quinta-feira, 14 de março de 2019

Entrevista com a escritora moçambicana Paulina Chiziane

Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, a escritora Paulina Chiziane questiona tabus, dá voz às mulheres silenciadas por tradições e religiões enquanto descortina, por meio da literatura, novas possibilidades sociais ao seu povo

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Paulina Chiziane rompeu o silêncio e quebrou tabus. A escritora foi, em 1990, a primeira mulher moçambicana a publicar um romance no país africano.
E, ao contrário das expectativas, não se valeu da escrita para falar sobre as idealizações relacionadas ao universo feminino. Por meio de seus personagens e de suas histórias ela questionou tradições, religiões e o papel social da mulher moçambicana. Provocou uma explosão de pensamentos e incitou novas questões. Ampliou visões.
Insurgente, Paulina Chiziane afirma que escreve de forma a “descolonizar” a cabeça do povo moçambicano, independente de Portugal há apenas quarenta anos.
Enquanto primeira mulher escritora ela foi e permanece sendo alvo de críticas dos setores sociais conservadores de Moçambique. Todavia, não se intimida nem se limita por essas posições contrárias.
Em 2003 venceu o Prêmio José Craveirinha, a comenda literária mais importante do país, com seu livro Niketche - Uma História de Poligamia.
Nesta obra ela questiona o sistema patriarcal que impera em Moçambique e coloca a mulher em lugar de destaque.
Aos 61 anos, sendo vinte deles dedicados à literatura, Paulina Chiziane tem nove livros publicados e revela-se cansada de produzir em “larga escala”.
Questionada sobre como classifica o trabalho que produz, Paulina Chiziane é categórica: “O que eu faço é guerra”.

O POVO - Como teve início a trajetória da senhora como escritora?
PAULINA - Não sei por que iniciei a escrever, nem quando. Escrever é algo que sempre fez parte de mim, desde muito pequena. Sempre que via um papel e um lápis lá estava eu a rabiscar, criando histórias. O primeiro texto que lembro de ter escrito foi uma redação sobre a Páscoa ainda na escola primária. Essa redação foi muito elogiada pela professora. Foi a partir dela que eu vi que era possível escrever e desde então continuei escrevendo. Escrevo porque escrever é minha vontade maior.

OP - A senhora nasceu em uma família cristã protestante. De que forma a religião e a fé a influenciaram como escritora?

PAULINA - A religião teve uma influência positiva e negativa sobre mim enquanto escritora e pessoa. Positiva porque me ensinou os valores universais. E negativa porque me mostrou uma visão distorcida do lugar da mulher. Para a religião, a mulher olha sempre para o outro, nunca para si. É sempre coadjuvante, nunca protagonista. A mulher na religião tem um lugar de silêncio. E eu não concordo com essa visão. 
OP - Como o leitor moçambicano vê a literatura produzida por mulheres?
PAULINA - A primeira reação para comigo foi muito má. Porque ninguém acreditava que uma mulher pudesse escrever. Ou melhor, sabiam que uma mulher tinha capacidade para escrever, mas estavam à espera que eu escrevesse aquelas coisas bonitas, todas cor de rosa. Idealizações. Falar de amor, falar de criança. Então quando eu apareci, de uma forma ousada, houve muita resistência para receber o meu trabalho. 

OP - Como a senhora se define enquanto escritora? Diria que é feminista?

PAULINA - Não me sinto nem feminista nem coisa nenhuma. Eu me sinto uma guerreira. O que eu faço é guerra. A partir do momento em que eu comecei a colocar determinados temas e pontos de vista em debate eu comecei a mostrar que as mulheres também se levantam. Mostrei que há muita mulher com muita capacidade, que são muito boas no que fazem, mas que tinham medo de escrever. E eu mostrei que escrever era possível. Então foi assim que eu comecei a fazer a minha guerra. Começou-se a se ver que há um grupo de pessoas silenciadas. E que essas pessoas podem se levantar e falar.
 
OP - A senhora foi a primeira moçambicana a escrever um romance, o livro Balada de Amor ao Vento, isso nos anos de 1990. Depois desse lançamento, como foi a abertura para que outras mulheres também escrevessem em Moçambique?
PAULINA - Agora muitas mulheres escreveram e escrevem em Moçambique. Sobretudo as mulheres mais jovens. Mas o problema é sempre o mesmo: elas começam muito jovens a escrever coisas muito bonitas e depois vem o casamento, vêm os filhos, e elas param, só retornando quando os filhos crescem. E aí começam um outro processo de construção enquanto escritoras. Mas há bastante mulheres escrevendo aqui e isso é muito animador.

OP - Seu livro mais famoso é Niketche - Uma História de Poligamia, uma história que aborda a quebra com uma sociedade patriarcal e de aprisionamento feminino. Como ele foi recebido em Moçambique?

PAULINA - O meu país é muito interessante. Em termos políticos, o partido no poder é todo pela libertação feminina, e o discurso do poder é um discurso libertário. Mas as tradições, as religiões, são aquelas que ainda querem manter a mulher numa posição muito má, de submissão. Foi por isso que preferi publicar esse livro primeiramente em Portugal e só depois trazê-lo a Moçambique. E isso gerou um efeito bom, porque o livro foi muito bem recebido em Lisboa. Em Portugal ele foi um best seller. Foi muito bem vendido e comentado. Então foi um livro que já chegou em Moçambique com uma boa crítica, e ninguém discutiu se era bom ou ruim. Foram ler. Essa foi uma estratégia que eu usei e funcionou para que o livro tivesse entrada no meu país. Mas mesmo assim houve algumas vozes contrárias. No entanto esse livro foi crescendo com o caminhar dos tempos, foi adaptado para o teatro, para a dança, para a pintura. É um livro que circula o mundo inteiro. Um livro explorado e bem comentado. E aí foi que outras mulheres tiveram coragem para também de começar a abordar essas questões sexuais e de lugar social nas suas conversas e posturas.
 
OP - Mas a senhora sempre fala em “descolonizar” a cabeça do povo moçambicano com sua literatura e começou a publicar um livro polêmico em Portugal, o colonizador de Moçambique. Isso não é contraditório?
PAULINA - É e não é. Não é porque nós temos que usar a melhor estratégia para termos visibilidade e aceitação quando lançamos um novo livro. Um país colonizado como Moçambique acredita mais naquilo que é aceito do lado de fora. A cabeça do povo é assim. Então isso foi uma questão estratégica mesmo. Porque eu sabia que se o livro fosse publicado em Moçambique primeiro seria sempre a mesma barreira, a mesma resistência e preconceito. Então eu fui primeiro para Lisboa. E foi assim que funcionou. 

OP - A senhora enquanto mulher ainda sofre com algum tipo de opressão na literatura? Ainda encontra dificuldade de aceitação do seu trabalho?

PAULINA - Olha, eu estou a viver uma situação única neste momento. Eu escrevi um livro muito atrevido que coloca um curandeiro para analisar o Novo Testamento bíblico. O livro se chama Ngoma Yethu: O curandeiro e o Novo Testamento. O curandeiro aqui em Moçambique é o que no Brasil vocês chamam de pai e mãe de santo. Então eu fiz essa aventura. Eu coloquei uma mãe de santo a fazer uma comparação entre aquilo que é filosofia do mundo cultural africano e o novo testamento da Bíblia Sagrada. Esse trabalho é inédito, nunca foi feito em Moçambique. E ele assustou muito as pessoas. Segundo as análises comparativas que fizemos, a cultura africana está muito mais perto de Jesus Cristo do que aquilo que as religiões cristãs europeias ensinam e impõem. Então esse é um livro ousado, dentro de um tema ousado. E as igrejas estão muito zangadas comigo, sobretudo as igrejas cristãs evangélicas. Porque eu fui tocar no intocável. Mas a minha situação atualmente, apesar de tocar no que é polêmico, é uma situação de prestígio. Hoje em dia os que não gostam de mim não sabem mais lidar comigo e preferem ficar quietos. Fazem ataques indiretos, ataques mudos. Mas de minha parte estou muito feliz de provar ao mundo que a cultura africana está muito mais próxima de Jesus Cristo do que a cultura europeia. E o livro é um sucesso.
 
OP - Em fevereiro de 2012 a senhora passou uma semana internada em um hospital psiquiátrico e dessa experiência nasceu o livro Na Mão de Deus. A senhora não teve medo de, com esse livro, ser taxada de louca justamente por essas pessoas que a atacam continuamente?
PAULINA - Ora, mas eu estive em um hospital psiquiátrico, querida! (risos). Foi lá onde me inspirei. Eu tive uma crise psicótica. Em um dia que eu queria porque queria entregar um trabalho concluído a qualquer custo. E nesse dia minha cabeça pifou. Então eu fui pra psiquiatria. E lá eu descobri outro lado do mundo. Outra realidade. E pensei: eu vou fazer um livro. Contra tudo e contra todos que critiquem esse tema, eu preciso fazer esse registro. E eu fiz. Contra todas as correntes de pensamento contrárias. Na Mão de Deus é um livro inicial em que eu descobri que afinal de contas existe um mundo ainda por ser descoberto e escrito. Eu ousei. Mas pra que você entenda meu contexto social: esse é um livro que está aqui e é muito lido, é muito bem vendido, mas que ninguém fala sobre ele. Ninguém toca nos temas de crise e loucura. As pessoas têm medo. Porque pensam primeiro na igreja, nas tradições, aquelas coisas todas. 

OP - A senhora está me dizendo que seu livro é muito lido, mas que ninguém fala sobre ele. Ainda assim acredita que a literatura é um transformador social, principalmente em prol dos direitos da mulher?

PAULINA - Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Eu tenho muita certeza. A leitura modifica. Foi por meio dela que eu comecei a perceber o feminino e escrever a mulher de outra forma, um modo diferente do que a sociedade me impunha. E quando eu comecei a escrever sobre poligamia, primeiro foi austeridade, mas logo depois foi uma explosão. Foi por meio do Niketche - Uma História de Poligamia, que portas foram abertas. Viu-se a possibilidade do feminino e que é muito bom escrever sobre o feminino. Começou-se o debate. Agora do debate para mudança, disso eu já não sei. É mais delicado, realmente. Mas acho que é muito bom que as pessoas falem de realidades diferentes dentro de suas esferas pessoais. Para mim, sem dúvida nenhuma, a literatura é o espaço maior de negociação da identidade da mulher.
 
OP - As mulheres moçambicanas se identificam com a literatura que a senhora produz ou existe também uma resistência por parte delas?
PAULINA - Posso dizer que eu tive muita sorte. Porque o livro que eu escrevi, Niketche, é um livro tão agradável que as pessoas primeiro o leram, depois se divertiram, e, no fim, refletiram. As mulheres comuns, no geral, sentiram uma alegria infinita. Mas houve outras mulheres, que pertencem a determinados setores sociais, que se enfureceram, e começaram a procurar maus elementos nele. Eu estou a falar sobretudo do mundo religioso. São elas as maiores conservadoras. Mas para o restante das mulheres foi uma felicidade tamanha. Inclusive os homens leem e riem, acham interessante. Os homens também receberam muito bem o livro. 

OP - Como é a realidade social entre homem e mulher em Moçambique? Existe algum silenciamento dos homens para com as mulheres?

PAULINA - O nosso país tem uma independência muito jovem, há apenas 40 anos que não somos colônia. É muito pouco na vida de um país. E as mudanças iniciais ainda estão acontecendo. Há uma diferença de comportamento dos homens que vivem nas cidades mais periféricas, no campo. Esses têm mais tendência para mudanças. Olhe bem, é uma tendência, não digo ainda nem que é uma mudança. Digo que lá eles têm uma tendência de enxergar as coisas de modo mais diferente. Já os homens das cidades grandes, mais tradicionais, são mais conservadores. E a sociedade mais tradicional é a que mantém esses estados de opressão. Mas vejo que nossa perspectiva é boa. Penso que haverá uma mudança estrutural. Mas é um processo. Aqui as coisas estão melhorando. A educação está melhorando. Os movimentos femininos estão avançando. Mas a mudança mesmo, grande, ainda não chegou.
 
OP - Quais são as autoras que influenciam a senhora na escrita?
PAULINA - Na literatura moçambicana, pela sua ousadia, eu destaco a (poetisa, jornalista e militante política) Noémia de Sousa (1926-2002). Ela foi ousada em desafiar o sistema naquela altura da história. Eu gosto muito dela. Na literatura portuguesa, pela sua beleza, pela estética, influencia-me muito a Florbela Espanca.

OP - A senhora destaca alguma autora brasileira?

PAULINA - A brasileira que, sem dúvida, nos últimos tempos tem estado a me influenciar é Clarice Lispector. Pela sua loucura. (risos). Eu admiro muito aquela forma inusitada de descrever o tempo-espaço. Gosto muito, muito, do trabalho dela.
 
OP - A senhora declarou em entrevistas recentes que deseja parar de escrever. Esse sentimento mudou?
PAULINA - Estou cansada. E às vezes é preciso controlar a opinião pública. Sabe por quê? Há pessoas que me julgam como se eu estivesse a tomar o lugar de alguém. E não percebem que estou no meu lugar, a trabalhar. E algumas vezes a minha presença se torna incômoda. E quando é assim eu digo: “Com licença, fique com o lugar. Bom trabalho”. Mas além disso estou cansada também, não há dúvida. 

OP - Esse cansaço sinaliza o fim da produção da senhora?

PAULINA - Não é propriamente o fim da produção. Mas é uma mudança que preciso imprimir a mim mesma. Já não consigo ficar tanto tempo no computador, canso muito depressa, a coluna já reclama. Então vou tentar descobrir qual a melhor maneira de continuar. Mas posso te afirmar que já não estou mais naquela luta de fazer grandes coisas. Vou fazendo agora o que me apetece fazer. E aos poucos. Eu quero sair dessa corrida de produção em grande escala. E também porque eu entendo que há gente nova que precisa desse espaço para se autoafirmar. Mas se me der na cabeça de que tem algo que precisa ser dito eu escrevo. Mas se não me der também não há cobrança. Quero ficar livre disso.

OP - Como é a rotina de escrita da senhora? Produz textos todos os dias?
PAULINA - Não. Já fiz isso de escrever todos os dias, mas há muito tempo. Agora sou uma preguiçosa. Gosto de me sentar, ver a paisagem, conversar. E então, se me der de escrever alguma coisa, tomo umas notas, deixo por aí e pego outro dia. Já não faço guerra nem faço esforços. Vou fazendo o quanto posso. 

OP - A senhora estará presente na programação da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará para debates sobre o feminino. O que trará para esse evento?

PAULINA - Pra mim o Brasil representa uma escola. Uma escola de luta, de pensamento, de crescimento. Vocês no Brasil têm os problemas que têm e têm a vossa maneira de fazer a luta. Então eu venho mais pro Brasil pra buscar a força. Porque vocês me dão força e eu tenho que me abastecer disso. Eu vivo com a hostilidade no meu país. Já os europeus, mais especificamente em Portugal, sempre me receberam e me deram força. Mas no Brasil teve muito mais. O Brasil devolve-me a história de ser mulher e ser negra. A partir das vossas lutas comecei a perceber que mesmo estando na África, que sofreu escravidão e colonialismo, eu poderia fazer todo esse trabalho de desconstrução do modelo colonial feminino. E nesse aspecto vocês são muito fortes. Então eu vou levar a minha experiência, mas espero também aprender da mulher brasileira outras maneiras de fazer a luta, de fazer a escrita. Eu sinto a minha escrita muito mais próxima do povo brasileiro por causa das nossas ligações ancestrais.
Perfil
Moçambicana de Manjacaze, Paulina Chiziane iniciou sua carreira na literatura em 1984, quando começou a publicar contos na imprensa local. Durante a juventude foi militante da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), principal movimento de luta pela independência do país do domínio colonial de Portugal. Desligou-se da política para dedicar-se inteiramente à literatura, espaço onde coloca a mulher em evidência e reconstrói o contexto social moçambicano. Polêmica, é continuamente alvo de crítica dos setores sociais conservadores de Moçambique.
Fonte: Jornal O Povo de 17/04/2017 - Marina Solon

Carolina de Jesus, força e inspiração 105 anos após seu nascimento

A escritora negra e pobre, um dos principais nomes da literatura no Brasil, é homenageada pelo Google nesta quinta-feira



Se estivesse viva, Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras brasileiras, completaria 105 anos nesta quinta-feira, 14 de março. Seu livro de estreia, Quarto de Despejo, quando lançado em 1960, vendeu 10 mil cópias em uma semana. Moradora da favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, por boa parte de sua vida, Carolina teve fama, foi traduzida em mais de duas dezenas de línguas, chegou a Europa, Ásia e América Latina, mas morreu em relativo esquecimento em 1977. Ainda hoje, a vida dela inspira escritores, jornalistas e até ilustradores à altura de grandes prêmios.
A história mais conhecida sobre a escritora é de que no final da década de 1950, o jornalista Audálio Dantas topou com ela na favela do Canindé e ficou sabendo que aquela mulher negra, que trabalhava na maior parte do tempo como catadora de papel, e que criava sozinha três filhos pequenos, era autora de dezenas de cadernos. Entre eles, um diário extensíssimo, que, editado por Dantas, virou o livro Quarto de Despejo, o primeiro documento que mostrou em primeira pessoa a desagradável realidade de ser mulher, negra e pobre neste país, e, ao mesmo tempo, com quanta dignidade era possível suportar tanta discriminação.
O cotidiano da vida no Canindé – o verdadeiro quarto de despejo do título do livro – narrado por Carolina de Jesus é esquálido, violento, permeado por doenças, alcoolismo e fome, a fome que, logo de início, é definida como a escravidão dos tempos modernos. Mas também é cheio de suas reflexões sobre o Brasil e a vida da mulher negra. O relato literário recebeu críticas e comentários de escritores e intelectuais como Sérgio Milliet, Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira. No exterior, Carolina foi recebida com entusiasmo por Pablo Neruda e Octavio Paz
No ano passado, o jornalista Tom Farias lançou o livro Carolina: uma biografia, editado pela Malê, com o objetivo de humanizar a figura de Carolina de Jesus, tentando desvinculá-la do mito. Para ele, a escritora, ao contrário do que se pensa, não nasceu intelectualmente em 1960, com a publicação de seu livro. A biografia revela textos e matérias de jornais em que Carolina de Jesus já aparecia em 1940. “Ela fazia uma ronda pelas redações e rádios, apresentava-se como 'Carolina Maria, a poetisa negra', e ia oferecendo seus textos para publicação. Muitas vezes, era olhada de forma enviesada, tratada com desdém, mas teve alguns sucessos", conta.

Quadrinhos


Carolina de Jesus


Também em 2018, a vida da autora virou uma biografia em quadrinhos produzida por João Pinheiro e Sirlene Barbosa e publicado pela editora Veneta. O livro, que narra a infância pobre de Carolina de Jesus em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento, venceu o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o mais importante do mundo do gênero, uma espécie de Cannes do HQ.
Para o ilustrador e roteirista João Pinheiro, a palavra que define bem a obra é superação. “A história dela é muito triste, muito pesada muito para baixo. Mas ao mesmo tempo ela tem muita força. Então, apesar de ter essa miséria, fome, a situação degradante que ela vivia, por outro lado ela tem muita força e persistência. E supera tudo, mesmo diante daquelas dificuldades, ela consegue seguir em frente, levantar todos os dias e não desistir. Isso é o principal”, disse.
fonte: El País - Brasil

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Países da África buscam restituir tesouros coloniais roubados


Apesar da resistência dos países da Europa, países africanos querem seus bens de volta

Karlos Yukio
Três Tótens de Benin, pais da África Ocidental, são exemplos de tesouros roubados
Foto: Olivier Laban-Mattei
Numerosas coleções europeias têm em seu conteúdo vários objetos de arte nomeados como “coloniais”, mas adquiridos em condições muitas vezes discutíveis e não claras. O British Museum de Londres e o Museu Tervuren da Bélgica são exemplos desse tipo de prática.
Na época colonial, militares, antropólogos, etnógrafos e missionários que percorriam os países conquistados voltavam para seus países de origem com recordações compradas ou trocadas, e às vezes até roubadas.
Os três totens expostos no Museu Quai Branly de Paris, por exemplo, são detidos com a justificativa de serem uma “doação”. Seu país de origem, o Benim pede a restituição dizendo que os bens são tesouros roubados durante a época colonial.
Na verdade, as imponentes estátuas foram pegas em 1892 pelas tropas francesas do general Alfred Amédée Dodds durante o roubo do Palácio de Abomey, a capital histórica do atual Benim, país vizinho da Nigéria.
Segundo o Benim, na França existem entre 4.500 e 6.000 objetos que pertencem ao país, incluindo tronos, portas de madeira gravada e cetros reais.
A controvérsia não é nova e não concerne unicamente à África. Há décadas a Grécia exige ao Reino Unido, em vão, a restituição dos frisos do Partenon.
Mas o continente africano foi especialmente afetado, como lamenta El Hadji Malick Ndiaye, conservador do museu de arte africana de Dakar, capital do Senegal. “A África sofreu uma hemorragia de seu patrimônio durante a colonização e inclusive depois, com o tráfico ilegal”.
Mais de 90% das peças importantes da África subsaariana estão fora do território do continente, segundo os especialistas. A Unesco apoia há mais de 40 anos a luta dessas nações para que lhes restituam seus bens culturais desaparecidos durante a época colonial.
Para Crusoe Osagie, porta-voz do governador do estado de Edo, na Nigéria, não é normal que seus filhos tenham que ir ao exterior para admirar o patrimônio de seu país. “Esses objetos pertencem a nós e nos tiraram à força”, destaca.
Os dirigentes africanos esperam agora uma mudança de atitude da França, depois que o presidente Emmanuel Macron disse em novembro em Burkina Faso que dará “as condições para uma devolução do patrimônio africano à África” em um prazo de cinco anos.
“Macron se comprometeu com os africanos a mudar o que tem sido as cinco últimas décadas da política de nossos museus: encontrar as artimanhas jurídicas necessárias para evitar a devolução” das peças, observa o historiador Pascal Blanchard, especialista na época colonial.
O British Museum propôs empréstimos à Nigéria e à Etiópia, saqueadas durante uma expedição britânica em 1868, mas resiste a restituir os bens.
Para se negar a devolver as obras, os especialistas argumentaram durante anos que os museus africanos não têm as condições adequadas de segurança e conservação.
Mas de acordo com o conservador do museu de Dakar, El Hadji Malick Ndiaye, se trata de um velho debate. Na África “existem muitas instituições de museus, na África do Sul, no Quênia, no Mali, em Zimbábue”, assegura.
Entretanto, vários museus estão trabalhando para identificar a origem de milhares de obras da época colonial, quando a Alemanha controlava Camarões, Togo e Tanzânia. É o caso do Museu Humboldt Forum, que abrirá em breve em Berlim e especificará a procedência dos objetos.
Fonte: Midiamax

sexta-feira, 20 de abril de 2018

A raposa e o camelo. Lenda do Sudão para as crianças

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Fonte: https://www.megacurioso.com.br/proxima-parada/68352-proxima-parada-sudao-conheca-melhor-este-pais-repleto-de-piramides.htm

Awan era uma raposa muito esperta que adorava as lagartixas. Já tinha comido todas de um lado do rio, mas ela sabia que do outro lado tinha muitas mais. O problema é que Awan não sabia nadar. Depois de pensar muito ela encontrou a solução. Foi ao seu amigo Zorol, que era um camelo e lhe disse: 

- Olá Zorol, eu sei aonde tem um campo enorme, e como eu sei que a cevada te deixa louco, eu gostaria de te ensinar o caminho se você me levar em cima. 

- Vamos, suba! – Disse Zorol sem pensar duas vezes. 

Awan subiu em cima de Zorol e começaram a caminhada. Awan lhe indicou que cruzasse o rio para chegar ao campo cheio de cevada. Logo que cruzaram para o outro lado, Awan mostrou o campo ao seu amigo e foi correndo buscar mais lagartixas. Como o corpo de Awan era pequeno, em pouco tempo já estava satisfeita de comer lagartixas. Foi correndo ao campo onde Zorol estava e começou a gritar e a correr como uma louca. 

Os donos do campo, que tinham uma casa próxima dali ouviram os gritos da raposa. Alarmados, eles pegaram pedras e paus e foram em busca da raposa. Ao chegar ao campo, eles descobriram Zorol, o camelo, que desfrutava tranquilamente da cevada. Deram uma paulada fortíssima em Zorol e pensando que já estivesse morto eles se foram. 

Awan regressou e quando viu a Zorol no chão disse: 

- Zorol, já está anoitecendo. Vamos voltar pra casa! 

Zorol respondeu: Por que você fez isso? Por que gritou como uma louca? Quase me mataram por sua culpa. 

- É que eu tenho o costume de corre e gritar depois de comer lagartixas, respondeu Awan. 

- É isso? Muito bem, vamos pra casa – Disse Zorol. 

Awan subiu de novo ao dolorido corpo do camelo. Zorol entrou no rio e começou a cruzá-lo. Quando estava no meio do rio, Zorol começou a dançar. Awan morrendo de medo gritou:

- O que você está fazendo Zorol? Não faça isso, eu não sei nadar! 

- É que tenho o costume de dançar depois de comer cevada – respondeu Zorol. 

Awan caiu na água e a corrente a levou. Zorol cruzou o rio sem problemas. Dessa forma a raposa recebeu uma boa lição.
Fonte: https://br.guiainfantil.com

A Dinastia dos Faraós Negros


Vindos da Núbia, no atual Sudão, eles conquistaram o Egito antigo e reinaram absolutos por décadas. Mas foram vítimas de preconceito arqueológico
Por Iuri Ramos, do Superinteressante





As pirâmides de Meroë e o faraó Taharqa: história ignorada por muito tempo. (Alexandre Jubran/Superinteressante)


A cena deve ter sido incrível e assustadora. Imagine dezenas de embarcações lotadas de guerreiros descendo o rio Nilo por volta de 730 a.C. O exército havia partido do reino de Kush, na Núbia, território que hoje pertence ao Sudão. Objetivo: conquistar o Egito, já em franca decadência àquela altura.

Quem liderava o ataque era o próprio rei, Piye. No decorrer de um ano inteiro, ele e seus homens derrotaram todos os chefes egípcios que lhes apareceram pela frente. Alguns combates foram especialmente encarniçados. Mesmo assim, as tropas do governante núbio chegaram inteiras até o delta do Nilo. Ao final da campanha, Piye era o senhor absoluto de um império que ia do norte sudanês ao Mediterrâneo. Tornou-se, assim, o primeiro faraó negro da história, representante de uma casta de núbios que controlaria o Egito antigo por décadas durante o que os historiadores hoje chamam de 25ª Dinastia.

Tudo em família

Com a vitória sacramentada, Piye regressou a Napata, na Núbia, trazendo os tesouros  que haviam sido pilhados pelo caminho. Daquela cidade, ele governaria o Egito por 35 anos sem jamais ter seu poder ameaçado. Ao morrer, em 721 a.C., foi sepultado no melhor estilo faraônico: numa pirâmide que havia mandado construir em El-Kurru, no Sudão, junto com seus cavalos favoritos.

Depois dele, vieram Shabaka e Taharqa, integrantes da mesma família. O primeiro, irmão de Piye, decidiu transferir o centro do poder para a cidade de Mênfis, em território egípcio. Ordenou a construção de vários monumentos em Tebas e Luxor, que estão lá até hoje. Em Karnak, Shabaka eternizou sua imagem numa estátua de granito rosa na qual ele aparece com uma coroa formada por duas serpentes – simbolizando a unificação do Alto e do Baixo Egito. Taharqa, por sua vez, era filho de Piye e assumiu o trono em 690 a.C., após a morte do tio Shabaka. Notabilizou-se como guerreiro e chefe militar antes mesmo de virar faraó. E encontraria nos poderosos assírios os seus maiores inimigos.

Hipótese racista

Além de serem personagens historicamente importantes, os faraós negros do Egito deixaram para a posteridade monumentos fantásticos – como as pirâmides de Nuri ou Meroë, bem menos conhecidas e visitadas que as egípcias. Mesmo assim, foram solenemente ignorados ou subestimados por muito tempo. Só nas últimas 5 décadas os arqueólogos passaram a creditar-lhes a devida relevância. O motivo? Preconceito de boa parte dos arqueólogos que monopolizaram as pesquisas sobre o Egito do final do século 19 até a década de 1950.



Os núbios foram reis do Egito por 60 anos. (Pedro Henrique/Superinteressante)

Até o famoso egiptólogo americano George Reisner, da Universidade de Harvard, embarcou no racismo. Entre 1916 e 1919, ele descobriu no Sudão as primeiras evidências de que reis núbios haviam conquistado o Egito. Recusava-se, no entanto, a acreditar que pudessem ter sido negros. Preferia a tese de que, embora controlassem um reino de africanos negros e “primitivos”, eles  teriam a pele mais clara – herança de antepassados egípcios e líbios.

A partir da década de 1960, essa hipótese começou a ser desmontada. Até ser definitivamente arquivada em 2003, quando o arqueólogo suíço Charles Bonnet encontrou em território sudanês 7 grandes estátuas dos faraós negros. Hoje, ninguém mais questiona que o controle dos núbios sobre o Egito foi total. Seu reinado só chegaria ao fim em 670 a.C., com uma ocupação assíria que duraria 8 anos. Ao final desse período, os egípcios passariam a ser governados por Psamtik I, que nada tinha a ver com a dinastia núbia. O Egito ingressaria numa fase de recuperação econômica conhecida como renascença saíta, assim chamada por ter sido liderada pelos soberanos da cidade de Sais.

Citação bíblica

Taharqa, filho de Piye e 3º faraó negro da 25ª dinastia egípcia, é personagem da Bíblia. Ele aparece no Livro dos Reis, do Antigo Testamento. A citação se refere ao avanço do imperador assírio Senaqueribe sobre a região da Judeia por volta de 701 a.C. Taharqa, grafado Tiraca no texto bíblico, ainda não era faraó. Liderava um exército que enfrentou os assírios em Eltekeh, na costa mediterrânea da Palestina – uma batalha sangrenta e que acabou sem vencedores. Quando se preparava para um segundo round, dessa vez nos arredores de Jerusalém, aconteceu o “milagre”: Senaqueribe suspendeu o ataque, levantou o cerco que havia imposto à cidade e misteriosamente foi embora.

Fonte: Gelèdes

terça-feira, 10 de abril de 2018

Brasileiros adaptam Niketche para o cinema

Brasileiros adaptam Niketche para o cinema Foto Divulgação

É do quarto livro de Paulina Chiziane que se trata. Depois de conquistar um vasto público nacional e estrangeiro, a estória da autora moçambicana vai ganhar uma nova vida, com outras personagens, interpretadas maioritariamente por atores brasileiros.
A ideia de levar Niketche para o cinema surgiu de um diretor brasileiro chamado Joel Zito Araújo, muito conhecido por divulgar a importância das culturas africanas naquele país. Na verdade, Araújo está na linha da frente como diretor que fez um filme com o elenco todo negro: As Filhas do vento, de 2004, com participação de Taís Araújo, e que ganhou muitos prêmios com esse questionamento sobre as relações África e Brasil. Joel Zito Araújo leu Niketche e apaixonou-se pela estória. A partir daí, o artista contactou outro rosto influente no processo: Luiza Botelho Almeida, produtora e guionista, a quem coube o desenvolvimento da ideia de adaptar a literatura para as telas.
Até aqui, a equipe que trabalha no projeto já tem um trailer feito. Agora, acertam-se pormenores técnicos e relacionados com patrocínios para que, primeiro, o filme aconteça e, depois, a série televisiva.
Referindo-se a esta experiência, Luiza Botelho Almeida, entende que a maior responsabilidade, no trabalho todo, é a de honrar a cultura de Moçambique, e esclarece: “porque não é possível fazer a adaptação de uma obra tão importante e profunda, como Niketche, de uma autora como Paulina, e ignorar a beleza da cultura de Moçambique. Ao mesmo tempo, temos também a responsabilidade de fazer com que a obra seja extremamente popular. Esses são os dois maiores objetivos que temos. E aqui o Joel Zito traz um elenco brilhante de protagonistas e atores fabulosos no Brasil”. Botelho Almeida refere-se a Adriana Lessa (Rami), Léa Garcia (Abiba), Ery Costa (Tony), Erika Januza (Jacira), Sheron Menezzes (Inês), Juliana Alves (Julieta), Roberta Valente (Luisa) e Cristina Lago (Eva).
Enquanto o filme e a séria ainda não acontecem, a equipe envolvida na produção e realização já partilhou o trailer na internet. Em três dias, alcançaram 40 mil visualizações e inúmeros comentários, por exemplo, no Facebook. Um desses comentários pertence ao ator Lázaro Ramos (marido de Taís Araújo): “Parabéns, Joel. Muito bom. Já quero ver”, disse o ator brasileiro bem conhecido no país por via das telenovelas exibidas pela Stv. Para Almeida, isso revela o interesse que as pessoas têm por este tipo de estórias: “Muitos brasileiros, moçambicanos, portugueses e angolanos querem ver este filme”. E Botelho Almeida não fica por aí: “Achamos que este filme é um passo largo rumo à aproximação cultural entre os povos brasileiro e moçambicano, porque o livro não é só poligamia, uma estória engraçada ou que diverte as pessoas, é também, e essa é a coisa mais profunda, a realidade do lugar da mulher na sociedade, a luta da mulher, dos relacionamentos e das suas verdades”.
Como guionista, Luiza Botelho Almeida revela que sentiu necessidade de conhecer Paulina Chiziane. E, agora que a conhece, deseja conhecê-la ainda mais. “Fiquei com um gostinho de quero mais, depois de conhecer Paulina pessoalmente”.
O espaço escolhido para rodar o filme Niketche, a rainha das rivais é Minas Gerais, uma terra com muita exploração de minas desde o tempo colonial. “Então, acreditamos que o mineiro se parece muito com o moçambicano. O mineiro é muito aconchegante, mas, ao mesmo tempo, desconfiado. Ele é calado, observa e é muito inteligente. Não conta muito de si, faz perguntas”.
Luiza Botelho Almeida acredita que a adaptação de Niketche é relevante para o público brasileiro porque, ainda que a poligamia não faça parte da realidade daquele país, há uma outra vertente com forte relação: “o amantismo. É comum no Brasil um homem com uma esposa e filhos em casa ter uma segunda ou terceira família, sem que saiba. Casos há em que a verdade torna-se pública depois da morte do homem, já no funeral”.   
Entre a emoção e a surpresa…
Embora Paulina Chiziane saiba que é muito e bem estudada no Brasil, a ideia da adaptação do seu livro para o cinema a encontrou desprevenida. “Foi uma surpresa boa! Quando sonhamos com alguma coisa e conseguimos concretizar a nossa pretensão, naturalmente, ficamos muitos felizes. Quando soube da iniciativa de se adaptar Niketche, perguntei-me se era do meu texto que se estava a falar. Estou muito encantada”, expressou-se Chiziane.
Quanto à relevância temática do livro, que faz com que Luiza Botelho Almeida acredite que o filme e a série Niketche, a rainha das rivais serão um sucesso no Brasil e noutros países, Paulina Chiziane esclarece: “somos diferentes como pessoas, mas todos temos um denominador comum. O homem e a mulher têm comportamentos iguais em todo o mundo. O que conto no meu livro, sobre as traições de Tony, tanto encontramos reflectido no Brasil como na China. Confesso que nunca tinha pensado que a voz de uma mulher do meu país pudesse ter tanto eco num outro continente”. Por isso, defende Paulina, o país deve celebrar esta conquista tanto quanto ela a celebra.
 Fonte: O País

Ungulani diz que é urgente a valorização das línguas locais no país

Ungulani diz que é urgente a valorização das línguas locais no país Foto Divulgação

O escritor Ungulani Ba Ka Khosa foi o principal orador da palestra subordinada ao tema “Escrita, interculturalidade e cidadania”, realizada sexta-feira 6 de abril de 2018, na Universidade Lúrio, em Nampula.
No Campus de Marrere, o autor de Gungunhana defendeu a ideia de que a cidadania é um direito inalienável, tendo, igualmente, apelado aos participantes sobre a urgência da valorização das línguas locais, através da criação de bases para o efeito.
Como não deveria deixar de ser, Ungulani referiu-se ao seu último livro. Para o escritor, escrever sobre Ngungunhana justifica-se pelo fato de ele ser um grande exemplo de ditadura acabada, pois, o povo não quer ditaduras. O autor explicou que a escrita não se deve dissociar da expressão oral, pois a oralidade tem um grande contributo nesse sentido, tratando-se de fonte de narrativas únicas e peculiares. Ungulani critica o fato de o país depender, apenas, da escrita em língua portuguesa, enquanto as histórias moçambicanas são contadas em línguas locais. Entretanto, o escritor acredita que a língua portuguesa só poderá crescer quando as línguas locais moçambicanas conseguirem interpretar os seus diversos significados.
O Vice-Reitor Administrativo da UniLúrio, Marcelino Liphola, também presente no evento, explicou que as pessoas pensam que estão a escrever em línguas locais moçambicanas, mas enganam-se, o que desafia a sociedade a criar mais mecanismos para que a valorização das línguas locais seja firme, eficiente e legalmente aceite.
Por outro lado, a Vice-Reitora para a Área Acadêmica, Sónia Maciel, considera a palestra como sendo uma mais-valia para a comunidade acadêmica, e acredita que esta deu bases, principalmente aos estudantes, para perceber traços da literatura moçambicana.
Fonte: O País

Mulheres Pretas

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