "Um Copo...", "Menina a Caminho e Outros Textos" –e o ensaio "A Corrente do Esforço Humano", publicado na Alemanha em 1987 e inédito em português.

De todo modo, nada disso parece interessar a Raduan Nassar –que continua alheio aos livros. Embora raro, às vezes até recebe leitores que batem à sua porta querendo conversar. A eles, o escritor repete o de sempre: não quer mais contato com a literatura.

"Entre os admiradores, todo mundo sabe o endereço dele", diz o advogado Daniel Granato, 27, que esteve por 15 minutos com Raduan, em junho. "Ele me disse que recebe muitos livros pelo correio, mas não lê nada."

As aparições, porém, seguem raras. As últimas de que se tem notícia foram ano passado: uma na Balada Literária, na qual era autor homenageado, e outra em um vídeo no Youtube de apoio à reeleição de Dilma Rousseff.

Mesmo recolhido da vida literária, Raduan é pai de outros escritores. O mais evidente é Milton Hatoum, que também tematiza não só imigração libanesa no Brasil, só que em Manaus, mas a família.

Raduan, aliás, leu os originais de "Relato de Um Certo oriente" e "Dois Irmãos", dois romances famosos de seu herdeiro manauara.

Hoje, nem o fato de ter reconhecimento tira Raduan do casulo. Seus dois romances foram adaptados para o cinema: "Um Copo..." em 1999, por Aluizio Abranches; e "Lavoura..." em 2001, por Luiz Fernanda Carvalho. Só continua o mistério de por que o autor não escreve mais.

"Todos os atos dele são de profundo amor à literatura. Até a raiva que ele sente vem dos momentos em que ele julga não ter sido correspondido nesse amor", diz Luiz Schwarcz. 
MAURÍCIO MEIRELES
Fonte: Folhauol

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Personalidades Negras – Dragão do Mar


Francisco José do Nascimento também conhecido como Dragão do Mar, nasceu em 15 de abril de 1839 em Fortaleza. Líder jangadeiro, Prático Mor e abolicionista, participou ativamente do Movimento Abolicionista Cearense, organização do estado pioneiro na abolição da escravidão. Entre suas principais ações, esteve o impedimento do comércio de escravizados nas praias do Ceará e a recusa ao transporte de navios negreiros que conduziam escravizados do Nordeste ao Sul do país.
Foi Major Ajudante de Ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Ceará. Símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, foi homenageado pelo Governo do Ceará que deu seu nome ao Centro Dragão-do-mar de Arte e Cultura. Segundo o mesmo Governo, Francisco José do Nascimento e seus colegas foram ousados nas decisões que tomaram em nome da liberdade.
Francisco José do Nascimento faleceu em 5 de março de 1914 em Fortaleza. Além do Centro Cultural, o Dragão do Mar foi também homenageado com uma Escola Pública Estadual, localizada no bairro do Mucuripe, em Fortaleza e com uma Escola de Ensino Médio, fundada em 1955, com a missão de alfabetizar os filhos de pescadores que moravam na região naquela época. Em 2013, a Petrobras, por meio de sua subsidiária Transpetro, lançou ao mar um novo navio petroleiro construído em Pernambuco, em homenagem a Chico.
Fonte: FCP

Fórum Nacional das Culturas Populares e Povos Tradicionais

O Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC) realiza, de 24 a 29 de novembro, em Serra Talhada (PE), seu último Fórum Nacional Setorial. No âmbito do CNPC, será realizada a eleição dos Colegiados Setoriais de Cultura Popular, Afro-brasileira, Patrimônio Imaterial e Artesanato. Cada Colegiado é composto por 15 titulares e 15 suplentes, devendo indicar um representante para compor o CNPC, para um mandato de dois anos.
O evento servirá para a definição dos integrantes dos Colegiados Setoriais, além disso, será realizada reunião do Colegiado Indígena, eleito em processo separado em agosto passado.
Participam da abertura do Fórum Nacional das Culturas Populares e Povos Tradicionais, a Fundação Cultural Palmares, o Iphan, a Fundação Casa de Rui Barbosa e as secretarias da Cidadania e da Diversidade Cultural (SCDC), de Políticas Culturais (SPC) e de Articulação Institucional (SAI).
De acordo com Sandro Santos, Coordenador-Geral de Gestão Estratégica da Fundação Cultural Palmares, o CNPC tem como finalidade propor a formulação de políticas públicas, com vistas a promover a articulação e o debate dos diferentes níveis de governo e a sociedade civil organizada, para o desenvolvimento e o fomento das atividades culturais no território nacional.
Fonte: FCP

Moçambique: ONU Mulheres apoia 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência

País atendeu 16 mil casos de vítimas de violência entre janeiro a setembro deste ano; campanha da ONU Mulheres com o governo moçambicano está orçada em  US$ 1,5 milhões.



16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra mulheres e raparigas. Foto: ONU Mulheres Moçambique

Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo. 
Sob lema "Basta de violência! Cultive a paz em casa, comunidade e sociedade", a ONU Mulheres e o governo moçambicano iniciam, neste 25 de novembro, em Tete, os 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra mulheres e raparigas.
O Ministério do Gênero, Criança e Ação Social está a cargo da campanha nacional que arranca oficialmente na província de Tete, no centro do país. Na região, 33% de mulheres sofreram algum tipo de violência.
Mobilização
Falando a jornalistas, a representante da ONU Mulheres, Florence Raes apelou ao esforço conjunto no combate à violência. A iniciativa visa reforçar a mobilização educativa sobre a erradicação de violência e garantia dos direitos das mulheres e raparigas.
"Se nós juntarmos esforços todos para combater, prevenir e dizer que na verdade não se tolera qualquer tipo de violência, não chegaremos lá. É um fenômeno global que para as Nações Unidas infelizmente trabalha-se em todos países, porque não é uma questão de país com crescimento maior ou menor, do Norte ou do Sul, infelizmente é fenómeno transversal que toca as estruturas sociais, as mentalidades e ao patriarcado".
Ativismo
Já o vice-ministro do Gênero, Criança e Ação Social, Lucas Mangrasse, considerou que o ativismo pelo fim da violência contra a mulher e rapariga deve ser contínuo.
"É necessário que este mal supere para que todos nós gozemos dos mesmos direitos. Estes 16 dias poderão não ser suficientes, mas eles terão um impacto importante já que eles envolvem vários debates com vários atores envolvidos, no combate, a este mal para que de fato os 16 Dias de Ativismo sejam úteis e possam produzir os efeitos que nós prevemos".
Num país onde foram reportados 16 mil casos de vítimas de violência entre janeiro a setembro deste ano, a falta de dados estatísticos é uma das preocupações da ONU Mulheres.
Florence Raes cita o tabu como um dos elementos que dificultam no registo de casos de abusos.
Atendimento
"Sem as denúncias não podemos juntos encaminhar as soluções. Então o primeiro elemento em termos de dados é que se estima globalmente que mesmo que possamos avançar dados, isso nem chega a metade das raparigas e mulheres que sofreriam algum tipo de violência, porque não se denuncia, porque tem um tabu… por mais que tenha gabinete de atendimento e serviços, mesmo insuficientes, a denúncia é muito importante".
Este ano, Moçambique registou uma redução de 2 mil casos de pessoas vítimas de violência. A informação foi data pelo vice-ministro do Gênero, Criança e Ação Social.
Campanha
"Neste ano, no período de janeiro a setembro foram atendidas cerca de 16 mil vitimas, contra os 18 mil casos do mesmo período em 2014. Isto pode parecer que há uma descida não significativa, mas também pode ser uma descida significativa tendo em conta os esforços que são realizados em diferentes setores da sociedade"
A campanha dos 16 Dias de Ativismo sobre a violência contra mulheres e raparigas foi instituída pelas Nações Unidas em 2001.
Com a iniciativa, orçada em  US$ 1,5 milhão,  pretende-se reforçar a mobilização educativa sobre a erradicação de violência e garantir os direitos humanos das mulheres e das raparigas.
Fonte: radioonu

Papa Francisco visita escritório da ONU em Nairobi

Pontífice deve plantar uma árvore ao lado do subsecretário-geral para o Meio Ambiente; também está agendado um encontro com refugiados a viver no Quênia.


Papa esteve na sede da ONU em Nova Iorque em setembro. Foto: ONU/Kim Haughton


Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 
O papa Francisco está em África e visita nesta quinta-feira o Escritório das Nações Unidas na capital do Quênia, Nairobi. O pontífice está a fazer sua primeira viagem oficial ao continente e além do Quênia, passará por Uganda e República Centro-Africana.
Ao chegar ao escritório da ONU em Nairobi, o papa terá um encontro com a diretora-geral Sahle-Work Zewde, com funcionários da organização e diplomatas. A cidade também é sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.
Refugiados
O diretor da agência e subsecretário-geral da ONU para o Meio Ambiente irá mostrar ao papa o "prédio verde" das Nações Unidas e os dois devem conversar sobre os desafios impostos pela mudança climática.
Ao lado de Achim Steiner, o papa Francisco plantará uma árvore, antes de se encontrar com refugiados que estão a viver no Quénia, após fugirem de confrontos em países vizinhos.
Discursos
Será também revelado um quadro, uma prenda do pontífice para o prédio das Nações Unidas no Quénia. Agências de notícias acreditam que a paz entre cristãos e muçulmanos será um dos temas dos discursos do papa durante o périplo por África.
Em setembro, o papa Francisco foi recebido pela primeira vez na sede da ONU em Nova Iorque, pelo secretário-geral Ban Ki-moon. Na ocasião, o líder da Igreja Católica fez um discurso histórico na Assembleia Geral, de quase 50 minutos, onde falou sobre conflitos da atualidade e proteção ao meio ambiente.
Fonte: radioonu

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tudo o que Mario Vargas Llosa sabe sobre 'Madame Bovary'

Talvez o maior problema de Emma Bovary, assim como o de Dom Quixote –personagem no qual ela foi textualmente inspirada– tenha sido ler demais. Foi o excesso de leitura que a teria "aliciado" para uma vida de fantasia e adultério, razão pela qual Gustave Flaubert foi processado em sua época e pela qual também pronunciou a frase famosa: "Madame Bovary c'est moi!".

Pode-se dizer a mesma coisa sobre Mario Vargas Llosa, só que na ordem trocada: nesse caso é o leitor que, de tanto ler "Madame Bovary", parece conhecê-la e a sua história mais do que a si mesmo.

"A Orgia Perpétua" é, antes de tudo, uma demonstração assombrosa do domínio de Llosa sobre o romance mais importante de Flaubert, seus bastidores, a intimidade de sua construção e a enorme correspondência que ele alimentou. O livro, dividido em três partes e escrito em 1974, relata, em primeiro lugar, uma relação subjetiva do autor com a personagem de Emma e com Flaubert; uma interpretação mais objetiva da construção narrativa e, por último, uma descrição histórica do contexto em que o romacista francês escreveu.

Anne-Christine Poujoulat/AFP
Literatura: o escritor peruano Mario Vargas Llosa, durante entrevista coletiva após o festival literário La Fete du Livre, em Aix-en-Provence (França). *** Peruvian writer and Nobel Prize 2010 in Literature, Mario Vargas Llosa poses on October 17, 2014 in Aix-en-Provence, southern France after a press conference during the literary festival La Fete du Livre. AFP PHOTO / ANNE-CHRISTINE POUJOULAT
O escritor peruano Mario Vargas Llosa em outubro de 2014

A primeira parte, em que Llosa se entrega aberta e integralmente ao "autor que ele gostaria de ser", é também uma profissão de fé bastante polêmica: "Um romance é mais sedutor para mim na medida em que nele aparecem, combinados com perícia numa história compacta, a rebeldia, a violência, o melodrama e o sexo."
Em seguida, o capítulo mostra como, em "Madame Bovary", cada um desses tópicos é explorado à perfeição, de tal modo que todos se entrecruzem, formando o que seria um dos romances mais bem acabados da literatura.

À parte discordâncias sobre o pensamento estético de Llosa, é inegável a intensidade da análise e o grau de conhecimento que ele tem sobre "Madame Bovary", romance que representa muito mais do que a si mesmo. Sem dúvida, trata-se de uma revolução –tanto para o discurso romântico, como para o realista e até para o modernismo que viria. É notável como Llosa mergulha nos detalhes da trama, mostrando a gênese de uma sensualidade fundada na insinuação sutil; a capacidade de fazer os objetos cênicos "falarem"; o surgimento do que viria a ser o feminismo; a força das dualidades sociais, espaciais e morais que predominam no romance.

A Orgia Perpétua
Mario Vargas Llosa
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Ao mesmo tempo, a leitura da correspondência que Flaubert manteve com sua amante, Louise, e com amigos e parentes, permite que Llosa estabeleça a história da longa construção do romance, que é também a história da criação do romance moderno, essa história de um personagem perplexo diante de um mundo em que não consegue viver.

A ORGIA PERPÉTUA
AUTOR Mario Vargas Llosa
TRADUTOR José Rubens Siqueira
EDITORA Alfaguara
QUANTO R$ 49,90 (280 págs.)


NOEMI JAFFE
Fonte: Folhauol

Mia Couto reúne Milton Hatoum e Maria Fernanda Cândido para lançar livro

"Há, em Nkokolani, um provérbio que diz o seguinte: se quiseres conhecer um lugar fala com os ausentes; se quiseres conhecer uma pessoa escuta-lhes os sonhos. Pois esse era o único sonho de nossa mãe: voltar ao lugar onde fôramos felizes e onde vivêramos em paz. Aquela saudade era infinita. Haverá, a propósito, saudade que não seja infinita?"

Extraída de "Mulheres de Cinzas", novo livro de Mia Couto, a passagem acima foi uma das escolhidas para ser apresentada durante o lançamento da obra nesta quarta (25), no Sesc Pompeia, às 20h —na presença do autor.

No evento gratuito, feito em parceria com a Companhia das Letras, o moçambicano convidou o brasileiro Milton Hatoum, também escritor, e os atores Rafael Garcia, Maria Fernanda Cândido e Mariana Lima para interpretarem trechos da nova produção.

O encontro, realizado no teatro da unidade, é seguido de uma sessão de autógrafos. Para participar, é preciso retirar ingressos na bilheteria, que serão distribuídos duas horas antes. Há um limite de um par de ingressos por pessoa.

SAO PAULO, SP, BRASIL, 24/08/2013 - Coluna Monica Bergamo: palestra do escritor mocambicano Mia Couto para o Fronteiras do Pensamento, no teatro Geo. Na foto, Mia Couto. Foto: Greg Salibian/Folhapress - ILUSTRADA
O escritor moçambicano Mia Couto no teatro Geo, durante palestra para o Fronteiras
 do Pensamento

Primeiro livro da trilogia "As Areias do Imperador", "Mulheres de Cinzas" é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane, o último grande líder do Estado de Gaza.

No final do século 19, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para participar da batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Lá, ele encontra Imani, uma garota de quinze anos que lhe servirá de intérprete.

Enquanto um dos irmãos da menina lutava pela coroa de Portugal, o outro se uniu aos guerreiros tribais. Apesar de pertencerem a mundos diferentes, Germano e Imani constroem uma relação cada vez mais forte. Contudo, Imani irá descobrir que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.

SERVIÇO:
Quando: quarta (25), às 20h
Onde: Sesc Pompeia : (Teatro) - r. Clélia, 93, Água Branca
Quanto: Grátis (distribuição de ingressos 2 horas antes da atividade, na bilheteria. Limite de um par de ingressos por pessoa)

Fonte: Folhauol

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...