quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Gays e negros sempre se ofenderam com piadas de Didi -

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Reportagem de Andrezza Czech, do UOL, em São Paulo, SP, intitulada ‘Para especialistas, gays e negros sempre se ofenderam com piadas de Didi’, entrevista especialistas como o professor doutor Dagoberto José Fonseca, chefe do departamento de Antropologia, Política e Filosofia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara.
“Naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam”. A declaração, dada pelo humorista Renato Aragão à revista “Playboy” de janeiro, diz respeito à época de “Os Trapalhões”, programa veiculado entre 1966 e 1995. Para ele, antigamente, as pessoas sabiam que suas brincadeiras não eram feitas para atingir ninguém, mas, hoje, esse tipo de humor é encarado como preconceituoso. Será mesmo que a opinião pública mudou nos últimos 50 anos?
Para o professor doutor Dagoberto José Fonseca, chefe do departamento de Antropologia, Política e Filosofia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), as pessoas sempre reconheceram e lutaram por seus direitos, mas em condições mais difíceis do que as que encontramos hoje.
“Antes, a maioria da população era de analfabetos, não se tinha tanta ligação com a escrita, com a mídia. Além disso, com a Constituição de 1988, passamos a ter uma lei que trata de racismo como crime inafiançável, o que nos permite lutar com instrumentos legais”, afirma Fonseca, que já foi coordenador do CLADIN (Centro de Estudos das Culturas e Línguas Africanas e da Diáspora Negra) da Unesp e do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão.
Na entrevista à “Playboy”, Renato Aragão afirmou, também, que as piadas que fazia com seu colega Mussum eram apenas brincadeiras, como se fossem duas crianças, e que a intenção não era a de ofender ninguém.
No Facebook, uma jovem negra moradora de Muriaé (a 320 km de Belo Horizonte) foi vítima de ofensas racistas ao postar a foto abraçada ao namorado. Em um dos comentários, um internauta escreve: ”Onde comprou essa escrava?”, para em seguida pedir: ”Me vende ela”. Ela denunciou o caso à polícia, que deve indiciar os autores por crime de injúria racial, que pena de até três anos de prisão e multa. ”Não pode ficar impune. Eu quero que seja descoberto quem foi e que paguem pelo que fizeram comigo”, disse ao UOL.
Autor de “Você Conhece Aquela? – A Piada, o Riso e o Racismo à Brasileira” (Editora Selo Negro), livro que explica como as piadas sobre negros contribuem para propagar o racismo, Dagoberto José Fonseca acredita que este tipo de humor não tem nada de inocente, pois difunde diversas formas de preconceito.
“A piada não é ingênua. Ela tem como objetivo a ridicularizarão do outro e provoca um processo de maior discriminação na sociedade”, afirma Fonseca. “É um mecanismo violento e sofisticado que parte de pessoas cultas, que têm consciência do que dizem, e que visa uma correção: é o correto fazendo uma observação sobre o ‘anormal’. É uma tentativa de corrigir aquilo que é considerado antinatural ou que está fora de seu lugar: o gay, o negro, o gordo…”.
Como consequência, segundo Fonseca, este tipo de humor propaga o preconceito. Além disso, ele generaliza e estereotipa povos, raças e classes e impede que as pessoas possam ser livres como são. “O gay quando está no armário não é motivo de piada. Mas as pessoas fazem piada quando ele se assume, porque buscam fazer com que ele volte à invisibilidade. Este é o mesmo objetivo das piadas racistas, sexistas, classistas e religiosas”, diz.
Para Fonseca, se queremos fazer parte de uma sociedade que luta por igualdade e na qual as pessoas possam se expressar livremente, precisamos repensar este tipo de humor. “Devemos olhar para esta questão com responsabilidade. O objetivo não é acabar com o humor, é não incentivar o humor que humilha, que é uma violência contra o outro”, afirma.
20/1/2015Geledés Instituto da Mulher Negra


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José Craveirinha - Poesia Moçambicana



XIGUBO
(Para Claude Couffon)
Minha mãe África
meu irmão Zambeze
Culucumba! Culucumba!
Xigubo estremece terra do mato
e negros fundem-se ao sopro da xipalapala
e negrinhos de peitos nus na sua cadência
levantam os braços para o lume da irmã Lua
e dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos da margem do rio.
Ao tantã do tambor
o leopardo traiçoeiro fugiu.
E na noite de assombrações
brilham alucinados de vermelho
os olhos dos homens e brilha ainda
mais o fio azul do aço das catanas.
Dum-dum!
Tantã!
E negro Maiela
músculos tensos na azagaia rubra
salta o fogo da fogueira amarela
e dança as danças do tempo da guerra
das velhas tribos da margem do rio.
E a noite desflorada
abre o sexo ao orgasmo do tambor
e a planície arde todas as luas cheias
no feitiço viril da insuperstição das catanas.
Tantã!
E os negros dançam ao ritmo da Lua Nova
rangem os dentes na volúpia do xigubo
e provam o aço ardente das catanas ferozes
na carne sangrenta da micaia grande.
E as vozes rasgam o silêncio da terra
enquanto os pés batem
enquanto os tambores batem
e enquanto a planície vibra os ecos milenários
aqui outra vez os homens desta terra
dançam as danças do tempo da guerra
das velhas tribos juntas na margem do rio.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Duas Mulheres - Conto africano



Havia duas mulheres amigas, uma que podia ter filhos __ e tinha muitos __ e a outra não.
Um dia, a mulher estéril foi à casa da amiga e convidou-a a visitá-la, dizendo:
__ Amiga, tenho muitas coisas novas em casa, venha vê-las!
__ Está bem __ concordou a outra.
De manhã cedo, a mulher que tinha muitos filhos foi visitar a amiga. Ao chegar a casa desta, chamou-a:
__ Amiga, minha amiga!
Trazia consigo um pano que a mulher estéril aceitou e guardou.
As duas amigas ficaram a conversar, tomando um chá que a dona da casa tinha preparado para as duas. Ao acabarem o chá, a dona da casa quis, então, mostrar à amiga as coisas que tinha comprado. Passaram para a sala e a mulher estéril abriu uma mala mostrando à amiga roupa, brincos, prata e outras coisas de valor.
No final da visita, a mulher que tinha muitos filhos agradeceu, dizendo:
__ Um dia há-de ir a minha casa ver a mala que eu arranjei.
E, um certo dia, a mulher que não tinha filhos, foi a casa da amiga. Mal a viram, os filhos desta gritaram:
__ A sua amiga está aqui!
Agradeceram a peneira que ela trazia na cabeça e guardaram-na. Começaram, então, a preparar o chá.
A mãe das crianças chamava-as uma a uma:
__ Fátima!
__ Mamã?
__ Põe o chá ao lume!
__ Mariamo!
__ Sim?
__ Vai partir lenha!
__ Anja!
__ Sim?
__ Vai ao poço
__ Muacisse!
__ Mamã?
__ Vai buscar açúcar!
__ Muhamede!
__ Sim?
__ Traz um copo!
__ Mariamo!
__ Vamos lá, despacha-te com o chá!
Assim que o chá ficou pronto, tomaram-no e conversaram todos um pouco.
Quando a amiga se ia embora, a mulher que tinha filhos disse:
__ Minha amiga, eu chamei-a para ver a mala que arranjei, mas a minha mala não tem roupa nem brincos! A mala que lhe queria mostrar são os meus filhos!
A mulher que não podia ter filhos ficou muito triste e, antes de chegar a casa, sentiu-se muito mal, com dores de cabeça e acabou por morrer.

Datas da abolição da escravidão nos países americanos -

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mapa da abolição

Cronologia da abolição da escravidão no Mundo

  • 1772
    O julgamento do escravo fugitivo Somersett, abre precedente para que a Justiça britânica não mais apóie a escravidão.1794 
    Primeiro país a proibir a escravidão, o Haiti tem sua legislação abolicionista revogada por Napoleão em 1802.1807 
    O Parlamento britânico aprova o Abolition Act, que proibia o tráfico de escravos na Inglaterra.
    1810
    Tratado de Aliança e Amizade entre Portugal e Inglaterra. Estabelece a abolição gradual da escravidão e delimita as possessões portuguesas na África como as únicas que poderiam continuar o tráfico.
    1823
    José Bonifácio na Assembléia Constituinte, apresenta uma representação sobre a abolição da escravatura e a emancipação gradual dos escravos.
    É aprovada a lei que proíbe a escravidão no Chile.
    1826A Inglaterra impõe ao governo brasileiro o compromisso de decretar a abolição do tráfico em três anos.
    1829 
    Durante o governo de Vicente Guerrero, é decretada a abolição da escravatura no México.
    1831
    Lei Feijó. proíbe o tráfico e considera livres todos os africanos introduzidos no Brasil a partir desta data. A lei foi ignorada e chamada popularmente de “lei para inglês ver”.
    1833 
    É sancionada no Parlamento a extinção da escravatura, que é estendida a todo o Império britânico.
    1845 
    Slave Trade Suppression Act (Bill Aberdeen). Lei britânica que proibia o comércio de escravos entre a África e a América.
    1848
    Em 1794, a convenção republicana francesa votou pela abolição nas suas colônias, mas somente em 1848 os escravos são emancipados.
    1850 
    Lei Eusébio de Queiróz. Proíbe o comércio de escravos para o Brasil.
    1854
    Lei Nabuco de Araújo. Previa sanções para as autoridades que encobrissem o contrabando de escravos.
    É decretado o fim da escravidão na Venezuela e no Peru.
    1865 
    Com o fim da Guerra de Secessão nos Estados Unidos (1861-1865), o presidente Lincoln declara extinta a escravidão em todo o território norte-americano.
    1869 
    Portugal torna ilegal a escravidão, mas já havia decretado a liberdade dos escravos em seus territórios desde 1854.
    1871 
    Lei do Ventre Livre. Concede liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir dessa data, mas os mantém sob a tutela dos seus senhores até atingirem a idade de 21 anos.
    1874 
    Os escravos são emancipados na Costa do Ouro (atual Gana) após a conquista do reino de Axante pelos ingleses.
    1880
    Joaquim Nabuco (deputado de Pernambuco) apresenta à Câmara um projeto de lei propondo a abolição da escravidão com indenização até 1890.
    Fundação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão e de seu jornal, O Abolicionista.
    1883 
    Publicação de O Abolicionismo, de Joaquim Nabuco.
    Criação da Confederação Abolicionista / panfleto de André Rebouças, Abolição imediata e sem indenização.
    1884 
    Extinção da escravidão no Ceará.
    1885
    Lei dos Sexagenários (Saraiva-Cotegipe), que concede liberdade aos escravos com mais de 60 anos.
    1886O tráfico foi oficialmente extinto em Cuba, que passou a receber mão-de-obra chinesa para trabalhar no plantio de cana-de-açúcar.
    1887 
    Quilombo de Jabaquara.
    Fundado por José do Patrocínio o jornal abolicionista Cidade do Rio.
    1888 
    Lei Áurea. Extinguiu definitivamente a escravidão no Brasil.
    1889
    Proclamação da República.
    1890
    Acordo com a Inglaterra para proibição do tráfico negreiro e abolição da escravatura na Tunísia.
    1894 
    A Inglaterra decreta em Gâmbia a emancipação gradual da escravidão. Os escravos tornavam-se libertos com a morte do senhor ou mediante pagamento.
    1897 
    A escravidão é abolida em Madagascar.
    Em Zanzibar, o status legal da escravidão é abolido, mas a proibição da prática só ocorre em 1909.
    1901 
    A Inglaterra torna a escravidão ilegal no sul da Nigéria, mas a abolição no norte do país só ocorre em 1936.
    1906 
    A escravidão é proibida na China.
    1928
    As leis que aboliam a escravidão nas colônias britânicas não eram aplicáveis ao protetorado de Serra Leoa, onde a escravidão só foi considerada ilegal a partir desta data.
    1942 
    A Etiópia manteve a escravidão até esta data, indiferente às pressões abolicionistas internacionais. Só se tornou independente na década de 1930.
    1956 
    Com a retomada de sua soberania, a escravidão no Marrocos foi desaparecendo do reino sem uma legislação específica, e a instituição se extinguiu.
    1962 
    A Arábia Saudita abole o status legal da escravidão.
    1980 
    Na Mauritânia, a lei de 1980 foi a última das quatro tentativas legais de abolir a escravidão no país. Atualmente, ainda há indícios desta instituição no país.
    1990 
    A escravidão foi abolida no Sudão na década de 1950, mas a prática foi retomada nos anos 90 com a guerra civil.


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Opinião: 'Como muçulmano, me choquei com as caricaturas do jornal'

Paris viveu nesta quarta um atentado terrível contra a sede do semanário "Charlie Hebdo", que deixou 12 vítimas.

Conhecido por suas reportagens ousadas e "politicamente incorretas", o "Charlie" estava no centro de polêmicas na França havia anos.

Alguns anos atrás, cartunistas visados no ataque publicaram caricaturas do profeta Maomé, desencadeando uma onda de revolta na opinião pública e entre os franceses muçulmano.

De acordo com o islã ortodoxo, qualquer representação divina ou do profeta é formalmente proibida. Mais além do caráter sacrílego da representação do profeta, o que provocou a cólera dos muçulmanos foram as simplificações e ideias equivocadas que, segundo eles, as caricaturas poderiam difundir: um islã violento e misógino, conjugado à ridicularização da figura do profeta, mostrado às vezes em cadeira de rodas, às vezes deitado nu.

Como francês muçulmano, fiquei chocado com essas imagens. Além de chocarem minha consciência, elas contribuíram para intensificar a estigmatização dos muçulmanos na França, num período em que os atos de islamofobia não paravam de aumentar.

Lamentavelmente, a chantagem usando o argumento da "liberdade de expressão" reforçou uma ideia preconcebida que vê os muçulmanos como contrários às liberdades. O ataque de quarta, rapidamente apresentado como obra de islâmicos, corre o risco de reforçar os discursos mais extremistas em relação aos muçulmanos na França.

É exatamente esse o receio compartilhado por muitos muçulmanos franceses.
A sociedade em seu conjunto exprimiu sua solidariedade e sua compaixão pelas vítimas e suas famílias.

Os muçulmanos não fugiram à regra. Contudo, eles, em sua grande maioria, se negam a ser associados de qualquer maneira a esse ataque e rejeitam a ideia de que precisem pedir desculpas por ele.

Nosso livro sagrado, o Alcorão, nos ensina que "quem mata um homem mata toda a humanidade". Hoje, com essa matança, os muçulmanos e sua religião também foram atacados.

ABDELGHANI ABDELMALEK, 27, é franco-argelino, muçulmano e vive em Paris. É mestre em comércio internacional pela Escola de Comércio Inseec Paris

Fonte: Folhauol

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

“País de mim”, de Eduardo White

O peso da vida!
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,
não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua
Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,
repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido
Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,
só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
 Autor: Eduardo White

ONU Mulheres quer maior combate à violência contra o grupo em Moçambique

Empoderamento econômico feminino, consolidação de políticas públicas e maiores parcerias com o setor privado fazem parte dos desafios da agência no país.
Mulheres moçambicanas. Foto: OMS
Ouri Pota, da Rádio ONU em Maputo.
Em Moçambique continua fundamental o combate à violência contra a mulher, declarou a representante interina da ONU Mulheres no país.
Em entrevista à Rádio ONU, Florence Raes, afirmou que o ano 2014 foi positivo mas destacou os desafios para o próximo.
Estudo 
"Esta questão da violência permanece um ponto crucial para poder emplacar os direitos das mulheres. Sofrendo violência não permite se inserir em termos econômicos, a violência tem custos para a sociedade como um todo, Na saúde, no policiamento, etc. etc. O pais carece de um estudo atualizado, aprofundado e abrangente sobre a realidade, incidência e a prevalência da violência contra as mulheres raparigas para entender melhor esta questão."
Ainda sobre os feitos do ano que finda, Florence Raes destacou o facto de Moçambique ser o quarto país africano a legalizar o aborto. Para ela, o grande desafio é fazer entender o novo código penal neste sentido.
Desafio
"Moçambique como em vários países do Sul tem que se entender o novo código penal neste sentido e a descriminalização do abordo em duas frentes: Primeiro trata-se de um direito humano das mulheres, que é o direito a decidir sobre o próprio corpo, e ao controlar o número de filhos isso continua sendo na teoria porque, obviamente, não é que o direito é garantido por lei que as mulheres tem as condições necessárias para negociar com os seus parceiros dentro das famílias e comunidade essa liberdade ou esse direito."
Treinamento
A construção e consolidação de um sistema de saúde é o elemento-chave para o exercício do direito, a legalização do aborto, acrescentou Florence Raes. 
"Conseguimos reconhecer um direito em termos de direitos humanos, atender o direito a saúde das mulheres, mas precisa-se agora trabalhar na implementação. Isso passa por serviços de saúde qualificados, médicos e enfermeiros treinados, passa também por informar as mulheres que tem esse direito. Então é um primeiro passo, um primeiro passo simbólico e muito importante. A real diferença num país como Moçambique vai se dar na implementação da lei".
A ONU Mulheres em Moçambique destaca nas suas atividades temas como a violência contra a mulher, o HIV/Sida, a orçamentação sensível ao gênero, a eficácia de ajuda e o gênero e a redução de risco de desastres.
Fonte: radioonu

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...