quinta-feira, 26 de junho de 2014

Estudante da Poli é aplaudida de pé em Brasília, durante a cerimônia do Programa Ciência sem Fronteiras

A estudante da Escola Politécnica da USP, Débora dos Santos Carvalho, foi aplaudida de pé ao terminar seu discurso na cerimônia de apresentação dos resultados do Programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal, realizada ontem (26/6), em Brasília. “Nasci para contrariar estatísticas: nasci mulher, negra e pobre”, disse ela, descrevendo sua trajetória de estudante de uma escola pública da periferia de Porto Alegre ao curso de mestrado na Alemanha.
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Filha de um caminhoneiro e de uma secretária, Débora sempre estudou em escola pública. Depois do ensino médio, fez curso técnico em química. Em 2006, concluiu a primeira graduação em Tecnologia em Automação Industrial na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Ingressou na Poli, em 2009, por meio do processo seletivo de portador de diploma para a única vaga disponível. Na Poli, fez iniciação científica, orientada pelo professor Mario Thadeu Lemes de Barros, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental.
Ingressou no Programa Ciência sem Fronteiras em 2012 por meio do qual fez mestrado na Universidade Técnica Academia de Montanha Freiberg, na Alemanha. Em sua dissertação de mestrado, Débora realizou uma pesquisa sobre química dos solos, na qual analisou mais de 800 amostras do solo europeu e brasileiro, e os locais mais adequados para agricultura.
“A Débora nos comoveu com sua história de sucesso e superação: pobre e bonita, inteligente e capaz”, disse a presidente, fazendo coro com as diversas autoridades presentes no evento, a exemplo da presidente da Petrobras, Graça Foster, e do embaixador da Alemanha, Wilfried Grolig. 
Os elogios estavam à altura de Débora que, além da capacidade de superar todos os desafios, tinha que trabalhar em paralelo aos estudos durante o ensino médio. “Estudava de manhã, trabalhava à tarde e fazia cursinho à noite”, lembrou. Ainda arrumou tempo para fazer cursos de línguas. Débora fala fluentemente alemão, francês, italiano e inglês. “Estou muito emocionada, valeu a pena o meu esforço para superar os obstáculos, sem desanimar diante das inúmeras portas que se fecharam”, disse. A capacidade de superação de Débora parece não ter limites. “Sonho em trabalhar na ONU, ajudando os países a resolver problemas com recursos hídricos”. Alguma dúvida de que ela vai conseguir?
Fonte: http://www.poli.usp.br/comunicacao/noticias/destaques/1377-estudante-da-poli-e-aplaudida-de-pe-em-brasilia-durante-a-cerimonia-do-programa-ciencia-sem-fronteiras.html

Mia Couto - Um abraço Manoel


Poema escrito  por Mia Couto, ao poeta Manoel de Barros!

Um abraço para Manoel

Dizem que entre nós
há oceanos e terras com peso de distância.
Talvez. Quem sabe de certezas não é o poeta. 
O mundo que é nosso
é sempre tão pequeno e tão infindo
que só cabe em olhar de menino.

Contra essa distância 
tu me deste uma sabedora desgeografia 
e engravidando palavra africana
tornei-me tão vizinho 
que ganhei intimidades 
com a barriga do teu chão brasileiro.

E é sempre o mesmo chão, 
a mesma poeira nos versos,
a mesma peneira separando os grãos,
a mesma infância nos devolvendo a palavra 
a mesma palavra devolvendo a infância.

E assim,
sem lonjura, 
na mesma água
riscaremos a palavra
que incendeia a nuvem.
MIA COUTO
19-12-2013

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Noemia de Souza - Literatura moçambicana

 


“Bates-me e ameaças-me
Agora que levantei minha cabeça esclarecida
E gritei: “Basta!” (…) Condenas-me à escuridão eterna
Agora que minha alma de África se iluminou
E descobriu o ludíbrio  E gritei, mil vezes gritei: _Basta!”.
Armas-me grades e queres crucificar-me
Agora que rasguei a venda cor-de-rosa
E gritei: “Basta!”
 
Condenas-me à escuridão eterna Agora que minha
alma de África se iluminou E descobriu o ludíbrio..
E gritei, mil vezes gritei: _Basta!_
 
Ò carrasco de olhos tortos,
De dentes afiados de antropófago
E brutas mãos de orango:
 
Vem com o teu cassetete e tuas ameaças,
Fecha-me em tuas grades e crucifixa-me,
Traz teus instrumentos de tortura
E amputa-me os membros, um a um…
 
Esvazia-me os olhos e condena-me à escuridão eterna… –
que eu, mais do que nunca,

Dos limos da alma,
Me erguerei lúcida, bramindo contra tudo: Basta! Basta! Basta!” 
(Poema da coletânea Sangue Negro,1990)

Fonte: http://www.afreaka.com.br/notas/o-sangue-negro-de-noemia-souza/

25 de junho comemora-se a Independência de Moçambique


Protestos a favor da independência de Moçambique.
A partir de 1960, com a nova política colonial portuguesa, as mudanças políticas e a crise do regime de Salazar levaram a várias reformas políticas e econômicas nas colônias, como no caso de Moçambique. A nova forma do colonialismo português introduziu formas que impediam o desenvolvimento da população negra, seja ela pertencente à burguesia, agricultura ou comércio. 

Nessa década, diversas manifestações contra o domínio colonial foram feitas no país através da literatura, arte e greves de trabalhadores. Essas manifestações tomaram proporções maiores e mais radicais com o desenvolvimento dos movimentos nacionalistas armados: FRELIMO, Frente de Libertação de Moçambique. 

Fundada no exílio, o FRELIMO iniciou a luta armada pela libertação nacional de Moçambique a partir de 1964. Sua estratégia era a criação das “zonas libertadas”, áreas do território moçambicano fora do controle da administração portuguesa. Assim, os revolucionários criavam seu próprio sistema de administração, como se fosse um Estado dentro de outro. 

O combate propriamente dito foi lançado oficialmente em 25 de Setembro de 1964, com o ataque ao posto administrativo de Chai, em Cabo Delgado. O conflito contra as forças coloniais se expandiu para outras províncias como Niassa e Tete e durou cerca de 10 anos. Assim que as forças revolucionárias assumiam um território, elas estabeleciam as zonas libertadas, para garantir bases seguras, abastecimento em víveres e vias de comunicação. 

A guerra findou-se com a assinatura dos “Acordos de Lusaka”, em Setembro de 1974. Nesse período foi estabelecido um governo provisório composto por representantes da FRELIMO e do governo português, até que no dia 25 de Junho de 1975, foi proclamada oficialmente a independência nacional de Moçambique. 

Após a independência e com a saída “brusca” do aparato português, o país começou a passar por sérias dificuldades para preencher os lugares deixados pelos portugueses. Nessa época, Moçambique tinha uma população com uma porcentagem de 90% de analfabetos, além disso, empresas e bancos portugueses procederam ao repatriamento do ativo e dos saldos existentes, criando assim um rombo na economia de Moçambique.

sábado, 14 de junho de 2014

POESIA MOÇAMBICANA - MIA COUTO

Para TiFoi para ti 
que desfolhei a chuva 
para ti soltei o perfume da terra 
toquei no nada 
e para ti foi tudo 

Para ti criei todas as palavras 
e todas me faltaram 
no minuto em que talhei 
o sabor do sempre 

Para ti dei voz 
às minhas mãos 
abri os gomos do tempo 
assaltei o mundo 
e pensei que tudo estava em nós 
nesse doce engano 
de tudo sermos donos 
sem nada termos 
simplesmente porque era de noite 
e não dormíamos 
eu descia em teu peito 
para me procurar 
e antes que a escuridão 
nos cingisse a cintura 
ficávamos nos olhos 
vivendo de um só 
amando de uma só vida 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

POESIA CABO-VERDIANA




CORSINO FORTES


 Corsino António Fortes (São Vicente, 1933) é um escritor e político cabo-verdiano.
É licenciado em Direito, pela Universidade de Lisboa (1966). Integrou vários governos na república de Cabo Verde, país de que foi Embaixador em Portugal. Presidiu à Associação dos Escritores de Cabo Verde (2003/06). Autor de obras como Pão e Fonema (1974) ouÁrvore e Tambor (1986), a sua obra expressa uma nova consciência da realidade cabo-verdiana e uma nova leitura da tradição cultural daquele arquipélago.

Pecado Original 
Passo pelos dias
E deixo-os negros
Mais negros
Do que a noute brumosa.

Olho para as coisas
E torno-as velhas
Tão velhas
A cair de carunchos.

Só charcos imundos
Atestam no solo
As pegadas do meu pisar
E fica sempre rubro vermelho
Todo o rio por onde me lavo.

E não poder fugir
Não poder fugir nunca
A este destino
De dinamitar rochas
Dentro do peito...              
               (Claridade, 1960
  
Girassol 
Girassol
Rasga a tua indecisão
E liberta-te.

Vem colar
O teu destino
Ao suspiro
Deste hirto jasmim
Que foge ao vento
Como
Pensamento perdido.

Aderido
Aos teus flancos
Singram navios.

Navios sem mares
Sem rumos
De velas rotas.

Amanheceu!

Orça o teu leme
E entra em mim
Antes que o Sol
Te desoriente
Girassol!

Proposição  
Ano a ano
crânio a crânio
Rostos contornam
o olho da ilha
Com poços de pedra
abertos
no olho da cabra

E membros de terra
Explodem
Na boca das ruas
Estátua de pão s6
Estátuas de pão sol

Ano a ano
crânio a crânio
Tambores rompem
a promessa da terra Com pedras
Devolvendo às bocas
As suas veias
De muitos remos

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/cabo_verde/corsino_fortes.html

ProUni tem 50% a mais de inscritos que em 2013; maioria é mulher e negra

O Programa Universidade para Todos (ProUni) registrou 653.992 inscritos, segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). O número representa um aumento de 50% em relação à mesma edição de 2013, quando 436.941 se candidataram. As inscrições terminaram na quarta-feira (11). O resultado da primeira chamada será divulgado no domingo (15), no site do ProUni.

Os cursos preferidos foram as engenharias, com 166.807 inscrições. Administração recebeu 137.515, seguido por direito (119.447), ciências contábeis (61.169) e pedagogia (56.250).

As mulheres foram maioria, 384.063 candidatas (59% do total). A maior parte dos candidatos é negra, 62,6%, 409.527 inscritos. Os brancos representam 34,9%; amarelos, 2,4%. Apenas 0,1%, 853 candidatos, declararam-se indígenas.

De acordo com o MEC, o programa atraiu os jovens: 392.329 (60%) dos inscritos têm entre 18 e 24 anos; 98.828 (15%), de 25 a 30 anos e 71.952 (11%), menos de 17 anos. Apenas 4% têm mais de 40 anos (26.102).
O ProUni oferece bolsas de estudos integrais e parciais (50% da mensalidade) em instituições particulares de educação superior que tenham cursos de graduação e sequenciais de formação específica. O programa é dirigido a egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular, na condição de bolsistas integrais.

O estudante precisa comprovar renda familiar, por pessoa, de até um salário mínimo e meio para a bolsa integral e de até três salários mínimos para bolsa parcial.

Esta edição do programa ofertou 115.101 bolsas, 28% a mais que no mesmo período do ano passado. As bolsas para engenharias quase dobraram, serão 12.362 nesses cursos. Os demais favoritos estão entre as maiores ofertas: administração (13.168), direito (7.887) e pedagogia (7.725).

Veja abaixo o cronograma do ProUni:
Resultado da primeira chamada: 15 de junho
Comprovação de informações: de 16 a 24 de junho
Resultado da segunda chamada: 4 de julho
Comprovação de informações: de 4 a 11 de julho
Adesão à lista de espera: 21 e 22 de julho
Comprovação de informações dos candidatos em lista de espera: 29 e 30 de julho
Fonte; Midiamax

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...