segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ONU quer informações sobre encerramento de locais de culto em Angola


Escritório dos Direitos Humanos respondeu à questão de jornalista sobre sobre alegações de que medida está a ser aplicada pelo governo angolano; autoridades do país negam existência de política para "perseguir igrejas ou religiões."
Bandeira de Angola
Eleutério Guevane, Rádio ONU em Nova Iorque.*
O Escritório dos Direitos Humanos das Nações Unidas disse que pediu esclarecimentos às autoridades angolanas sobre denúncias de "destruição de mesquitas e possíveis restrições às liberdades religiosas."
A informação foi dada, em Genebra, em resposta à questão de um jornalista a partir de relatos na media internacional a dar conta do tipo de ações no país africano.
Política
Mas agências noticiosas locais citam o ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, a negar a existência de uma "política governamental para perseguir igrejas ou religiões."
O governo informou que o encerramento de vários centros de culto é justificado com o incumprimento de processos formais, com umas "autorizadas a professar a sua religião ou a construir igrejas em lugares devidamente indicados pelas autoridades do Estado." 
Confissões Registadas
Os relatos das agências referem que das cerca de 1,2 mil denominações cristãs e oito islâmicas existentes no país, 83 confissões religiosas estão registadas oficialmente por lei.
A entidade da ONU disse que, apesar de não ter instalações próprias em Angola, está a recolher informações de várias fontes sobre o tema.
*Apresentação: Denise Costa./radioonu

Em 1 de dezembro de 1955, a americana Rosa Parks venceu o racismo e entrou para a história

Rosa-Parks


No dia 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks se negou a ceder a um branco o seu assento num ônibus. O ato foi um marco no movimento antirracista nos Estados Unidos.
Em Montgomery, capital do Alabama, as primeiras filas dos ônibus eram, por lei, reservadas para passageiros brancos. Atrás vinham os assentos nos quais os negros podiam sentar-se. No dia 1° de dezembro de 1955, Rosa Parks tomou um desses ônibus a caminho do trabalho para casa e sentou-se num dos lugares situados ao meio do ônibus. Quando o motorista – branco – exigiu que ela e outros três negros se levantassem para dar lugar a brancos que haviam entrado no ônibus, Parks se negou a cumprir a ordem. Ela continuou sentada e, por isso, foi detida e levada para a prisão.
O protesto silencioso de Rosa Parks propagou-se rapidamente. O Conselho Político Feminino organizou, a partir daí, um boicote de ônibus urbanos, como medida de protesto contra a discriminação racial no país. Martin Luther King Jr. foi um dos que apoiaram a ação. O ativista e músico Harry Belafonte lembra-se como sua vida mudou após o dia em que King o chamou por telefone para pedir apoio à ação da mulher que ficou conhecida como a "mãe dos movimentos pelos direitos civis" nos EUA.
"A atitude de Rosa Parks nos permitiu reagir contra as pressões política e social que caracterizavam nossa sociedade. Quando King me telefonou, me chamando para um encontro, comecei, pela primeira vez, a lutar oficialmente por essa causa. Quando nós nos vimos e falamos sobre seus planos, percebi que a partir dali eu me engajaria no movimento liderado por ele e Rosa Parks. Foi um momento muito importante", lembrou Belafonte.
Música e agressão
Poucos dias depois da atitude espontânea de Parks, milhares de negros se recusaram a tomar ônibus a caminho do trabalho. Enquanto as empresas de transporte coletivo começaram a ter prejuízos cada vez maiores, os negros andavam – caminhando muitas vezes vários quilômetros –, acenando e cantando pelas ruas, sendo também frequentemente xingados e agredidos por brancos.
O boicote contou com o apoio de várias personalidades conhecidas, como a cantora de gospel Mahalia Jackson, que fez uma série de shows beneficentes para ajudar os ativistas do movimento que se encontravam presos. "Não seria honesto omitir que fiquei extremamente feliz por ser a primeira cantora de gospel a se apresentar no Carnegie Hall, em Nova York, e no Albert Hall, na Inglaterra. A verdadeira sorte para mim, no entanto, é poder cantar nas prisões para os que se encontram isolados do mundo", declara Jackson.
Medalha do Congresso
No dia 13 de novembro de 1956, a Corte Suprema norte-americana aboliu a segregação racial nos ônibus de Montgomery. Poucas semanas mais tarde, a nova lei entrou em vigor em Montgomery. Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos num ônibus e ocuparam lugares na primeira fila.
Em junho de 1999, o então presidente Bill Clinton condecorou Rosa Parks, então com 88 anos, com a medalha de ouro do Congresso norte-americano. Durante a cerimônia da condecoração, Clinton acentuou que Parks foi capaz de lembrar aos EUA que a promessa de liberdade vinha sendo apenas uma ilusão para milhares de cidadãos do país. Em seu discurso de agradecimento, Parks ressaltou que a homenagem deveria servir para encorajar todos os que lutam pela igualdade de direitos em todo o mundo.
Fonte: Revista Afro

domingo, 1 de dezembro de 2013

Noémia de Sousa - Magaíça


A manhã azul e ouro dos folhetos de propaganda
engoliu o mamparra,
entontecido todo pela algazarra
incompreensível dos brancos da estação
e pelo resfolegar trepidante dos comboios
Tragou seus olhos redondos de pasmo,
seu coração apertado na angústia do desconhecido,
sua trouxa de farrapos
carregando a ânsia enorme, tecida
de sonhos insatisfeitos do mamparra.

E um dia,
o comboio voltou, arfando, arfando...
oh nhanisse, voltou.
e com ele, magaíça,
de sobretudo, cachecol e meia listrada
e um ser deslocado
embrulhado em ridículo.

Ás costas - ah onde te ficou a trouxa de sonhos, magaíça?
trazes as malas cheias do falso brilho
do resto da falsa civilização do compound do Rand.
E na mão,
magaíça atordoado acendeu o candeeiro,
á cata das ilusões perdidas,
da mocidade e da saúde que ficaram soterradas
lá nas minas do Jone...

A mocidade e a saúde,
as ilusões perdidas
que brilharão como astros no decote de qualquer lady
nas noites deslumbrantes de qualque City.

Magaíça: S.2g. [Moçambique] 1. trabalhador exportado para a África do Sul;
2. [por extensão] indivíduo forçado a trabalhar; GRAM tb. ocorre em Moçambique grafado magaíssa e magaysa;
ETIM segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, ronga magayisa 'trabalhador que regressa das minas da África do Sul';

Evangélicos discutem a Lei 10.639 em Salvador




O Coletivo de Negras e Negros Evangélicos (CUXI),  juntamente com o Instituto Mão Amiga, promovem,  em comemoração ao novembro negro, o seminário educadores evangélicos e aplicação da lei 10639/03 na sala de aula. Segundo a organização do evento o objetivo da atividade  é  "capacitar profissionais da educação que se declaram evangélicos, através da formação continuada na aplicabilidade da lei 10.639/2003, visando o empoderamento da população negra, desmistificando assim a quebra de paradigmas referente ao ensino de História da África e Afro-brasileira  que vigoraram por muito tempo." O evento ocorre nesse dia 30 de novembro, de 08 às 17h, na Igreja Batista Sião no bairro do Campo Grande, em Salvador.
Fonte: correionago

Documentário mostra a dedicação de Abdias Nascimento na militância pelos direitos dos negros





Documentação mostra a dedicação de Abdias Nascimento na militância pelos direitos dos negros

Documentário mostra a dedicação de Abdias Nascimento na militância pelos direitos dos negros. Ele foi dramaturgo, escritor, pintor, professor, deputado e senador da República. Uma trajetória difícil durante a ditadura militar, atuando em várias frentes de luta. O documentário "Abdias Nascimento" reúne as histórias contadas no último depoimento gravado por ele. O filme produzido por Fernando Brito é uma realização da TV Câmara.
Fonte: Geledes

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana


Esta páginas e para mostra os inúmeros jogos africanos que nossa população negra da Diáspora desconhece, e quanto esses jogos estimulação o raciocínio lógico e matemático.

Jogos Africanos De Tabuleiro – A Matemática Na Cultura Africana

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana
SHISIMA
O jogo  Shisima, é um jogo que envolve o alinhamento de três peças, jogado pelas crianças da parte ocidental do Quênia
Na língua tiriki, a palavra shisima quer dizer “extensão de água”. Eles chamam as peças de imbalavali ou pulgas-d’água.
As pulgas-d’água movimentam-se tão rapidamente na água que é difícil acompanhá-las com o olhar.
Este jogo se assemelha as estratégias utilizadas em nosso “jogo da velha”, mas neste tenta-se impedir que o adversário alinhe suas peças em uma das diagonais do tabuleiro octagonal (oito lados).
É um jogo que envolve estratégia, racíocinio e antecipação.
Na matemática trabalhamos com a construção do tabuleiro, onde é possível explorar conceitos matemáticos de geometria (raio, diâmetro, círculo, circunferência,…), frações, medidas, ângulos e principalmente o desenvolvimento do racícionio lógico.

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana

YOTÉ

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana

Este jogo, muito popular em toda a região oeste da África (particularmente no Senegal), é uma das melhores escolhas para a introdução do educando à cultura africana e, ao mesmo tempo, convidá-lo a desenvolver seu raciocínio e sentido de observação.

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana

Em alguns países africanos, os jogos de estratégia, como o Yoté, estão muito ligados às tradições. As táticas de jogo são verdadeiros segredos de família, passados de geração em geração; as crianças são iniciadas ao conhecimento do jogo quando estas se mostram aptas ao raciocínio estratégico. Entre alguns povos, este jogo é reservado exclusivamente aos homens, e às vezes, é usado para resolver conflitos entre eles. Outro motivo que faz o Yoté popular, principalmente no Senegal, é o fato de que os jogadores e os espectadores fazem apostas baseadas neste jogo.
 
Em muitos grupos infantis, as crianças costumam traçar o tabuleiro na areia, utilizando como peças pequenos cocos, sementes, pedras ou qualquer outro recurso facilmente conseguido.
Classificado entre “os melhores jogos da infância” pelo Comitê Internacional da UNICEF, este jogo desenvolve muito a sagacidade e o sentido de observação. Com uma estrutura e regras totalmente baseados em estratégia, o Yoté incentiva o educando ao raciocínio, desde o posicionamento da primeira peça até a percepção de que se ganhou ou perdeu a partida. Vale ainda destacar a semelhança das regras do Yoté com o jogo de Damas, muito popular entre os brasileiros.
 
Regras do Yoté

  • É um jogo de confronto estratégico para 2 jogadores.
  • Usa-se um tabuleiro de 30 casas com 24 peças, 12 de cada cor ou tonalidade.

Objetivo: Capturar ou bloquear todas as peças do adversário.
Início da partida

  • Cada jogador escolhe uma cor e coloca sua reserva de peças fora do tabuleiro.
  • Os jogadores determinam quem começa.
  • Cada jogador, na sua vez, pode colocar uma peça em uma casa vazia da sua escolha, ou mover uma peça já colocada no tabuleiro.

Movimentos: As peças se movimentam de uma casa em direção a uma casa vazia ao lado, no sentido horizontal ou vertical, mas nunca na diagonal.

Jogos Africanos – A Matemática Na Cultura Africana

Captura

  • A captura ocorre quando uma peça pula por cima da peça do adversário, como no jogo de Damas

  • A peça que captura deve sair da casa adjacente à peça capturada e chegar, em linha reta, na outra casa adjacente que deve se encontrar vazia.
  • Além de retirar a peça capturada, o jogador retira mais uma peça do adversário de sua livre escolha. Assim, para cada captura, o jogador exclui um total de duas peças do adversário.
  • A captura não é obrigatória.
  • Caso um jogador sofra captura de uma peça e não possua outras sobre o tabuleiro, seu adversário não poderá reivindicar a outra peça a qual teria direito.

Captura múltipla

  • Um jogador pode capturar várias peças do adversário com a mesma peça, até que não haja mais condições de pular.
  • Durante a captura múltipla é obrigatório, depois de cada captura, retirar a segunda peça antes de prosseguir com outras capturas.
  • É permitido retirar uma peça que lhe dê condição de continuar capturando outras peças.

Final do jogo

  • O jogo termina quando um dos jogadores ficar sem peças ou com as peças bloqueadas.
  • Quando os jogadores concordam que não há mais nenhuma captura possível, vence aquele que capturou mais peças.
  • Se ambos os jogadores ficarem com 3 ou menos peças no tabuleiro, e não seja mais possível efetuar capturas, o jogo termina empatado.




Fonte: Elegbaraguine/Geledes

O Brasil e a África negra

O Brasil e a África negra


José Luís Fiori

Já está em pleno curso uma nova corrida imperialista, entre as grandes potências, e um dos focos desta disputa é, mais uma vez, a própria África.

Ao incluir a África dentro do seu “entorno estratégico”,  e ao se propor aumentar sua influência no continente africano, o Brasil precisa ter plena consciência que está entrando num jogo de xadrez extremamente complicado. Porque já está em pleno curso – na 2º década do século XXI - uma nova “corrida imperialista”, entre as  “grandes potências”, e um dos focos desta disputa é, mais uma vez, a própria África. E não é impossível que as velhas e novas potências envolvidas na disputa pelos recursos estratégicos da África, voltem a  cogitar da possibilidade de estabelecer novas formas maquiadas de controle colonial sobre alguns  países africanos, que eles mesmo criaram, depois da IIº Guerra Mundial.

A África é o segundo maior e mais populoso continente do mundo: tem uma área de 30.221. 532 km2 e uma população de cerca de 1 bilhão  de habitantes, 15% da população mundial. O continente inclui a ilha de Madagascar, vários arquipélagos , 9 territórios e 57 estados independentes. Os europeus chegaram à costa africana e iniciaram seu comércio de escravos negros, no século XV e XVI, mas foi só no século XIX, que as grandes potências europeias ocuparam e impuseram sua dominação em todo continente, menos a Etiópia.

A independência africana, depois da II Guerra Mundial, despertou grandes  expectativas com relação aos seus novos governos de “libertação nacional” e seus projetos de desenvolvimento. Este otimismo inicial, entretanto, foi atropelado por sucessivos golpes e regimes militares, e pela crise econômica mundial que atingiu todas as economias periféricas na década de 70, provocando prolongado declínio da economia africana.

Na década de 90, inclusive, se generalizou em alguns círculos a convicção de que a África seria um continente “inviável” e marginal dentro do processo vitorioso da globalização econômica. E de fato, naquela década, apenas 1% do fluxos dos Investimentos Diretos Estrangeiros, de todo o mundo, foram destinados aos 57 países africanos. Depois de 2001, entretanto, a economia africana ressurgiu, acompanhando o novo ciclo de expansão da economia mundial, igual como aconteceu na América do Sul.

Esta mudança radical da economia africana  se deveu sobretudo ao impacto do crescimento econômico da China e da Índia, que consumiam 14 % das exportações africanas, no ano 2000, e hoje consomem 27%, igual que a Europa e os Estados Unidos, que foram os antigos “donos” comerciais do continente. Na direção inversa, as exportações asiáticas para a África vêm crescendo à uma taxa média de 18% ao ano, junto com os investimentos diretos chineses e indianos, sobretudo em energia, minérios e infra-estrutura. 

Neste sentido, não cabe mais duvida, devido ao volume e a velocidade dos acontecimentos: a África é o hoje, o grande espaço de “acumulação primitiva” asiática, e uma das principais fronteiras de expansão econômica e política, da China e da Índia.

O problema é que neste mesmo período, os Estados Unidos também aumentaram  seu envolvimento militar e econômico africano, em nome do combate ao terrorismo, e da proteção dos seus interesses energéticos, sobretudo na região do “Chifre da África” e do Golfo da Guiné, que deverá estar cobrindo aproximadamente 25% das importações norte-americanas de petróleo, até 2015. E o mesmo aconteceu com a União Europeia, e em particular, com a  França e a Grã Bretanha, que inclusive participaram, neste período, de intervenções militares diretas no território africano. E a própria Rússia tem intensificando seus acordos envolvendo venda de armas e alguns projetos bilionários de suprimento de gás para Europa, através da Itália, e do deserto do Saara.

A relação do Brasil com a África, durante quase todo o século XX, foi de estranhamento e submissão aos interesses das potôncias coloniais europeias, e à estratégia norte-americana da Guerra Fria. Foi só no início da década de 60 que esta posição mudou pela primeira vez, com a “politica externa independente”- PEI,  dos governos de Jânio Quadros e João Goulart, entre 1961 e 1964, política que foi retomada durante o governo Geisel, e depois foi relaxada durante os governos neoliberais da década de 90. Só agora, no início do  século XXI,  o Brasil retomou e e assumiu explicitamente seu interesse estratégico na África, propondo-se irradiar sua liderança e projetar sua influencia política e econômica, sobretudo na sua região subsaariana.

O Brasil é o único país sul-americano que é também negro e que tem excelentes oportunidades econômicas no território subsaariano, em infraestrutura e serviços, mas também na indústria e na capacitação da sua mão de obra.  Entretanto, para manter sua decisão estratégica e conquistar espaços, o Brasil tem que estar disposto e preparado para enfrentar a pesada concorrência das velhas e novas potências, como China e Índia, que tem muito maior capacidade imediata de mobilização econômica e militar. E terá que começar pela conscientização e mobilização da sua própria sociedade, e em particular, de suas elites brancas que sempre tiveram enorme dificuldade de  reconhecer, aceitar e valorizar as raízes africanas e negras do seu próprio país.

Fonte: Carta Maior/Geledes

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...