sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Pela primeira vez, maioria dos jovens negros está no ensino médio

Pela primeira vez, a maioria dos jovens negros conseguiu chegar ao ensino médio. Mas ainda em proporção menor do que os brancos -e os dois grupos enfrentam problemas de aprendizagem.

Os dados foram tabulados pelo Instituto Unibanco a partir de bases do IBGE e do Ministério da Educação.

O levantamento considera negros todos os que declaram preta ou parda a cor de sua pele. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), no ano passado 51% da população de 15 a 17 anos nesse grupo estava no ensino médio. Dez anos antes, esse índice era de 34%.

O fator que mais explica esse avanço, segundo o instituto, é a redução da reprovação e da evasão dos negros no ensino fundamental.

Em 2001, 53% dos jovens entre 15 e 17 anos ainda estavam na educação fundamental. Agora, são 32%.

"Aumentou a conscientização sobre os prejuízos que a reprovação causa", diz o superintendente executivo do instituto, Ricardo Henriques.

O aluno reprovado tende a ter notas menores na trajetória escolar e mais chances de desistir dos estudos.

Para Henriques, mesmo sem políticas específicas para alunos negros, eles foram mais beneficiados porque estavam mais defasados.

Já para o ministro Aloizio Mercadante (Educação), as matrículas de negros no ensino médio aumentaram devido ao Fundeb (fundo nacional de financiamento da educação), que abrangeu a etapa em 2006, e à inclusão do ensino médio em programas de alimentação escolar e transporte. "Ao apoiarmos o ensino médio, apoiamos quem estava mais excluído."
Diretor da ONG Educafro (que defende maior inclusão dos negros), frei David Santos diz que as cotas em universidades incentivam a entrada e permanência dos negros no ensino médio.

Apesar do avanço, a população negra ainda está em desvantagem na educação. O índice de 51% de jovens no ensino médio já havia sido alcançado pelos brancos em 2001 (atualmente, 65% estão nessa etapa de ensino).

POPULAÇÃO
A população que se classifica como preta ou parda cresce mais do que a branca, segundo a Pnad. Como o levantamento considera a autodeclaração, não é possível identificar com precisão o que é fruto da fecundidade ou de mudança de declaração.

Ainda assim, o aumento da presença dos jovens negros no ensino médio é superior ao crescimento da população preta e parda (56% ante 13% em dez anos).

NOTAS
Uma constatação negativa que os dados oficiais revelam é que tanto brancos quanto negros estão piores hoje do que em 1995 em língua portuguesa e matemática no ensino médio.

O levantamento do Instituto Unibanco aponta que a média em português caiu de 292 para 269 entre os brancos na avaliação nacional; entre os negros, de 278 para 254.

O dado mais recente é de 2013. Especialistas apontam que 300 é a nota mínima considerada ideal.

"Não estamos entregando o que precisamos no ensino médio", afirma o vice-presidente do Consed (conselho dos secretários estaduais de Educação) Rossieli Soares da Silva. Os Estados são os responsáveis por essa etapa.

Silva diz que a entidade finaliza proposta para melhoria do ensino médio, que prevê mais autonomia à escola.

A ideia é que em parte do currículo o colégio possa, por exemplo, oferecer ao aluno ensino técnico, ligado à economia local; ou ênfase em uma área do ensino. "O aluno tem de se identificar com a escola", diz o secretário.

"As médias não são o que desejamos. Mas, por outro lado, os negros têm tido mais acesso ao ensino superior, com as cotas, Prouni e Fies", diz Mercadante.

DILMA
A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta quinta-feira (19) que o país ainda deve avançar na igualdade de oportunidades entre brancos e negros e defendeu a ampliação do atual sistema de cotas nas universidades federais e no setor público.
Em discurso em comemoração ao Dia da Consciência Negra, a petista afirmou que a pobreza no país sempre teve como cor predominante a negra e que a garantia de direitos iguais para as diferentes etnias será uma diretriz de seu segundo mandato.

No evento, promovido no Palácio do Planalto, a presidente entregou títulos de posse e concessão de territórios a comunidades quilombolas em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Pernambuco.
Fonte: Folhauol
FÁBIO TAKAHASHI

Dia da Consciência Negra: shows, exposições e filmes para celebrar a data - São Paulo

 Divulgação
Divulgação

Entre os séculos 19 e 20, a região da Barra Funda era ponto de parada de uma linha ferroviária. Depois do expediente, os trabalhadores responsáveis por carregar e descarregar os trens —a maioria deles negros— se juntavam para batucar. Nascia assim, no Largo da Banana, o samba paulista.

O bairro do Bexiga, por sua vez, abrigou um dos maiores cortiços da cidade, o Navio Negreiro, e o quilombo urbano do Saracura.

Na Liberdade, famosa por ser reduto da comunidade japonesa na cidade, os escravos eram açoitados em um pelourinho.

As paisagens foram modificadas. E poucos são os sinais de que essas histórias aconteceram nesses lugares. No Dia da Consciência Negra (20), o "Guia" selecionou dez locais onde é possível conhecer e entender melhor o passado. São exemplos o terreiro Axé Ilê Obá, a Casa Mestre Ananias e o Samba da Vela, nos quais a cultura negra e afro-brasileira se manifesta por meio da religião, da arte, da dança e da música.

Segundo Marcos Virgílio da Silva, arquiteto e urbanista, intervenções do poder público consideradas melhorias urbanas obrigaram a população a se deslocar para outros lugares. "O descaso contribuiu para que se apagassem memórias não tão valorizadas. O resultado é que não sabemos quais lugares representam a cultura negra. A impressão é que São Paulo sempre foi povoada por europeus, e não é bem assim", completa.

Abaixo você encontra mais de 30 atrações para comemorar o feriado. Entre elas, há show de Tássia Reis, exposição sobre Zumbi dos Palmares e mostra com filmes afrofuturistas, caso de "Space Is The Place". Crianças podem participar de oficinas de samba, capoeira e até de escrita criativa -esta inspirada na obra de Carolina Maria de Jesus (1914-1977).

SHOWS
Aláfia com Tony Tornado
A banda, cujo nome significa "Caminhos Abertos", em iorubá, mescla rap, música de terreiro, MPB e funk.
Ellen Oléria
Entoa canções autorais e clássicos que vão do samba ao maracatu e afoxé.
Homenagem ao Jair Rodrigues
Luciana Mello e Jairzinho interpretam canções de seus repertórios e sucessos do pai.
Centro Cultural do Jabaquara - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, tel. 5011-2421. Aláfia, sex.: 21h. 90 min. Ellen Oléria, sex.:19h. 90 min. Homenagem a Jair Rodrigues, sáb.: 18h. 60 min. Livre. GRÁTIS
Baye Fall Afric
A banda toca instrumentos tradicionais africanos.
Regina Ribeiro & Banda
O show une aspectos culturais africanos e da música mundial.
Sesc Itaquera - av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1.000, Parque do Carmo, tel. 2523-9200. 800 pessoas. Baye Fall Afric, sex.:15h. 120 min. Regina Ribeiro, dom.: 15h. 90 min. Livre. Estac. (R$ 10 e R$ 20). GRÁTIS
Os Opalas
A banda tem influências do samba, soul, reggae, rap e rock e a proposta de difusão da música brasileira.
Sesc Santo Amaro - pça. de eventos - r. Amador Bueno, 505, Santo Amaro, região sul, tel. 5541-4000. 300 lugares. Sex.: 17h. 90 min. Livre. Estac. (R$ 4,50 e R$ 10 a 1ª h). GRÁTIS
Salloma Salomãoe Banda Al-Andaluz
O espetáculo "Notas Tortas da Madrugada" revisita o repertório de mais de 300 canções de Salomão, compostas desde 1976.
Chico César
O cantor e compositor apresenta no show seu novo disco, "Estado de Poesia", após oito anos sem lançar músicas (veja mais na pág. 51).
Tássia Reis
Revelação do hip-hop, mescla R&B, jazz e MPB. Ela deu início à carreira solo em 2013.
Sesc Campo Limpo - r. Nsa. Sra. do Bom Conselho, 120, Chácara Nossa Senhora do Bom Conselho, tel. 5510-2700. Salloma Salomão, sex.: 20h. 80 min. Chico César, sáb.: 20h30. 80 min. Tassia Reis, dom.: 18h30. 80 min. Livre. GRÁTIS
Shows no centro
No festival, destaque para o shows de Izzy Gordon e Jorge Aragão com Arlindo Cruz e Alcione.
Vale do Anhangabaú, s/nº, s/tel. Embaixada do Samba Convida Velha Guarda, sex.: 12h às 12h50. Show Izzy Gordon, sex.: 13h20 às 14h05. Show Banda Black Rio, sex.: 14h30 às 15h20. Show Chico César, sex.: 16h às 16h40. Show Nereu Mocotó e Tereza Gama, sex.: 17h20 às 18h. Show Sampagode Convida Leci Brandão, sex.: 18h30 às 19h20. Show Jorge Aragão Convida Arlindo Cruz e Alcione, sex.: 20h às 21h40. Show Escola de Samba Vai Vai, sex.: 22h às 22h40. Encerramento, sex.: 22h40 às 22h45. Seminário: Novas Mídias e a Questão Racial, ter.: 19h às 21h. Livre. GRÁTIS
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DANÇA E TEATRO
A Viagem dos Eborás
O Makala retrata, com música e dança, como as divindades partiram do reino Orun e iniciaram a vida na terra.
Fábrica de Cultura Cidade Tiradentes - av. Henriqueta Noguez Brieba, 281, Conjunto Habitacional Fazenda do Carmo, região leste, tel. 2556-3624. Sex.: 10h30. GRÁTIS
Fábrica de Cultura Itaim Paulista - r. Estudantes da China, 572, Itaim Paulista, região leste, tel. 2025-1991. Sáb.: 15h30. GRÁTIS
A Cruz que Me Carrega
Do Núcleo Pé de Zamba, o espetáculo de dança aborda o catolicismo popular afro-mineiro.
Sesc Santo Amaro - pça. de eventos - r. Amador Bueno, 505, Santo Amaro, tel. 5541-4000. 300 lugares. Dom.: 17h. 60 min. Livre. Estac. (R$ 4,50 e R$ 10 a 1ª h). GRÁTIS
Diálogos Ancestrais
A apresentação de dança da Trupe Benkady é uma viagem pela ancestralidade.
Centro Cultural do Jabaquara - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, região sul, tel. 5011-2421. Ter.: 14h30. 60 min. Livre. GRÁTIS
Galanga, Chico Rei
Com direção de João das Neves, o espetáculo musical apresenta a lendária história de Chico, rei no Congo que foi trazido como escravo para o Brasil.
Caixa Cultural São Paulo - pça. da Sé, 111, Sé, tel. 3321-4400. Qui. a dom.: 19h15. 90 min. Livre. Até 22/11. GRÁTIS
Terreiro Urbano
Do grupo Treme Terra, representa o xirê -festa de saudação aos orixás.
Centro Cultural do Jabaquara - auditório - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, tel. 5011-2421. 300 pessoas. Dom.: 18h. 60 min. Livre. GRÁTIS
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EXPOSIÇÕES
AquiÁfrica
Treze artistas africanos mostram seus olhares sobre o continente por meio de fotografia, vídeo e instalação, e problematizam questões como a xenofobia.
Sesc Belenzinho - r. Pe. Adelino, 1.000, Quarta Parada, tel. 2076-9700. Ter. a sex.: 13h às 21h. Sáb. e dom.: 11h às 19h. Até 28/2/2016. Livre. Estac. (R$ 4,50 e R$ 10 a 1ª h). GRÁTIS
Arte, Adorno, Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão
Itens de trabalho do campo e da cidade dos séculos 18 e 19 mostram a contribuição do negro para a ciência.
Deoscoredes Maximiliano dos Santos - O Universo de um Alapini Asipá
Exibe obras do Mestre Didi, artista plástico voltado para a cultura e vida afro-brasileira.
Um Tributo ao Historiador Joel Rufino dos Santos
Na abertura da mostra, haverá leitura dramática do texto do autor, "A Botija de Ouro".
Museu Afro Brasil - Pq. Ibirapuera - av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, parque Ibirapuera, tel. 3320-8900. Ter. a dom.: 10h às 17h (c/ permanência até as 18h). 'Arte....' e 'Deoscoredes....', abertura: 21/11, 12h. 'Um Tributo...', abertura: 20/11, 12h30. Até 3/1/2016. Livre. Ingr.: R$ 6 (sáb. e dia 20: grátis). Estac. (sistema Zona Azul - no portão 3). Visita monitorada p/ 3320-8921 ou agendamento@museuafrobrasil.org.br.
Corpa Negra
Aquarelas, retratos e poesias de artistas negras da periferia compõem a mostra. O título homenageia Maria Tereza Moreira de Jesus (1974-2010).
Sesc Itaquera - av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1.000, Parque do Carmo, tel. 2523-9200. 200 pessoas. Qua. a dom.: 9h às 17h. Até 31/1/2016. Livre. Estac. (R$ 10 e R$ 20).GRÁTIS
Zumbi A Guerra do Povo Negro
Fotos de Tiago Santana e ilustrações de Fernando Vilela traçam a história de Zumbi, último líder do Quilombo dos Palmares.
Sesc Vila Mariana - Rua Pelotas, 141, Vila Mariana, tel. 5080-3000. Abertura: sex.: 11h. Ter. a sex.: 10h às 21h30. Sáb.: 10h às 20h30. Dom. e feriados: 10h às 18h30. Até 31/1/2016. Estac. (R$ 4,50 e R$ 10 a 1ª h). GRÁTIS
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CINEMA
Afrofuturismo: Cinema e Música em uma Diáspora Intergaláctica
O afrofuturismo diz respeito à manifestação na qual questões afro-americanas ganham elementos de ficção. Entre os longas internacionais da mostra, destaque para "Space Is the Place", escrito e protagonizado pelo jazzista Sun Ra. Na lista dos brasileiros está "Branco Sai, Preto Fica", que mescla documentário e fantasia. Todo os filmes serão exibidos no Caixa Belas Artes.
Rio 40 Graus
De Nelson Pereira dos Santos, mostra a realidade de cinco garotos da favela vendendo amendoim no Rio de Janeiro.
Iyalode - Damas da Sociedade
Por meio da história de quatro mães de Santo de candomblé que moram em São Paulo, desenha-se um panorama da tradição afro-brasileira na cidade.
Centro Cultural do Jabaquara - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, tel. 5011-2421. 300 pessoas. Rio 40 Graus, dom.: 16h. 100 min. Classificação indicativa não informada. Iyalodê: Damas da Sociedade, sex.: 11h30. 52 min. Livre. GRÁTIS
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CRIANÇA
Brincando de Brasil com a Casa Mestre Ananias
Na oficina Brincar de Descobrir Capoeira, participantes aprendem preceitos básicos da dança. Já a atividade Brincar de Descobrir o Samba de Roda é, antes de tudo, uma oficina de dança com brincadeiras.
Sesc Consolação - r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, tel. 3234-3000. 200 vagas. Brincar de Descobrir Capoeira, sex.: 14h. Brincar de Descobrir Samba de Roda, sex.: 16h. Livre. GRÁTIS
Kiriku e a Feiticeira
A animação é inspirada em uma lenda africana. Nela, um garoto enfrenta a feiticeira Karabá, que secou a fonte d'água e roubou o ouro da aldeia.
Centro Cultural do Jabaquara - auditório - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, região sul, tel. 5011-2421. 300 pessoas. Qui.: 14h. 70 min. Livre. GRÁTIS
Oficina de Estamparia Africana
Com recortes, dobraduras e colagens, cada participante cria a sua própria estampa.
Oficina de Xequerê
Crianças confeccionam o instrumento musical vindo da África, que é feito de cabaça.
Museu do Futebol - Estádio do Pacaembu - pça. Charles Miller, s/nº, Pacaembu, tel. 3664-3848. Oficina de Estamparia Africana, dom.: 11h. 90 min. Livre. Ingr.: R$ 6. Oficina de Xerequê, sáb.: 11h às 12h30. Livre. Estac. (sistema Zona Azul). GRÁTIS
Oficina: Escrita Criativa a partir de Carolina Maria de Jesus
Inspiradas pelo conjunto da obra de Carolina Maria de Jesus (1914-1977), autora de "Quarto de Despejo", crianças irão elaborar textos -sozinhas ou em grupos. A atividade está relacionada à mostra "Carolina em Nós", em cartaz na lateral do Museu Afro Brasil.
Caixa Cultural São Paulo - pça. da Sé, 111, Sé, tel. 3321-4400. 30 pessoas. Oficineiras: Grupo Ilú Obá de Min, qui.: 9h30. Até 27/11. 90 min. 10 anos. Inscrição p/ tel. GRÁTIS
Os Coloridos
A Cia. os Crespos apresenta neste fim de semana a história de duas araras, uma vermelha e outra amarela, em uma disputa para saber quem é melhor. É quando chega a arara azul, para mostrar a beleza da diversidade.
Sesc Campo Limpo - área externa - r. Nsa. Sra. do Bom Conselho, 120, Chácara Nossa Senhora do Bom Conselho, tel. 5510-2700. Sex. a dom.: 17h. GRÁTIS
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PASSEIOS
Cortejo do Grupo Ilú Obá de Min
O coletivo de tambores é composto só de mulheres.
Em frente ao Centro Cultural do Jabaquara - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, s/tel. Sex.: 16h30. 90 min. Livre. GRÁTIS
Encontro de Histórias e Canções Afro-Brasileiras e Afro-Cubanas
Contos, mitos e poesias são interpretados ao som de berimbaus.
Sesc Santo Amaro - pça. de eventos - r. Amador Bueno, 505, Santo Amaro, tel. 5541-4000. 300 lugares. Sáb.: 17h. 60 min. Livre. GRÁTIS
Mesa de debate: Intolerância Religiosa
Com Pedro Neto, diretor do filme "Iyalode - Damas da Sociedade" e Mãe Paula de Yansã, do Axé Ilê Obá (veja na pág. 10).
Centro Cultural do Jabaquara - auditório - r. Arsênio Tavolieri, 45, Vila Parque Jabaquara, tel. 5011-2421. 300 pessoas. Sex.: 15h. 90 min. Livre. GRÁTIS
Oficina de Turbante
A marca Boutique de Krioula ensina a amarração de turbantes e busca valorizar as origens afro.
Sesc Campo Limpo - r. Nsa. Sra. do Bom Conselho, 120, Chácara Nossa Senhora do Bom Conselho, tel. 5510-2700. Sex. a dom.: 15h às 19h. Livre. GRÁTIS

Fonte: Folhauol

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O violino do macaco

A fome e a necessidade de satisfazê-la forçou o macaco a abandonar a sua terra e procurar outro lugar entre estranhos para o tão necessário trabalho. Bulbos, feijões da terra, escorpiões, insetos, e estavam completamente extintas em sua própria terra. Mas, felizmente, ele recebeu, por enquanto, abrigo com um tio-avô dele, Orangotango, que morava em outra parte do país.
Quando ele tinha trabalhado durante certo tempo ele quis voltar para casa e, como recompensa seu tio deu-lhe um violino e um arco e flecha e lhe disse que com o arco e flecha, ele poderia acertar e matar qualquer coisa que ele desejasse, e com o violino ele poderia obrigar qualquer coisa a dançar.
O primeiro que ele encontrou em seu retorno para a sua terra foi o irmão lobo.  Este velho companheiro disse-lhe todas as novidades e também que ele estava desde cedo tentado perseguir um cervo, mas tudo em vão.
Então o macaco disse para ele todas as maravilhas do arco e flecha que ele carregava nas costas e lhe garantiu que se avistasse o cervo, ele iria acertá-lo para ele. Quando o lobo mostrou-lhe o veado, macaco estava pronto e derrubou o cervo.
Macaco
O macaco que era sabido que só pegou o violiona, enfeitiçou todo mundo e obrigo o leão a retirar a sentença













Eles fizeram uma boa refeição juntos, mas em vez do lobo ser grato, o ciúme se apoderou dele e ele pediu  o arco e flecha. Quando o macaco recusou-se a lhe dar, ele usou sua força para ameaçá-lo, e assim, quando passaram pelo jacal o lobo disse que o macaco tinha roubado o seu arco e flecha. O chacal tendo ouvido falar do arco e flecha, declarou-se incompetente para resolver o caso sozinho, e ele propôs que eles levassem a questão para o Tribunal do Leão, Tigre, e os outros animais. Nesse meio tempo, ele declarou que iria ficar tomando conta do que tinha sido a causa de sua discussão, de modo que seria mais seguro. Mas o chacal imediatamente tirou da tudo o que era comestível,  e isso gerou um longo período de matança, antes que o macaco e o lobo concordassem em levar o caso para o tribunal.
As evidências do macaco eram frágeis, e para piorar, o testemunho de chacal foi contra ele.  Ele pensou que desta forma seria mais fácil obter o arco e flecha para si mesmo.
E assim a sentença foi contra macaco. O roubo foi encarado como um grande crime: ele seria enforcado.
O violino ainda estava ao seu lado, e ele recebeu como um último desejo do tribunal o direito de tocar uma música.
Ele era um mestre dos truques de sua época, e além disso, tinha o maravilhoso poder de sua rabeca encantada. Assim, quando ele emitiu a primeira nota do “Canto do Galo” no violino, o tribunal começou logo a mostrar uma vivacidade incomum e espontânea, e antes de terminar a primeira estrofe da valsa da velha canção toda a corte estava dançando como um redemoinho.
Mais e mais, mais rápido e mais rápido, tocou a melodia do “Canto do Galo” no violino encantado, até que alguns dos bailarinos, exaustos, caíram, embora ainda mantendo seus pés em movimento. Mas o macaco, músico que era, ouviue não viu nada do que tinha acontecido à sua volta. Com a cabeça colocada carinhosamente contra o instrumento, e seus olhos meio fechados, ele tocou, mantendo a cadência com o seu pé.
O lobo foi o primeiro a gritar em tom suplicante, sem fôlego, “Por favor, pare, primo macaco! Pelo amor de Deus, por favor, pare!”
Mas o macaco nem conseguiu  ouvi-lo. Mais e mais a valsa “Canto do Galo” parecia irresistível.
Depois de um tempo o leão mostrou sinais de fadiga e, quando ele rodava mais uma vez com a leoa, ele rosnou quando passou pelo macaco, “Todo o meu reino é vosso, macaco, se você parar com essa música!”
“Eu não quero isso”, respondeu o macaco “, mas retire a sentença e devolva o arco e flecha, e você, lobo, reconheça que o roubou de mim!”
“Eu reconheço, reconheço!” gritou o lobo, e o leão no mesmo instante, chorou anulando a punição.
O macaco ainda deixou-os girando mais uma vez ao som da valsa, e depois recolheu seu arco e flecha, e sentou-se no alto da árvore de espinhos mais próxima.
A corte e outros animais estavam com tanto medo que ele pudesse começar de novo que apressadamente correram para outras partes do mundo.
Fonte: casadechá

Mulheres ocupam Brasília na primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras

Evento reuniu mais de 50 mil pessoas

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Para a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, a Marcha é motivo de orgulho para todos os brasileiros.
“Quero parabenizar a comissão que organizou a Marcha e dizer que nós estamos juntas. Essa luta é nossa, é do Brasil. Tenho muito orgulho de ser uma mulher negra e muito orgulho de estar à frente deste Ministério, que vai pensar e articular cada vez mais políticas que garantam os direitos das mulheres negras.”
Para a gestora, o evento demonstra a capacidade de articulação das mulheres negras no Brasil. A articulação, segundo a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) é uma forma de lutar contra a crescente violência contra as mulheres, em especial as pobres e negras.
A preocupação com os índices de violência é compartilhada por Nilma Lino Gomes.
“Dados do Mapa da Violência 2015 revelam que a violência que assola as mulheres brasileiras tem mais incidência sobre as mulheres negras. Isso é algo que o movimento de mulheres negras vem denunciando há muito tempo no nosso país e que coloca para nós, governo federal, a responsabilidade de uma escuta atenta a essa realidade. Nos coloca também a responsabilidade de cada vez mais aperfeiçoarmos as nossas políticas, tanto as políticas de promoção da igualdade racial, quanto as políticas para as mulheres e de direitos humanos, levando em consideração o recorte de gênero e raça, e levando em consideração a realidade específica dessas mulheres negras.”
Dados do Censo de 2010 indicam que as mulheres negras são 25,5% da população brasileira (48,6 milhões de pessoas) e são as maiores vítimas de crimes violentos. Segundo o Mapa da Violência 2015, os assassinatos de mulheres negras cresceram 54,2% no período de 2003 a 2013, ao passo em que os assassinatos de mulheres brancas caíram 9,8% no período.
A mensagem da ministra Nilma Lino Gomes as participantes é pela continuidade da luta por mais direitos.
“Sabemos da luta que foi para cada uma estar aqui neste momento. A luta nos estados, nos municípios e a luta cotidiana. Hoje, nós, mulheres negras brasileiras, mostramos para o Brasil e para o mundo a nossa força, a nossa garra, a nossa persistência e mostramos que nós temos lugar nessa sociedade. E o lugar da mulher negra é o lugar em que ela quiser estar.”
Além da ministra Nilma, a marcha contou com a presença da secretária especial de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Eleonora Menicucci, da diretora da ONU Mulheres e ex-vice presidente da África do Sul, Phumzile Mlambo, e da consulesa da França em São Paulo, Alexandra Loras, além de parlamentares, lideranças sindicais e universitárias.
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Fonte: Seppir/PR

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nações Unidas apoiam Marcha das Mulheres Negras no Brasil

Diretora da ONU Mulheres faz primeira visita oficial ao país; durante dois dias, Phumzile Mlambo-Ngcuka participa de eventos contra o racismo e contra a violência de gênero.




Phumzile Mlambo-Ngcuka está no Brasil. Foto: ONU/Devra Berkowitz


Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.* 
A diretora-executiva da ONU Mulheres faz sua primeira visita oficial ao Brasil esta semana. Phumzile Mlambo-Ngcuka estará no país durante dois dias, participando de eventos de combate ao racismo e à violência contra as mulheres.
Na quarta-feira, a chefe da ONU Mulheres acompanhará a Marcha das Mulheres Negras 2015 em Brasília.
Caminhada contra o Racismo
Em entrevista à Rádio, da capital brasilieira, a representante da agência no Brasil, Nadine Gasman, falou sobre a participação da ONU Mulheres no evento.
“Esta é uma marcha muito importante, é uma marcha contra o racismo e a violência e o bem-viver. É uma marcha realizada por lideranças do movimento de mulheres negras brasileiras. Sem dúvida, o protagonismo é das mulheres negras brasileiras, e a ONU Mulheres tem apoiado a liderança das organizações porque o tema é o tema central do mandato da ONU Mulheres e do trabalho da ONU Mulheres no Brasil, é a igualdade de gênero e raça".
A caminhada "contra o racismo e à favor do bem viver passará pelo Museu da República, Eixo Monumental e Congresso Nacional.
Década Internacional
Phumzile Mlambo-Ngcuka já foi vice-presidente da África do Sul, onde participou da luta contra o apartheid e segundo a ONU Mulheres, foi uma das principais articuladoras da Década Internacional de Afrodescendentes, em vigor até 2024.
"É muito significativo que tenha escolhido, aceitando o convite das organizações de mulheres negras pra vir na primeira visita oficial ao Brasil. Falar da importância que tem para a ONU Mulheres a sociedade civil que tem pra ela, em especial, essa luta contra o racismo, a sensibilidade da organização, e dela, com a luta das mulheres pelo bem viver".
Além de marchar, a diretora da ONU Mulheres vai conversar com mulheres negras, organizadoras da manifestação e com líderes do movimento feminista. Na quarta-feira, também está previsto um encontro de Mlambo-Ngcuka com a presidente Dilma Rousseff e a ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Nilma Gomes.
Campanha Global
O Brasil vai presidir a próxima sessão da Comissão da ONU sobre o Estatuto da Mulher em março de 2016, em Nova York, e esse será um dos temas da conversa com a presidente Dilma.
Na noite do dia 18, vários prédios públicos em Brasília serão iluminados de laranja, como parte de uma campanha global pelo fim da violência contra as mulheres.
Segundo a agência da ONU, o laranja evoca a solidariedade com meninas e mulheres vítimas da violência e a cor traz a "energia necessária para que superem a situação".
No segundo dia da visita ao Brasil, a diretora da ONU Mulheres visitará a Casa da Mulher Brasileira, que já atendeu mais de 1,3 mil mulheres vítimas da violência desde que foi inaugurada, em junho.

Mulheres Negras marcham nesta quarta-feira (18) em Brasília

Pelo fim do racismo, da violência e pelo bem viver, Marcha Nacional das Mulheres Negras se concentra a partir das 8h30 no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF). Ato aguarda a presença de 20 mil mulheres



Com o tema “Pelo fim do racismo, da violência e pelo bem viver”, mulheres negras brasileiras realizam nesta quarta-feira (18/11), a partir das 9h, em Brasília, a Marcha Nacional das Mulheres Negras. O ato, que terá sua concentração a partir das 8h30 no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília (DF), aguarda a presença de 20 mil mulheres que marcharão pelo Eixo Monumental até o Congresso Nacional. A iniciativa é protagonizada por organizações de mulheres negras, que contam com o apoio de outras entidades do Movimento Negro, e que apoiam a equidade sociorracial e de gênero. O Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos também apoia a iniciativa, que compõe a Semana Nacional da Consciência Negra.
Entre as principais demandas da Marcha Nacional das Mulheres Negras está o fim do femicídio de mulheres negras; a garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras; a penalização da discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos e o fim do racismo e sexismo produzidos nos veículos de comunicação, que promovem a violência simbólica e física contra as mulheres negras. Elas também marcham pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras; pelo fim do desrespeito religioso; pela garantia da reprodução cultural das práticas ancestrais de matriz africana e pela participação efetiva na vida pública.
A programação da Marcha engloba oficinas ligadas às mais diversas expressões da cultura negra, além de atividades ligadas à geração de renda, de apropriação de novas tecnologias, entre outras, visando o estímulo ao aumento da autoestima coletiva das mulheres negras.
Semana Nacional da Consciência Negra
Por ocasião do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos realiza e apoia, entre os dias 16 e 20 deste mês, uma série de atividades que fazem alusão à data.
O Dia Nacional da Consciência Negra é uma data para reflexão, discussão e para comemorar a presença negra na sociedade brasileira e sua grande participação na constituição do nosso país", considera a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes.
Consagrado como data de sensibilização nacional para conquista de direitos e de valorização da história e cultura da população negra, o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra foi instituído em 2011, pela Lei 12.519/11, e é celebrado em todo o país.
Fonte: Seppir/PR

DF faz ação na web contra uso de frases 'engraçadinhas', mas racistas

Entre exemplos estão 'a coisa tá preta', 'lista negra' e 'cabelo ruim.
Foram 289 casos de injúria racial entre janeiro e outubro deste ano.



Publicação feita pelo governo do Distrito Federal em redes sociais contra uso de expressões racistas (Foto: Facebook/Reprodução)

Publicação feita pelo governo do Distrito Federal em redes sociais contra uso de expressões racistas (Foto: Facebook/Reprodução)
O governo do Distrito Federal lançou campanha nas redes sociais para conscientizar a população a repensar sobre o uso de “frases [que] parecem engraçadinhas e inofensivas”, mas têm origem racista. Entre os exemplos dados pelo Executivo estão “a coisa tá preta”, “lista negra”, “não sou tuas negas”, “beleza exótica”, “humor negro” e “cabelo ruim”.
A publicação ocorreu em lembra ao Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira (20). “Vamos mudar de atitude e trocar o racismo do vocabulário (e da vida) por respeito ao próximo?”, diz o GDF. “Mesmo após 127 anos do fim da escravatura, o racismo ainda persiste e precisamos refletir sobre as consequências dele, espalhar consciência e lutar por mudança.”
Dados da Secretaria de Segurança Pública e Paz Social apontam que houve, entre janeiro e outubro, 289 registros de injúria racial no DF – quase uma por dia. As denúncias podem ser feitas pelo Disque Racismo, por meio do telefone 156, opção 7.
Em julho, a dona de um pequeno restaurante Carmem Célia dos Santos, de 46 anos, conta ter sido vítima de injúria racial. Um homem entrou no estabelecimento pedindo orçamento para um almoço "chique" para 60 pessoas. Ao ouvir que a microempresária não fazia esse tipo de serviço, ele quebrou pratos, copos, uma garrafa térmica e compartimentos de marmita, além de espalhar sal, azeite e palitos pelo chão. Depois, "falou que negro não podia mesmo ter restaurante [e disse] 'eu não gosto de negro, não gosto da raça negra, negro não pode ter restaurante'."
Dias antes, flagrada usando drogas, uma mulher acabou presa em Santa Maria por ofensas raciais ao policial negro que a abordou. "Você tem que se desfazer desse cigarro de maconha na minha frente, porque senão você vai levar para casa e vai fumar. A sua cor já diz tudo", teria dito ao PM.
No início do mesmo mês, a estudante Gilvanete Costa, de 25 anos, denunciou à polícia um cobrador de ônibus que questionou a aparência dela pouco depois que ela subiu no coletivo: “Moça, o que tu fez no cabelo? Tomou um choque? Tá estranho (sic)”. Em depoimento na delegacia, o rodoviário afirmou que houve um mal-entendido.
Por meio do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação, o Ministério Público moveu 43 denúncias de injúria racial no primeiro semestre de 2015. O primeiro caso aconteceu em fevereiro, entre dois servidores do Hospital Regional da Asa Norte.
Outras ações
O GDF também já usou redes sociais para falar sobre aleitamento materno, assédio sexual no transporte público, doações de sangue, medula e cabelo, economia de água, lixo jogado nas ruas, tráfico de pessoas, valorização dos espaços públicos, uso de bicicleta, saúde do homem e da mulher e campanha de doação de água para Governador Valadares. Segundo o Executivo, estão previstas para as próximas semanas postagens sobre o Novembro Azul
Raquel MoraisDo G1 DF

Mulheres Pretas

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