sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Jornalistas debatem racismo na mídia, durante encontro em Maceió
Jornalistas debatem racismo na mídia, durante encontro em Maceió
Evento é parte da programação do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas
O 1º Encontro Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Enjira) abriu, na manhã desta quarta-feira (2) a programação do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, que acontece até o próximo domingo, no Centro de Convenções de Maceió, reunindo cerca de 500 profissionais de todo o Brasil.
Com foco na construção da igualdade racial na mídia e o papel dos jornalistas nesse processo, o encontro trouxe a tona questões como a visibilidade da cultura e das demandas relacionadas à população negra, além da troca de experiência sobre a abertura de espaços para o jornalismo especializado nas questões de gênero, como o Portal Áfricas e cadernos especiais na mídia impressa.
Para alimentar o debate, o encontro contou com a participação de profissionais do mais altogabarito na mídia étnica nacional, a exemplo de Cleidiana Ramos, repórter especial do jornal A Tarde (BA), especializada em questões de identidade e religiosidade afro-brasileira; o jornalista Washington Andrade, diretor-geral do Portal Áfricas; e Rosane Borges, doutora em Ciências da Comunicação, coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra.
Durante uma hora eles discorreram sobre questões como o tabu de falar no racismo na imprensa brasileira; das relações diferenciadas da informação com o público negro; da importância de fomentar o debate sobre etnia e raça na mídia brasileira, entre outros assuntos.
Na opinião de Rosane Borges, falar de racismo no Brasil é como olhar diretamente para o sol, pois é algo que cega imediatamente as pessoas. “É algo muito presente e que nos negamos a encarar. O que precisamos é trabalhar
para promover a igualdade social e a mídia possui um papel fundamental nisso”, disse ela.
O evento contou com a participação de integrantes das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Alagoas, Paraíba e Bahia, além do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul, que agregam profissionais engajados na discussão da temática, além de representantesdos demais sindicatos da categoria em outros Estados do Brasil.
Na avaliação do presidente da FENAJ, Celso Schröder, foi uma grande honra ter o ENJIRA abrindo o Congresso Nacional dos Jornalistas. “Isto era uma coisa que nós devíamos ao jornalismo brasileiro. Este é um assunto que deve ser extremamente debatido em todas as redações pelo Brasil afora”, afirmou.
Valdice Gomes, presidenta do Sindjornal e coordenadora da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira) da FENAJ, falou da grande emoção em ver o primeiro Enjira acontecer Alagoas. “Não é de hoje que lutamos por isso, pois sabemos do quanto é fundamental implementar ações voltadas à igualdade racial em todas as esferas da comunicação social”, disse ela.
O Congresso dos Jornalistas é um evento promovido pela FENAJ, este ano realizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, com patrocínio do Governo de Alagoas, Prefeitura de Maceió, Sebrae, Petrobras, Federação da Indústria do Estado de Alagoas e Governo Federal, por meio da Caixa Econômica Federal, Ministério do Esporte e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
Fonte: -racismo-na-mi36congressojornalistas.com/jornalistas-debatemdia-durante-encontro-em-maceio/
‘Consumo étnico’ aquece negócios entre empreendedores negros
Cris Olivette
A fundadora da Cia. das Tranças, Chris Oliveira, era produtora de moda antes de criar um salão especializado em cabelo de pessoas negras. “Não gostava do atendimento que recebia nos salões e passei a cuidar sozinha de meu cabelo.”
O resultado foi tão bom que as pessoas começaram a elogiar e a perguntar quem cuidava de seus cachos. “No início, fiz alguns cabelos por hobby. Nesse processo, vi que muitas pessoas tinham a mesma infelicidade que eu, por não encontrar bons salões. Usei as críticas a meu favor e criei um salão como sempre sonhei encontrar.”
Após 12 anos, Chris comanda uma equipe com 13 profissionais. “Há dois anos cuido só dagestão da empresa, e tem sido ótimo porque nesse período o negócio cresceu 50%.” Ela diz que 80% de seu público é de mulheres. “Em relação a dreads e tranças, tenho um público masculino forte.” Chris diz que não são só negros que buscam penteados afro. “Recebemos japonesas, loiras, mas é claro que negros representam 80%.”
A atividade de Chris, engrossa o estudo que aponta crescimento de 29% no empreendedorismo entre negros, ocorrido em uma década. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que considerou o período entre 2001 a 2011. Segundo o estudo, o empreendedorismo entre negros passou de 43% para 49%.
O consultor de marketing do Sebrae-SP Marcelo Sinelli pondera, entretanto, que o que cresceu muito, na verdade, foi o número de pessoas que se declaram negras. “Para o IBGE, o critério que define se uma pessoa é negra ou não é a autodeclaração. É provável, que muitos já fossem empreendedores, mas não se declaravam negros.”
Sinelli diz que as transformações ocorridas na sociedade brasileira nos últimos 20 anos contribuíram para a mudança de postura. “Está tudo atrelado. O crescimento do orgulho de ser negro, a ascensão social das classes C e D, e o aumento do acesso à informação abriram uma série de oportunidades, estimulando negócios específicos, que podemos chamar de consumo étnico.”
A sócia da Xongani, Ana Paula Xongani (foto na capa), está entre os que privilegiam o consumo étnico. “Assim como outros negócios voltados ao público negro, a Xongani nasceu para cobrir uma lacuna. Não havia no mercado acessórios que valorizassem a cultura africana.”
Cristina, sócia e mãe de Ana Paula, afirma que a profissionalização da marca veio a partir da demanda. “Tudo foi concebido para atender as necessidades das mulheres da família. Com o tempo, recebemos encomendas e o negócio cresceu.”
Hoje, após quatro anos de mercado, a Xongani produz 26 itens como sapatilhas, brincos, pulseiras e turbantes. “No ano passado, lançamos nosso primeiro modelo de vestido de noiva afro-brasileira. Nosso principal diferencial está nos tecidos, importados da África”, diz Ana.
Além de vender pelo e-commerce, a marca vai aonde o publico está. “Participamos de grandes eventos realizados em todo o País como o Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros, Feira Preta, Afrolatinidades, Rua do Samba, Festa de São Benedito e Feijoada da Mãe Preta. Também visitamos eventos na periferia de São Paulo.”
Uma das precursoras desse movimento de valorização de produtos específicos para a população negra foi a fundadora da Muene Cosméticos, Maria do Carmo Valério, de 81 anos. “Foi muito difícil ajustar as fórmulas porque o Ph da pele negra é diferente. Tive de mudar várias vezes de químico.” No mercado há 25 anos, a Muene comercializa 121 itens, tendo como carro-chefe o pancake, com nove tonalidades.
Araújo (centro), criou agência especializada em modelos
negros há 14 anos. Hoje, seu book tem 200 nomes
Antes de fundar a agência HDA Model, Helder Dias Araújo era professor de passarela e coreógrafo na Bahia. “Vim para São Paulo praticamente sem dinheiro
. Trabalhei três anos em uma agência. Quando ela fechou, vi que não havia na cidade uma agência especializada em modelos negros. Agarrei essa oportunidade. Hoje, 14 anos depois, capacito e formo profissionais. Nosso book contém mais de 200 modelos.”
Ele conta que o curso de modelo tem 33 matérias como etiqueta, teatro, passarela, nutrição, maquiagem e postura. “Na metade do curso, que dura seis meses, eles participam de uma banca que avalia quem está tendo um bom aproveitamento e deve concluir a formação.”
Helder afirma que os aspirantes a modelo passam por avaliação e são indagados sobre os estudos. “É fundamental que o modelo continue estudando. Essa carreira é efêmera e muitas vezes ingrata. Eles precisam ter os pés no chão.”
O empresário diz que o mercado para modelos negros está crescendo. “Mas acredito que não foi o mercado que se abriu e sim, foi o negro que se conscientizou e está buscando seu espaço. Os negros perceberam, enfim, que a grande ferramenta é a educação, com ela é possível ir aonde quiser.”
Militância empreendedora impulsiona negócios
Formada em gestão de eventos e com especialização em arte e cultura, Adriana Barbosa é uma empreendedora engajada. Desde 2002, realiza anualmente a Feira Preta. “Criei a feira pela necessidade de haver um evento com esse recorte racial de segmentação, levando em conta não apenas o viés da militância mas sobretudo pela oportunidade de negócio. Não existia nenhuma feira com essa abordagem que reunisse produtos e cultura”, afirma.
Adriana conta que o evento começou com 40 expositores e hoje são 100 participantes de todo o País. “Em 2005, criei o Instituto Feira Preta que organiza ações culturais, festival de música, seminário de boas práticas em economia criativa e o curso Preta Qualifica, que capacita empreendedores que participam da feira, em áreas como formulação de preços e atendimento ao público.”
O treinamento é feito em parceria com o Sebrae. Mas o instituto também organiza capacitação ligada à área de cultura, que aborda assuntos como elaboração de projetos, captação de recursos e estratégia de comunicação. “O objetivo é dar aos artistas um olhar de gestão sobre sua própria obra.”
Segundo Adriana, existe um potencial grande a ser explorado nesse nicho. “A preocupação é saber se quem produz compreende as particularidades desse público, cada vez mais exigente, e se tem escala para atender a demanda crescente.”
A empresária conta que a terceirização de algumas etapas de seus negócios é feita por meio de redes que agrupam profissionais negros. “Uma delas é a Kultafro. Hoje, 70% das minhas produções são feitas por profissionais e empreendedores negros. Adotamos o conceito americano Black Money
, para fazer circular dinheiro dentro da comunidade negra.”
A diretora comercial da loja de bonecas Preta Pretinha, Joyce Venâncio, se inspirou em um sonho de infância para criar o negócio. “Quando minhas irmãs e eu éramos pequenas, queríamos ter bonecas negras e nossa avó fez bonecas com tecido marrom para nós”, diz Joyce. Em 2000, as irmãs se uniram para criar a loja que oferece, além de bonecas, brinquedos educativos, fantoches e bonecos de madeira.
“Não quisemos segregar produzindo só bonecas negras, elas são maioria, mas também temos orientais, muçulmanas, russas etc.” Joyce afirma que, com o tempo, viu que era necessário criar bonecas com enfoque na inclusão. “Hoje, temos bonecas cadeirantes, albinas e obesas, entre outras, que são muito usadas em aulas sobre inclusão.” Em 2010, elas também fundaram o Instituto Preta Pretinha, que promove oficinas e inclusão de pessoas carentes.
Fonte: http://blogs.estadao.com.br/sua-oportunidade/consumo-etico-aquece-negocios-entre-empreendedores-negros/
PANORAMA DO CINEMA DE BURKINA FASO - BRASÍLIA
O cinema de Burkina Faso é um dos mais significantes de toda África e compõe uma importante parte da história cinematográfica da região desde 1969. Em março, o CCBB recebe a seleção de obras dos principais cineastas burkinabês e o público de Brasília terá a oportunidade única de entrar em contato com obras de um dos países mais ricos na produção cinematográfica do continente africano.
Além disso, o CCBB recebe a doutora em História, professora coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Janaína Oliveira, integrante do Fórum Itinerante do Cinema Negro, Ficine, para um debate após a sessão de 03/04 do filme Uma Mulher Não Como As Outras, às 20h45.
>> Dia 28/03 | Sexta-feira
19h - Tasuma – O Fogo
>> Dia 29/03 | Sábado
17h - Férias de Casamento
19h - O Peso do Sermão
>> Dia 30/03 | Domingo
17h - O Sofá
19h - Ouaga Saga
>> Dia 02/04 | Quarta-feira
17h - O Peso do Sermão
19h - Tasuma – O Fogo
>> Dia 03/04 | Quinta-feira
17h - Férias de Casamento
19h - Uma Mulher Não Como As Outras (Debate com a doutora em História, professora coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Janaína Oliveira, integrante do Fórum Itinerante do Cinema Negro – Ficine, após a sessão, às 20h45)
>> Dia 04/04 | Sexta-feira
17h - Ouaga Saga
19h - O Sofá
>> Dia 05/04 | Sábado
17h - Julie e Romeo
>> Dia 06/04 | Domingo
17h - Julie e Romeo
19h - Tasuma – O Fogo
SINOPSES
Tasuma – O Fogo
Sogo, chamado Tasuma, é um antigo soldado senegalês, que combateu, junto às forças armadas francesa, durante as guerras da Indochina e da Argélia. Ele voltou ao seu país, após sua desmobilização, e voltou a ser camponês.
Com a promessa de receber uma generosa pensão, Sogo compra a crédito, junto com seu amigo, um moinho. Mas a pensão não chega, levando-o à prisão.
Diretor: Daniel Kollo Sanou
Duração: 90 min / Formato: DVD
(Tasuma – Burkina Faso, 2004, Livre)
Duração: 90 min / Formato: DVD
(Tasuma – Burkina Faso, 2004, Livre)
Férias de Casamento
David é um executivo próspero com múltiplas missões inventadas, por ele mesmo, para encontrar suas amantes. Claudia, sua esposa paciente, está sempre solitária. Seu único apoio eram duas amigas, com as quais armou um plano para se opor ao marido infiel. Um belo dia a decisão de Claudia é tomada: férias de casamento ao David!
Diretor: Aboubakar Diallo
Duração: 105 min / Formato: DVD
(Congé de Mariage – Burkina Faso, 2012, 12 anos)
Duração: 105 min / Formato: DVD
(Congé de Mariage – Burkina Faso, 2012, 12 anos)
O Peso do Sermão
Nyama e Sibiri são membros do clube dos caçadores Dozos. Por amor à Sarah, Sibiri não hesita em empurrar seu amigo no poço durante uma caçada. Ele anuncia, então, que sua morte foi devido a um ataque de leão. Após vários meses, Nyama volta ao vilarejo, com uma seita evangélica, mas não reconhece ninguém, nem se lembra de nada.
Diretor: Daniel Kollo Sanou
Duração: 87 min / Formato: DVD
(Le Poids Du Serment – Burkina Faso, 2009, Livre)
Duração: 87 min / Formato: DVD
(Le Poids Du Serment – Burkina Faso, 2009, Livre)
O Sofá
Em um país firmemente comprometido com a promoção da cultura, do resultado e da boa governança, Madame Clarisse Ouedraogo, uma mulher íntegra, é nomeada a Diretora-Geral da Companhia Geral de Minas, pelo Conselho dos Ministros. Duplamente prejudicada por preconceitos sociais e pela condição de esposa e mãe, ela luta para cumprir sua missão.
Diretor: Missa Herbie
Duração: 95 min / Formato: DVD
(Le Fauteuil – Burkina Faso, 2009, 12 anos)
Duração: 95 min / Formato: DVD
(Le Fauteuil – Burkina Faso, 2009, 12 anos)
Ouaga Saba
Na capital de um país africano, Burkina Faso, um grupo de jovens tenta sobreviver e prosperar diante de milhares de tentações. Trata-se da história deste grupo que vive em um bairro pobre de Ouagadougou. A astúcia e engenho compensam o dinheiro
que falta frequentemente. A tristeza é banida para um estilo vida otimista. A rapinagem e os pequenos empregos são a luta diária pela sobrevivência. Alguns conseguirão modestamente, outros vão afundar, por a solidariedade do grupo é necessária.
Diretor: Dani Kouyate
Duração: 86 min / Formato: DVD
(Ouaga Saga – Burkina Faso, 2004, Livre)
Duração: 86 min / Formato: DVD
(Ouaga Saga – Burkina Faso, 2004, Livre)
Uma Mulher Não Como as Outras
Mina, líder de negócios de sucesso, é casada com Dominique, desempregado e que tem um caso com Aïcha, a mulher do vizinho. Então, Mina decide arrumar um segundo marido e os três viverão sob o mesmo teto.
Diretor: Abdoulayer Dao
Duração: 101 min / Formato: DVD
(Une femme pas comme les autres – Burkina Faso, 2008, 16 anos)
Duração: 101 min / Formato: DVD
(Une femme pas comme les autres – Burkina Faso, 2008, 16 anos)
Julie e Romeo
Dois apaixonados, Julie e Romeo, decidem viver juntos. Mas um obstáculo aparece: um incidente muito distante opõe suas famílias. Para agravar, um equívoco lamentável cria o drama: Romeo descobre que Julie foi tida como morta e se suicida. Inconsolável, Julie se refugia em um vilarejo com seu tio Matão, detentor de poderes místicos, permitindo-lhe, graça aos relâmpagos, mover objetos de um lugar para outro. Para Julie, é uma oportunidade de tentar uma experiência: voltar no tempo para impedir que seu amado acabe com sua vida. Mas será que Matão aceitará usar sua magia negra para tal?
Diretor: Boubakar Diallo
Duração: 92 min / Formato: DVD
(Julie et Romeo – Burkina Faso, 2011, 12 anos)
Duração: 92 min / Formato: DVD
(Julie et Romeo – Burkina Faso, 2011, 12 anos)
terça-feira, 1 de abril de 2014
Morre aos 90 anos o historiador Jacques Le Goff
- Francês especialista em Idade Média foi um dos idealizadores da corrente conhecida como ‘Nova História’
Jacques Le Goff, um dos idealizadores da corrente ‘Nova História’ Arquivo
PARIS - O historiador francês Jacques Le Goff, considerado um dos maiores especialistas da História Medieval, morreu nesta terça-feira, em Paris, aos 90 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família, que enviou um comunicado à imprensa de seu país de origem confirmando a notícia. As informações são dos jornais “Le Figaro” e “Público”.
Le Goff teve dois títulos lançados no Brasil este ano. “Homens e mulheres da Idade Média” (Ed. Estação Liberdade) é uma coletânea coordenada por ele, com artigos de dezenas de especialistas sobre personagens emblemáticos do período, como reis, santos, papas e artistas. “A Idade Média e o dinheiro” (Ed. Civilização Brasileira) analisa a economia medieval, momento de ascensão das cidades e expansão dos mercados e do sistema bancário.
Em ambos os livros, Le Goff dá sequências a duas linhas importantes de seu trabalho: mostrar que a Idade Média não foi apenas um período de “trevas”, como se costuma acreditar, e apontar as ligações entre aquele momento histórico e o nosso. Nestas obras, e em outras, Le Goff mostra que são heranças dos tempos medievais, por exemplo, a noção de “artista” que adotamos até hoje, a concepção da cidade como centro da vida social e a presença crescente do capitalismo. Discute também o lugar marginal das mulheres na hierarquia religiosa e comenta a influência do Islã na formação da Europa moderna.
Um dos idealizadores da corrente conhecida como “Nova História” nos anos 70, ele escreveu seu primeiro livro sobre Idade Média em 1956 e dedicou boa parte de sua longa carreira à antropologia medieval.
Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/historia/morre-aos-90-anos-historiador-jacques-le-goff-12052542
ONU: eleições na Guiné-Bissau devem inaugurar novo capítulo
País está na segunda semana da campanha para as presidenciais e legislativas de 13 de abril; comissão para a Consolidação da Paz considera eleições primeiro passo para estabilizar o país lusófono.
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
As eleições na Guiné-Bissau devem ser seguidas por resultados produtivos e pela implementação de reformas essenciais para garantir a estabilidade duradoura e a consolidação democrática.
O apelo é da Comissão da ONU para Consolidação da Paz, PBC na sigla em inglês. O comunicado do grupo foi emitido nesta terça-feira.
Votação
A entidade frisa que o pleito é apenas o primeiro passo, essencial para a restauração da ordem constitucional e democrática. A votação para as presidenciais e legislativas guineenses está marcada para 13 de abril.
O país está na segunda semana da campanha eleitoral para a corrida, que envolve 15 partidos políticos e 13 candidatos à presidência.
A nota enumera os pontos que distinguem o ambiente do pleito deste ano da corrida realizada em 2012, quando ocorreu um golpe de Estado a 10 dias da segunda volta das presidenciais.
Segurança
Para 2014, o destaque vai para o fim do recenseamento, além do que a PBC chama de importante presença no terreno da segurança da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Cedeao. O comunicado realça ainda a melhor coordenação entre Guiné-Bissau e seus principais parceiros internacionais.
A Comissão apela a todas as partes envolvidas a estar à altura das suas responsabilidades históricas com o povo guineense e a cooperar para a realização de eleições livres e justas.
Preparativos
O comunicado destaca o bom encaminhamento do financiamento e do preparativos do processo apoiado pelos doadores. Timor-Leste é mencionado entre os contribuintes, ao lado da Nigéria, dos Países da Cedeao, da União Europeia e do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud.
O papel determinante do representante do Secretário-Geral, José Ramos Horta, foi elogiado à frente do Escritório do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, Uniogbis.
Medo e Intimidação
A PBC revela a sua preocupação com recentes episódios de violência política, tendo condenado qualquer tentativa de empregar o medo e a intimidação como instrumentos políticos.
O pronunciamento termina a destacar o objetivo de inaugurar um capítulo de paz e de desenvolvimento duradouro para a Guiné-Bissau.
Fonte: radioonu
Ruanda busca investidores para se transformar em polo tecnológico
NICHOLAS KULISH
DO "NEW YORK TIMES"
DO "NEW YORK TIMES"
KIGALI, Ruanda - No 12° andar do Kigali City Tower, moderno edifício de escritórios aqui na capital de Ruanda, um novo projeto para transformar uma pequena economia rural em um centro financeiro e de alta tecnologia está tentando se colocar de pé.
Uma Bolsa de mercadorias, com uma dezena de terminais e um software de última geração fornecido pela Nasdaq, realizou seus seis primeiros leilões ao longo do ano passado -um empreendimento nascente e arriscado, mas do tipo que ajuda a explicar como uma nação sem nenhum grande recurso natural conseguiu crescer de forma tão rápida nos últimos anos.
"O sentimento era de que poderia servir à região e talvez ser um trampolim para o restante da África", disse Paul Kukubo, o executivo-chefe da Bolsa do Leste da África, focada em mercadorias. Michael Lalor, do EY Africa Business Center, em Johannesburgo, disse: "Não posso imaginar como eles poderiam ter obtido um progresso melhor do que conseguiram nos últimos 20 anos".
Esse ponto de partida, 20 anos atrás, é a hora-zero para Ruanda, país que já foi consumido pela violência. Diante do Ministério das Finanças há um memorial dedicado ao genocídio de 1994, que serve de lembrança para a urgência por trás dos esforços econômicos do governo. A prevenção da instabilidade tem sido a principal justificativa para o controle do presidente Paul Kagame sobre o poder, e a elevação dos padrões de vida ajuda a evitar a volta da tensão.
Ambições e problemas duradouros, como a discrepante distribuição de renda, são parte da história de crescimento econômico da África, que atrai o olhar de governos e corporações estrangeiros para o continente, visto como uma rica fronteira para os negócios. O Fundo Monetário Internacional prevê que a média de crescimento da África Subsaariana deva chegar a 6,1% neste ano, frente a 3,7% da média mundial.
Críticos argumentam que esses números provêm principalmente da venda das reservas de petróleo e gás ou de metais e minerais valiosos e que os lucros têm sido divididos entre os conglomerados estrangeiros e as contas "offshore" dos plutocratas do continente.
Ruanda oferece um modelo alternativo, dizem analistas. Sua economia cresceu em média quase 8% ao longo dos últimos quatro anos, graças a uma produtividade cada vez maior, ao turismo e aos gastos governamentais com infraestrutura e habitação. Apesar de ter uma população de apenas cerca de 12 milhões, Ruanda foi recentemente apontada pela consultoria A.T. Kearney como o mais atraente mercado africano para o varejo, no seu primeiro Índice de Desenvolvimento do Varejo para a África.
Ruanda depende fortemente de ajuda estrangeira, que foi reduzida depois que um relatório das Nações Unidas acusou o país de fomentar uma recente rebelião na vizinha República Democrática do Congo. Mais do que nunca, Ruanda está à caça de investidores em vez de doadores. Em abril do ano passado, vendeu US$ 400 milhões em títulos para investidores de todo o mundo, parte de um ano recorde para os papéis africanos.
A desaceleração na China, a redução da compra de títulos por parte do Fed (banco central dos EUA) e a fuga de capital dos mercados emergentes puseram em perigo os ganhos no continente. Mas alguns analistas dizem que Ruanda aguentou melhor do que muitos outros e tem avançado no padrão de vida.
Entre 2001 e 2011, a nação reduziu de 59% para 45% a parcela da população que vive na pobreza, e o contingente que está na pobreza extrema vem diminuindo ainda mais rapidamente.
Ainda assim, ao lado do Kigali City Tower, os telhados enferrujados das construções em ruínas são testemunhas do desafio envolvido no objetivo de Ruanda: se tornar um país de renda média. A estimativa é que 90% da população ainda trabalhe nos terraços construídos em morros verdejantes, cultivando banana, sorgo, batata e outros produtos, numa agricultura majoritariamente de subsistência.
Ruanda espera se tornar um centro de tecnologia da informação para os 135 milhões de habitantes da Comunidade do Leste Africano, um mercado comum regional. O país se equipou com cabos de fibra óptica e, no ano passado, o governo assinou um acordo para construir uma rede 4G que cobriria 95% do seu território.
Mas Ruanda enfrenta dura concorrência. O Quênia tem um próspero ambiente para start-ups e possui representações do Google, da Intel e da Microsoft, além de um mercado consumidor muito maior. Mas as ruas tranquilas e a ausência de crimes violentos tornam Kigali muito mais atraente em comparação com as vias perigosas e engarrafadas de Nairóbi.
Em Ruanda, os índices de expectativa de vida, alfabetização, matrícula escolar e gastos com saúde melhoraram nos últimos anos. O governo demoliu milhares de casebres com telhados de sapé. Ofereceu vasectomia gratuita e está promovendo uma campanha de circuncisão para reduzir o número de infecções por HIV.
Grupos de defesa dos direitos humanos continuam a atacar o governo ruandês por suas medidas de repressão política. Ao mesmo tempo, organizações pró-desenvolvimento elogiam as reformas econômicas ruandesas, tendo o Banco Mundial dado ao país notas altas pela facilidade para se fazer negócios e posicionado o país em 32° lugar entre 189 do mundo todo.
"Começar é bem fácil", disse Clarisse Iribagiza, cofundadora de uma empresa de tecnologia chamada HeHe. Ela disse que a abertura da empresa levou apenas um dia e custou menos de US$ 40.
Elettra Pauletto, analista da consultoria Control Risks, de Londres, afirmou que, embora Ruanda possa atrair investimentos ao impor rigidamente um ambiente de eficiência e estabilidade, esse pode ser um lugar difícil para negócios que entrem em conflito com o governo. "É um ambiente político muito autoritário", disse ela. "Pode ser que a inviolabilidade dos contratos não seja respeitada."
Como a Bolsa de mercadorias, a Bolsa de Valores de Ruanda, que abriu suas portas em 2011, ainda está se firmando. Pierre Célestin Rwabukumba, 39, executivo-chefe da Bolsa de Valores e ex-corretor de ações em Nova York, voltou para Ruanda em 2004. "Nós começamos do nada nove anos atrás", disse ele sobre a Bolsa, sentado em seu escritório no Kigali City Tower.
Somente duas empresas nacionais fizeram uma oferta pública inicial. Mas ele disse que o índice ruandês de ações subiu 44% em 2013, um sinal, do seu ponto de vista, de que a Bolsa, como o próprio país, vai na direção certa.
Alguns andares acima, Ara Nashera, 27, diretor de criação da Zilencio Creativo, estava trabalhando em uma plataforma de financiamento coletivo chamada eNkunga, que procura aproveitar o dinheiro trocado via celulares. A tecnologia pode ser nova para Ruanda, mas não o conceito.
"Contribuições coletivas são a maneira como as pessoas mandam um filho para a universidade e custeiam um casamento", disse Nashera. "É o jeito antigo transformado em novo".
Fonte: Folhauol
Uma Bolsa de mercadorias, com uma dezena de terminais e um software de última geração fornecido pela Nasdaq, realizou seus seis primeiros leilões ao longo do ano passado -um empreendimento nascente e arriscado, mas do tipo que ajuda a explicar como uma nação sem nenhum grande recurso natural conseguiu crescer de forma tão rápida nos últimos anos.
"O sentimento era de que poderia servir à região e talvez ser um trampolim para o restante da África", disse Paul Kukubo, o executivo-chefe da Bolsa do Leste da África, focada em mercadorias. Michael Lalor, do EY Africa Business Center, em Johannesburgo, disse: "Não posso imaginar como eles poderiam ter obtido um progresso melhor do que conseguiram nos últimos 20 anos".
Esse ponto de partida, 20 anos atrás, é a hora-zero para Ruanda, país que já foi consumido pela violência. Diante do Ministério das Finanças há um memorial dedicado ao genocídio de 1994, que serve de lembrança para a urgência por trás dos esforços econômicos do governo. A prevenção da instabilidade tem sido a principal justificativa para o controle do presidente Paul Kagame sobre o poder, e a elevação dos padrões de vida ajuda a evitar a volta da tensão.
Pete Muller/The New York Times |
Bolsa de Valores de Ruanda, em Kigali; país busca investidores para impulsionar crescimento |
Ambições e problemas duradouros, como a discrepante distribuição de renda, são parte da história de crescimento econômico da África, que atrai o olhar de governos e corporações estrangeiros para o continente, visto como uma rica fronteira para os negócios. O Fundo Monetário Internacional prevê que a média de crescimento da África Subsaariana deva chegar a 6,1% neste ano, frente a 3,7% da média mundial.
Críticos argumentam que esses números provêm principalmente da venda das reservas de petróleo e gás ou de metais e minerais valiosos e que os lucros têm sido divididos entre os conglomerados estrangeiros e as contas "offshore" dos plutocratas do continente.
Ruanda oferece um modelo alternativo, dizem analistas. Sua economia cresceu em média quase 8% ao longo dos últimos quatro anos, graças a uma produtividade cada vez maior, ao turismo e aos gastos governamentais com infraestrutura e habitação. Apesar de ter uma população de apenas cerca de 12 milhões, Ruanda foi recentemente apontada pela consultoria A.T. Kearney como o mais atraente mercado africano para o varejo, no seu primeiro Índice de Desenvolvimento do Varejo para a África.
Ruanda depende fortemente de ajuda estrangeira, que foi reduzida depois que um relatório das Nações Unidas acusou o país de fomentar uma recente rebelião na vizinha República Democrática do Congo. Mais do que nunca, Ruanda está à caça de investidores em vez de doadores. Em abril do ano passado, vendeu US$ 400 milhões em títulos para investidores de todo o mundo, parte de um ano recorde para os papéis africanos.
A desaceleração na China, a redução da compra de títulos por parte do Fed (banco central dos EUA) e a fuga de capital dos mercados emergentes puseram em perigo os ganhos no continente. Mas alguns analistas dizem que Ruanda aguentou melhor do que muitos outros e tem avançado no padrão de vida.
Entre 2001 e 2011, a nação reduziu de 59% para 45% a parcela da população que vive na pobreza, e o contingente que está na pobreza extrema vem diminuindo ainda mais rapidamente.
Ainda assim, ao lado do Kigali City Tower, os telhados enferrujados das construções em ruínas são testemunhas do desafio envolvido no objetivo de Ruanda: se tornar um país de renda média. A estimativa é que 90% da população ainda trabalhe nos terraços construídos em morros verdejantes, cultivando banana, sorgo, batata e outros produtos, numa agricultura majoritariamente de subsistência.
Ruanda espera se tornar um centro de tecnologia da informação para os 135 milhões de habitantes da Comunidade do Leste Africano, um mercado comum regional. O país se equipou com cabos de fibra óptica e, no ano passado, o governo assinou um acordo para construir uma rede 4G que cobriria 95% do seu território.
Mas Ruanda enfrenta dura concorrência. O Quênia tem um próspero ambiente para start-ups e possui representações do Google, da Intel e da Microsoft, além de um mercado consumidor muito maior. Mas as ruas tranquilas e a ausência de crimes violentos tornam Kigali muito mais atraente em comparação com as vias perigosas e engarrafadas de Nairóbi.
Em Ruanda, os índices de expectativa de vida, alfabetização, matrícula escolar e gastos com saúde melhoraram nos últimos anos. O governo demoliu milhares de casebres com telhados de sapé. Ofereceu vasectomia gratuita e está promovendo uma campanha de circuncisão para reduzir o número de infecções por HIV.
Grupos de defesa dos direitos humanos continuam a atacar o governo ruandês por suas medidas de repressão política. Ao mesmo tempo, organizações pró-desenvolvimento elogiam as reformas econômicas ruandesas, tendo o Banco Mundial dado ao país notas altas pela facilidade para se fazer negócios e posicionado o país em 32° lugar entre 189 do mundo todo.
"Começar é bem fácil", disse Clarisse Iribagiza, cofundadora de uma empresa de tecnologia chamada HeHe. Ela disse que a abertura da empresa levou apenas um dia e custou menos de US$ 40.
Elettra Pauletto, analista da consultoria Control Risks, de Londres, afirmou que, embora Ruanda possa atrair investimentos ao impor rigidamente um ambiente de eficiência e estabilidade, esse pode ser um lugar difícil para negócios que entrem em conflito com o governo. "É um ambiente político muito autoritário", disse ela. "Pode ser que a inviolabilidade dos contratos não seja respeitada."
Como a Bolsa de mercadorias, a Bolsa de Valores de Ruanda, que abriu suas portas em 2011, ainda está se firmando. Pierre Célestin Rwabukumba, 39, executivo-chefe da Bolsa de Valores e ex-corretor de ações em Nova York, voltou para Ruanda em 2004. "Nós começamos do nada nove anos atrás", disse ele sobre a Bolsa, sentado em seu escritório no Kigali City Tower.
Somente duas empresas nacionais fizeram uma oferta pública inicial. Mas ele disse que o índice ruandês de ações subiu 44% em 2013, um sinal, do seu ponto de vista, de que a Bolsa, como o próprio país, vai na direção certa.
Alguns andares acima, Ara Nashera, 27, diretor de criação da Zilencio Creativo, estava trabalhando em uma plataforma de financiamento coletivo chamada eNkunga, que procura aproveitar o dinheiro trocado via celulares. A tecnologia pode ser nova para Ruanda, mas não o conceito.
"Contribuições coletivas são a maneira como as pessoas mandam um filho para a universidade e custeiam um casamento", disse Nashera. "É o jeito antigo transformado em novo".
Fonte: Folhauol
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