sexta-feira, 12 de setembro de 2014

STEVE BIKO - VÍTIMA DO APARTHEID

BIOGRAFIA

Biko foi assassinado há 37 anos. A 12 de Setembro de 1977, Bantu Steve Biko morreu em consequência de bárbaras torturas da polícia sul africana, do regime de apartheid. Biko era um jovem ativista negro — morreu com 30 anos — lutador contra o apartheid, dirigente estudantil e fundador do Movimento Consciência Negra.

Biko, que dizia que «a arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido», foi um defensor dos negros e da sua independência, face aos liberais brancos, na luta contra o apartheid na África do Sul.

Nelson Mandela em 1997, no elogio a Steve Biko, afirmou: «Um dos grandes legados da luta que Biko travou — e pela qual morreu — foi a explosão do orgulho entre as vítimas do apartheid».

A morte de Biko foi largamente denunciada no mundo, ampliando e elevando o combate ao regime do apartheid na África do Sul. 

Bantu Steve Biko nasceu na cidade de King William em 18 de Dezembro de 1946. Estudou medicina na Universidade de Natal e tornou-se um ativista estudantil. Em 1968, com outros companheiros de luta fundou a SASO ( South African Students' Organisation — Organização dos Estudantes Sul Africanos) rompendo com a NUSAS (National Union of South African Students — União Nacional dos Estudantes Sul Africanos), defendendo uma intervenção mais radical e criticando o predomínio e orientação dos liberais brancos na NUSAS. Biko, que foi o primeiro presidente da SASO, pretendia com esta organização desenvolver a participação dos negros, elevar o seu orgulho e atuar independentemente dos brancos. Para a SASO escreveu diversos documentos com o pseudônimo de Frank Talk.

Biko foi um dos fundadores do Movimento Consciência Negra, defendendo que o principal na luta contra o apartheid era a luta dos negros, a sua organização e mobilização, combatendo a dependência dos negros em relação aos liberais brancos. Em 1972 fundou a Convenção do Povo Negro (Black People's Convention) e foi eleito seu presidente honorário. Também em 72 foi expulso da Universidade e passou a trabalhar em programas para a comunidade negra (Black Community Programs — BCP), participando na construção de clínicas, creches e no apoio aos trabalhadores negros. Em Março de 1973 foi «banido» e proibido de sair da cidade de King William. «Banido» significava que não podia comunicar com mais de uma pessoa de cada vez, desde que não fosse da sua família, e não podia publicar nada, tal como os seus escritos anteriores não podiam ser divulgados ou citados. Apesar disso, dirigiu uma secção do BCP na sua cidade, mas posteriormente foi também proibido de ter quaisquer ligações com os programas da comunidade negra.

Não obstante a repressão de que era vítima, Biko criou em 1975 um fundo de apoio aos presos políticos e às suas famílias. As organizações que criou e apoiou, nomeadamente as organizações estudantis, tiveram um papel decisivo nos levantamentos do Soweto, em 1976. Biko foi perseguido e preso por diversas vezes.

Em 18 de Agosto de 1977 foi preso juntamente com o seu companheiro Peter Cyril Jones, acusados de desobedecerem às leis do apartheid. Biko foi barbaramente agredido e torturado numa prisão em Port Elizabeth o que lhe provocou uma hemorragia cerebral. A 11 de Setembro foi transportado para a prisão central de Pretória, onde morreu a 12 de Setembro. O governo do apartheid primeiro afirmou que ele tinha morrido devido a uma greve de fome, posteriormente perante a gravidade visível das lesões na cabeça, afirmaram que se tentou suicidar, batendo com a cabeça.

A Comissão de Verdade e Reconciliação criada após o fim do apartheid, não perdoou aos seus assassinos. Mas, em Outubro de 2003, o Ministério Público da África do Sul anunciou que os cinco polícias acusados do crime não seriam processados por falta de provas, alegando que faltavam testemunhas que provassem a acusação e considerando ainda que a possibilidade de acusação pelo crime de lesões corporais já tinha caducado. A morte de Biko foi largamente noticiada internacionalmente pelo grande prestígio que granjeara, o seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas, estando inclusivamente presentes diversos embaixadores estrangeiros.

O assassinato de Biko tornou-se um símbolo da brutalidade do regime do apartheid. A sua vida, luta e morte tornaram-se amplamente conhecidos pelo trabalho desenvolvido por Donald Woods, um seu amigo jornalista branco, que fotografou o seu cadáver com os ferimentos e um ano depois publicou um livro, «Biko», descrevendo a sua vida e morte.

Em 1980, Peter Gabriel editou um álbum que incluía a canção «Biko», que se tornou um hino mundial contra o apartheid e que foi posteriormente cantada por outros artistas, como por exemplo Joan Baez. Em 1987, Richard Attenborough realizou o filme Cry Freedom (Grito de Liberdade) sobre a vida de Biko e no qual a música de Peter Gabriel foi incluída na banda sonora, Em 1997, no vigésimo aniversário da sua morte, Nelson Mandela fez o seu elogio e inaugurou uma estátua em sua memória. Actualmente existe na África do Sul a Fundação Steve Biko (http://www.sbf.org.za/) que é presidida pelo seu filho Nkosinati Biko.
 Fonte: http://wwwpoetanarquista.blogspot.com.br/2011/09/steve-biko.html

12 de setembro de 1924 nascia Amílcar Cabral



Amílcar Cabral nasceu em Bafatá, Guiné-Bissau, a 12 de Setembro de 1924 e foi morto a 23 de Janeiro de 1973. Filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, Cabral foi poeta, agrónomo, fundador do PAIGC e “pai” da independência conjunta de Cabo Verde (5 Julho de 1975) e Guiné-Bissau (oficialmente a 10 Setembro de 1974).
Assassinado a 24 de Janeiro de 1973 na presença da sua mulher Ana Maria em Conacry, Amílcar Cabral assume uma figura de destaque no continente Africano, como um dos líderes mais influentes. O autor dos disparos foi Inocêncio Kani, guerrilheiro do PAIGC.
O primeiro disparo atinge o líder do PAIGC no fígado. Cabral senta-se no chão e tenta conversar, mas o segundo disparo de metralhadora atinge-o mortalmente na cabeça provocando a sua morte imediata.
Após a morte de Cabral e sobre o comando de Sekou Touré, presidente da Guiné Conacry, foi constituída uma comissão internacional para apurar às circunstâncias envolventes da morte do líder do PAIGC. Os conspiradores foram presos e entregues aos militantes do PAIGC, que prossegue ao fuzilamento dos mesmos.
Em 1932 Amílcar Cabral muda-se com a família para a ilha de Santiago, Cabo Verde onde vive grande parte da sua infância e juventude, na localidade de Santa Catarina. Entra para o liceu em S. Vicente no ano de 1937-38, onde completa em 1944 os seus estudos secundários.
Amante do desporto, em S. Vicente, Amílcar Cabral foi secretário do “Boavista Futebol Clube” entre 1944-45. Após terminar o liceu em São Vicente obtém uma bolsa de estudos para o Instituto Superior de Agronomia e viaja para Portugal em 1945-46, onde acaba por conhecer e casar, em 1946, com a sua primeira mulher Maria Helena de Ataíde Vilhena Rodrigues.
Em Portugal, Cabral participou activamente na luta anti-fascista conjuntamente com outros estudantes africanos. Foi militante do Movimento de Unidade Democrático da Juventude (MUDJuvenil) da qual afastou por divergências em relação às questões coloniais.
Amílcar Cabral sempre defendeu os seus ideias de libertação das colónias africanas de uma forma muito activa, assim sendo, em 1948-51 foi eleito presidente do Comité da Cultura da Casa dos Estudantes do Império (CEI), secretário-geral em 1950 e em 1951 vice-presidente da CEI.
Conjuntamente com outros estudantes africanos (Francisco José Tenreiro e Mário Pinto de Andrade) cria em Lisboa, o Centro de Estudos Africanos, em 1951. Em 1956, com Viriato da Cruz e outros africanos fundam o PLUA – Partido da Luta Armada Unida dos Africanos.
Mais tarde em Bissau, cria o PAI – Partido Africano da Independência, que mais tarde viria a chamar-se PAIGC – Partido Africano para a Independência de Cabo Verde e Guiné-Bissau.
Em 1952 regressa a Bissau, onde trabalha no posto experimental de Pessubé e realiza o recenseamento agrícola, o que viria a servir de base a preparação da estratégia da luta armada em 1963. Na Guiné-Bissau, Amílcar Cabral casa, em Maio de 1965, com a sua segunda esposa Ana Maria Foss de Sá.
Amílcar Cabral manteve contactos com comandante Ernesto “Che” Guevara em 1965 e com Fidel Castro em Escambray e Havana em 1966, para discutir pormenores da ajuda cubana ao PAIGC, numa altura em que o PAIGC já controlava metade do território Guineense.
No dia 1 de Julho de 1970 o Papa Paulo VI recebe em audiência Amílcar Cabral (PAIGC), Agostinho Neto (MPLA) e Marcelino dos Santos (FRELIMO). No mesmo ano Cabral recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Lincoln, Estados.
Fonte: http://noticias.sapo.cv/info/artigo/1005005.html

Índio advogado de Mato Grosso do Sul e que faz mestrado é destaque na BBC




Jovem diz que ocupa novos espaços 'sem esquecer das tradições'

O indígena Luiz Henrique Eloy Amado, de 25 anos, foi destaque
 em matéria de capa da rede internacional de notícias BBC. 
A matéria enfatiza a dedicação exclusiva do jovem advogado
 à demarcação e à integração de terras indígenas. O texto evidencia
 a força do índio terena, que se formou em Direito, fez mestrado
 na UCDB e se prepara para fazer doutorado em Antropologia, 
e fala de resistência que as lideranças dentro e fora de suas 
comunidades enfrentam.

Confira aqui os principais trechos do depoimento à BBC.
"Deixei a aldeia Ipegui, de Aquidauana (MS), para cursar o 
ensino superior já pensando em devolver algo à minha 
comunidade. Fiz parte das primeiras levas de indígenas 
que tiveram acesso à universidade entre 2005 e 2006.

Ali eu convivia com vários indígenas, e vi que o problema 
deixou de ser o acesso à universidade, passou a ser a 
 - os índios têm dificuldades financeiras, (se comunicam em sua)
 língua materna, ficam longe da comunidade, sofrem preconceito.

Nos cinco anos do curso de Direito, em nenhum momento, 
os direitos dos povos indígenas foram abordados. 
Então fizemos um grupo de estudo sobre o tema, com acadêmicos
 e índios.

Depois de me formar, comecei a atuar exclusivamente na área 
de questões coletivas e na demarcação de terras, porque 
as comunidades indígenas têm uma carência muito grande
 (de advogados).

Faço oficinas nas comunidades sobre os direitos do povo indígena 
atuo em processos de demarcação de terra e reintegração de
 posse. Na esfera criminal, defendo lideranças criminalizadas
 pela luta pela terra. Não atuo em casos de crime comum, 
de índios que respondem processos por seu ativismo.

Um dos casos de maior destaque foi o do 'leilão da 
', em dezembro, quando fazendeiros organizaram um leilão 
para arrecadar fundos para contratar empresas privadas para 
a segurança das fazendas.
Só que na maior parte dos casos de lideranças indígenas 
mortas, tem sempre uma empresa de segurança ou um pistoleiro
 envolvido.

Entramos com recurso e a Justiça Federal suspendeu o leilão; 
os fazendeiros recorreram e fizeram o leilão, mas conseguimos
 bloquear o dinheiro (cerca de R$ 1 milhão). O processo está correndo.

(Nota: À época, os fazendeiros afirmaram que a contratação 
de seguranças serviria para garantir sua integridade 
física e de suas propriedades. O caso ainda está sendo
 discutido pela Justiça)

O interessante é que foi a primeira vez que a própria 
comunidade indígena (entrou com a ação) para defender 
seus direitos, não a Funai ou o Ministério Público Federal (MPF).

Também conseguimos o fechamento de uma empresa de segurança
 privada envolvida na morte de um indígena. Nesse caso, sou 
assistente de acusação da família.

Nunca sofri ameaça direta (pela atuação como advogado), 
mas vários amigos dizem ter ouvido rumores e me alertam 
para que eu tome cuidado. Já fui perseguido por caminhonetes 
e tive que me esconder no mato. Hoje tomo vários cuidados 
e restrinjo minha rotina.

A causa mais urgente para os índios hoje é, com certeza,
 a questão territorial. Um terço das terras indígenas do Brasil 
ainda não foi demarcado, e as que foram estão ameaçadas,
 seja pelas atividades mineradora e madeireira ou pelas hidrelétricas.

O Brasil adotou um modelo de desenvolvimento que não 
contempla os povos indígenas, vistos como empecilho. 
Passam por cima dos nossos direitos, e o Brasil é cobrado 
lá fora por isso.

Nas minhas andanças pelo Estado, escuto muito das lideranças
 (indígenas) e dos fazendeiros uma revolta pela omissão do
 governo federal na questão. A percepção é de que o governo
está de braços cruzados assistindo aos conflitos. 
As comunidades fazem retomadas (de terras) por
 conta própria, e o fazendeiro se vê no direito de se armar.

Esse era o fundamento do leilão da resistência: 
'o governo não está fazendo nossa segurança'.
 Isso tem crescido, a violência está crescendo. 
E nessa disputa os povos indígenas são as maiores vítimas.

Vejo que as lideranças jovens sofrem muita resistência
 aqui. Uma vez, fazendeiros questionaram na Assembleia
 Legislativa do Estado (de Mato Grosso do Sul) se eu tinha
 (registro na) OAB para advogar em nome da causa 
terena, por eu ser jovem. Já cheguei a entrar em 
cartórios do fórum para pedir processos e me dizerem: 
'Estagiário não pode pegar o processo'. Daí tenho 
que provar que sou advogado.

Já vi até lideranças indígenas tradicionais fazerem 
críticas à juventude. Pessoas que estão há 20 ou 30 anos 
lutando veem o jovem falando e resistem. Falo não 
por mim, mas num contexto geral. Mas temos 
quebrado essa resistência quando começamos 
a dialogar, mostrando que não estamos substituindo
 ou concorrendo (com os mais velhos) - estamos a 
serviço da comunidade.

Há jovens trabalhando pelas comunidades indígenas 
em várias áreas: estudantes brigando no Ministério 
da Educação pela permanência dos índios no ensino 
superior, jornalistas dando visibilidade aos problemas 
e práticas culturais, antropólogos fazendo registros orais
 e contribuindo em laudos judiciais, algo que é 
fundamental em muitas causas.

Ainda quero, nos próximos anos, prestar concurso
para o MPF (Ministério Público Federal), na
defesa das populações tradicionais (indígenas e quilombolas).

Acho perfeitamente possível conciliar (as tradições indígenas)
 com a vida acadêmica. A pessoa tem que saber que está 
ocupando novos espaços, mas sem esquecer de suas raízes. 
Vivo em Campo Grande, mas com um pé na minha aldeia."
Fonte: midiamax



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

À FILHA A CADA 11 DE SETEMBRO - José Luiz Tavares

E teu nome — irina —
verde azul de hialina
transparência,
que nem é mistura
que se ensina,
alquimia de que se conhece
a exacta ciência —

apenas esse riso de menina,
semovente correnteza,
água pura da mina
que lava as angústias
do pai rezinga.

Pomba de alvura
que ao tiro da matina adeja,
céu de boa sina seja a estrela
que te ilumina, tu mesma
primavera alevantada no fluxo
em que toda a vida se anima.

E vai e deixa sobre a terra
o lume de ser lava; e tenhas
sombra e paz ao calor do dia a pino,
ou nos nevoeiros em que por vezes
a tarde finda.

E a mão da honra te seja
cajado na subida, e ainda que pela
selva do mundo deambulando,
como grão catado na algibeira
a alegria tenhas por medida,
que o que o arrojo furta à sina
é sal de toda a humana aventura.


José Luiz Tavares - é cabo-verdeano, nascido na ilha de Santiago. Seu primeiro 
livro, Paraíso Apagado por um Trovão, recebeu o Prêmio Mário António de Poesia 2004, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2005, seu segundo livro Agreste Matéria Mundo foi contemplado com o Prêmio Jorge Barbosa. Atualmente trabalha na tradução de poemas de Fernando Pessoa e Camões.


terça-feira, 9 de setembro de 2014

Marca lança lingerie cor de pele para mulheres negras

A empresa Nubian Skins está lançando uma coleção de lingeries nude, que possuem cor semelhante a tonalidade da pele humana, para mulheres negras. 
As peças foram criadas em diversas intensidades de cor para atender a todos os tipos de etnias. 

No blog oficial da marca, a fundadora do projeto escreveu: "apesar de ser uma realidade que mulheres negras têm as mesmas necessidades que as brancas, quando se trata delingerie, a indústria não liga para nós. Então, pensei, está na hora de redefinir o conceito de nudez". 

O projeto também defende a criação de mais opções de cosméticos para peles negras. "Eunice W. Johnson precisou criar a Fashion Fair Cosmetics em 1973 para mulheres negras para que nós tivéssemos um número justo de opções para maquiagem que combinassem conosco. Porém, ainda há marcas que escolheram não oferecer algo para nós", afirmou. As lingeries serão comercializadas nos mais diversos estilos, designs, tamanhos e tonalidades.
 Fonte: moda.terra.com.br

sábado, 6 de setembro de 2014

`Último Comboio para Zona Verde`

Paul Theroux despede-se em Angola do continente africano


O livro é anunciado como a despedida literária de Theroux a África, numa viagem iniciada na África do Sul e que passa pelo Botswana, pela Namíbia e termina inadvertidamente em Angola.

A estação de comboios em Luanda é precisamente a última paragem da odisseia literária do americano pelo continente africano com o qual tomou contacto pela primeira vez há 50 anos, na qualidade de voluntário do Corpo de Paz. Três das pessoas sobre as quais escreveu neste livro morreram recentemente. Um facto que fez Paul Theroux questionar-se sobre se valia a pena arriscar a vida pelo que estava a fazer. Conclusão do próprio: "Morrer a fazer o que eu amo seria estar numa praia do Havai a beber um Mai Tai, estando deslumbrado por uma onda. Aí eu estaria a fazer o que amo, com a minha mulher, a tomar uma simples bebida. Não seria num autocarro em Angola."

Fonte: RDP África

Moçambique já tem maior taxa de suicídio em África

Números "assustadores" da OMS mostram que Angola foi país onde 

as mortes mais subiram, nos últimos anos.Problemas de saúde mental 

apontados como causa principal

A taxa de suicídio em Angola cresceu mais de 50% na última década e em Moçambique aumentou 11.5%, tornando-o o país africano com taxa mais elevada

Segundo um relatório publicado esta sexta-feira pela Organização Mundial da Saúde, Moçambique surge como o país africano com a mais elevada taxa em 2012, com 27.4 suicídios por 100 mil habitantes. Já em Angola, a taxa era em 2012 de 13.8 por 100 mil pessoas, quando no ano 2000 se situava nos 9.2.

"Neste momento o suicídio em Moçambique é assustador. É o número mais  elevado do continente africano e é um dos mais elevados do mundo. Em Angola, o suicídio tem vindo a aumentar brutalmente", afirmou o psiquiatra português Ricardo Gusmão, que foi revisor do relatório da OMS. Para este médico, em declarações à agência Lusa, a situação em África "começa a ser muito preocupante": "Está a aumentar o suicídio no continente africano, ou seja, estão a aumentar  os problemas de saúde mental". Ricardo Gusmão considera que as questões de saúde mental têm sido negligenciadas pelas agências de cooperação e desenvolvimento que operam nesses países. "Tradicionalmente, nos países africanos e em desenvolvimento que são alvo de ações de desenvolvimento e cooperação, há uma grande preocupação em relação a doenças transmissíveis, em relação aos problemas da pobreza, da fome, da violação dos direitos humanos. Mais uma vez parece que globalmente estamos a começar a cometer o erro de não olhar para as consequências disso tudo. Todos os problemas desses países são determinantes de saúde mental".

Em Cabo Verde, a taxa de suicídio desceu 12.3% entre 2000 e 2012, situando-se no último ano nos 4.8 casos por 100 mil habitantes. Na Guiné-Bissau deu-se um aumento de 7.9% nos anos analisados pela OMS, situando-se a taxa em 0.47%. Já em Portugal, os dados de 2012 mostram que a taxa de suicídio foi de 8.2 por cada 100 mil habitantes, quando em 2000 se situava nos 8.8. De acordo com o relatório, a taxa de suicídio em todo o mundo foi de 11.4 por 100 mil habitantes.
Fonte: RDP África

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...