sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Estão abertas as inscrições para o "III Encontro Internacional de Literaturas, Histórias e Culturas Afro-Brasileiras e Africanas" - Universidade Estadual do Piauí

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EIXOS TEMÁTICOS
As comunicações deverão contemplar os seguintes eixos temáticos:
  • Literatura Afrodescendente e História
  • Literatura Afrodescendente e o espaço da memória
  • Identidade cultural, diásporas e línguas africanas
  • Literatura Afrodescendente e Gênero
  • Literatura Infantojuvenil e Afrodescendência
  • Interdisciplinaridade e o ensino de Literaturas Afro-Brasileira, Africana e Indígena.
  • Culturas e religiões afro-brasileiras e de matrizes africanas
    Maiores informações: http://www.nepauespi.com/eventos/38

Escrevivência

Creio que se o ato de ler oferece a apreensão

 do mundo, o de escrever ultrapassa os  

limites de uma percepção da vida.

Escrever pressupõe um dinamismo próprio 

do sujeito da escrita, proporcionando-lhe a

 sua auto-inscrição no interior do mundo.

Na maioria das vezes escrever dói, mas depois do 

texto escrito é possível apaziguar um pouco a 

dor, um pouco...

Escrever pode ser uma espécie de vingança, um 

desafio,um modo de ferir o silêncio imposto,

ou ainda, um gesto de teimosa esperança.

E afirmo sempre que a nossa escrevivência 

não pode ser lida como histórias para “ninar os da 

casa grande” e sim para incomodá-los em seus 

sonos injustos.
                      Conceição Evaristo


Negra - Noémia de Sousa

Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos 
quiseram cantar teus encantos 
para elas só de mistérios profundos, 
de delírios e feitiçarias... 
Teus encantos profundos de Africa. 

Mas não puderam. 
Em seus formais e rendilhados cantos, 
ausentes de emoção e sinceridade, 
quedas-te longínqua, inatingível, 
virgem de contactos mais fundos. 
E te mascararam de esfinge de ébano, amante sensual, 
jarra etrusca, exotismo tropical, 
demência, atracção, crueldade, 
animalidade, magia... 
e não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias. 

Em seus formais cantos rendilhados 
foste tudo, negra... 
menos tu. 

E ainda bem. 
Ainda bem que nos deixaram a nós, 
do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma, 
sofrimento, 
a glória única e sentida de te cantar 
com emoção verdadeira e radical, 
a glória comovida de te cantar, toda amassada, 
moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE 

Disponível em: http://www.astormentas.com/PT/poemas/No%C3%A9mia%20de%20Sousa/1

Grito Negro - Craveirinha

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.

Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.

Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.

Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.


José João Craveirinha (Lourenço Marques, 28 de maio de 1922 — Maputo, 6 de fevereiro de 2003) é considerado o poeta maior de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.
Disponível em: http://www.ponto.altervista.org/Livros/Doc/craveirinha.html

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...