quinta-feira, 3 de abril de 2014

PANORAMA DO CINEMA DE BURKINA FASO - BRASÍLIA

cinema de Burkina Faso é um dos mais significantes de toda África e compõe uma importante parte da história cinematográfica da região desde 1969. Em março, o CCBB recebe a seleção de obras dos principais cineastas burkinabês e o público de Brasília terá a oportunidade única de entrar em contato com obras de um dos países mais ricos na produção cinematográfica do continente africano.
Além disso, o CCBB recebe a doutora em História, professora coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Janaína Oliveira, integrante do Fórum Itinerante do Cinema Negro, Ficine, para um debate após a sessão de 03/04 do filme Uma Mulher Não Como As Outras, às 20h45. 
>> Dia 28/03 | Sexta-feira

>> Dia 29/03 | Sábado

>> Dia 30/03 | Domingo

17h - O Sofá
19h - Ouaga Saga

>> Dia 02/04 | Quarta-feira

>> Dia 03/04 | Quinta-feira

19h - Uma Mulher Não Como As Outras (Debate com a doutora em História, professora coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) do Instituto Federal do Rio de Janeiro, Janaína Oliveira, integrante do Fórum Itinerante do Cinema Negro – Ficine, após a sessão, às 20h45) 

>> Dia 04/04 | Sexta-feira

17h - Ouaga Saga
19h - O Sofá

>> Dia 05/04 | Sábado

>> Dia 06/04 | Domingo

SINOPSES 

Tasuma – O Fogo

Sogo, chamado Tasuma, é um antigo soldado senegalês, que combateu, junto às forças armadas francesa, durante as guerras da Indochina e da Argélia. Ele voltou ao seu país, após sua desmobilização, e voltou a ser camponês.
Com a promessa de receber uma generosa pensão, Sogo compra a crédito, junto com seu amigo, um moinho. Mas a pensão não chega, levando-o à prisão.
Diretor: Daniel Kollo Sanou
Duração: 90 min / Formato: DVD
(Tasuma – Burkina Faso, 2004, Livre)

Férias de Casamento

David é um executivo próspero com múltiplas missões inventadas, por ele mesmo, para encontrar suas amantes. Claudia, sua esposa paciente, está sempre solitária. Seu único apoio eram duas amigas, com as quais armou um plano para se opor ao marido infiel. Um belo dia a decisão de Claudia é tomada: férias de casamento ao David!
Diretor: Aboubakar Diallo
Duração: 105 min / Formato: DVD
(Congé de Mariage – Burkina Faso, 2012, 12 anos)

O Peso do Sermão

Nyama e Sibiri são membros do clube dos caçadores Dozos. Por amor à Sarah, Sibiri não hesita em empurrar seu amigo no poço durante uma caçada. Ele anuncia, então, que sua morte foi devido a um ataque de leão. Após vários meses, Nyama volta ao vilarejo, com uma seita evangélica, mas não reconhece ninguém, nem se lembra de nada.
Diretor: Daniel Kollo Sanou
Duração: 87 min / Formato: DVD
(Le Poids Du Serment – Burkina Faso, 2009, Livre)

O Sofá

Em um país firmemente comprometido com a promoção da cultura, do resultado e da boa governança, Madame Clarisse Ouedraogo, uma mulher íntegra, é nomeada a Diretora-Geral da Companhia Geral de Minas, pelo Conselho dos Ministros. Duplamente prejudicada por preconceitos sociais e pela condição de esposa e mãe, ela luta para cumprir sua missão.
Diretor: Missa Herbie
Duração: 95 min / Formato: DVD
(Le Fauteuil – Burkina Faso, 2009, 12 anos)

Ouaga Saba

Na capital de um país africano, Burkina Faso, um grupo de jovens tenta sobreviver e prosperar diante de milhares de tentações. Trata-se da história deste grupo que vive em um bairro pobre de Ouagadougou. A astúcia e engenho compensam o dinheiro que falta frequentemente. A tristeza é banida para um estilo vida otimista. A rapinagem e os pequenos empregos são a luta diária pela sobrevivência. Alguns conseguirão modestamente, outros vão afundar, por a solidariedade do grupo é necessária.
Diretor: Dani Kouyate
Duração: 86 min / Formato: DVD
(Ouaga Saga – Burkina Faso, 2004, Livre)

Uma Mulher Não Como as Outras

Mina, líder de negócios de sucesso, é casada com Dominique, desempregado e que tem um caso com Aïcha, a mulher do vizinho. Então, Mina decide arrumar um segundo marido e os três viverão sob o mesmo teto.
Diretor: Abdoulayer Dao
Duração: 101 min / Formato: DVD
(Une femme pas comme les autres – Burkina Faso, 2008, 16 anos)

Julie e Romeo

Dois apaixonados, Julie e Romeo, decidem viver juntos. Mas um obstáculo aparece: um incidente muito distante opõe suas famílias. Para agravar, um equívoco lamentável cria o drama: Romeo descobre que Julie foi tida como morta e se suicida. Inconsolável, Julie se refugia em um vilarejo com seu tio Matão, detentor de poderes místicos, permitindo-lhe, graça aos relâmpagos, mover objetos de um lugar para outro. Para Julie, é uma oportunidade de tentar uma experiência: voltar no tempo para impedir que seu amado acabe com sua vida. Mas será que Matão aceitará usar sua magia negra para tal?
Diretor: Boubakar Diallo
Duração: 92 min / Formato: DVD
(Julie et Romeo – Burkina Faso, 2011, 12 anos)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Morre aos 90 anos o historiador Jacques Le Goff

  • Francês especialista em Idade Média foi um dos idealizadores da corrente conhecida como ‘Nova História’


Jacques Le Goff, um dos idealizadores da corrente ‘Nova História’
Foto: Arquivo
Jacques Le Goff, um dos idealizadores da corrente ‘Nova História’ Arquivo
PARIS - O historiador francês Jacques Le Goff, considerado um dos maiores especialistas da História Medieval, morreu nesta terça-feira, em Paris, aos 90 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família, que enviou um comunicado à imprensa de seu país de origem confirmando a notícia. As informações são dos jornais “Le Figaro” e “Público”.
Le Goff teve dois títulos lançados no Brasil este ano. “Homens e mulheres da Idade Média” (Ed. Estação Liberdade) é uma coletânea coordenada por ele, com artigos de dezenas de especialistas sobre personagens emblemáticos do período, como reis, santos, papas e artistas. “A Idade Média e o dinheiro” (Ed. Civilização Brasileira) analisa a economia medieval, momento de ascensão das cidades e expansão dos mercados e do sistema bancário.
Em ambos os livros, Le Goff dá sequências a duas linhas importantes de seu trabalho: mostrar que a Idade Média não foi apenas um período de “trevas”, como se costuma acreditar, e apontar as ligações entre aquele momento histórico e o nosso. Nestas obras, e em outras, Le Goff mostra que são heranças dos tempos medievais, por exemplo, a noção de “artista” que adotamos até hoje, a concepção da cidade como centro da vida social e a presença crescente do capitalismo. Discute também o lugar marginal das mulheres na hierarquia religiosa e comenta a influência do Islã na formação da Europa moderna.
Um dos idealizadores da corrente conhecida como “Nova História” nos anos 70, ele escreveu seu primeiro livro sobre Idade Média em 1956 e dedicou boa parte de sua longa carreira à antropologia medieval.
Fonte: http://oglobo.globo.com/ciencia/historia/morre-aos-90-anos-historiador-jacques-le-goff-12052542

ONU: eleições na Guiné-Bissau devem inaugurar novo capítulo

País está na segunda semana da campanha para as presidenciais e legislativas de 13 de abril; comissão para a Consolidação da Paz considera eleições primeiro passo para estabilizar o país lusófono.
José Ramos-Horta, representante de Ban Ki-moon na Guiné Bissau. Foto: ONU/Evan Schneider
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
As eleições na Guiné-Bissau devem ser seguidas por resultados produtivos e pela implementação de reformas essenciais para garantir a estabilidade duradoura e a consolidação democrática.
O apelo é da Comissão da ONU para Consolidação da Paz, PBC na sigla em inglês. O comunicado do grupo foi emitido nesta terça-feira.
Votação
A entidade frisa que o pleito é apenas o primeiro passo, essencial para a restauração da ordem constitucional e democrática. A votação para as presidenciais e legislativas guineenses está marcada para 13 de abril.
O país está na segunda semana da campanha eleitoral para a corrida, que envolve 15 partidos políticos e 13 candidatos à presidência.
A nota enumera os pontos que distinguem o ambiente do pleito deste ano da corrida realizada em 2012, quando ocorreu um golpe de Estado a 10 dias da segunda volta das presidenciais.
Segurança
Para 2014, o destaque vai para o fim do recenseamento, além do que a PBC chama de importante presença no terreno da segurança da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Cedeao. O comunicado realça ainda a melhor coordenação entre Guiné-Bissau e seus principais parceiros internacionais.
A Comissão apela a todas as partes envolvidas a estar à altura das suas responsabilidades históricas com o povo guineense e a cooperar para a realização de eleições livres e justas.
Preparativos
O comunicado destaca o bom encaminhamento do financiamento e do preparativos do processo apoiado pelos doadores. Timor-Leste é mencionado entre os contribuintes, ao lado da Nigéria, dos Países da Cedeao, da União Europeia e do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud.
O papel determinante do representante do Secretário-Geral, José Ramos Horta, foi elogiado à frente do Escritório do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, Uniogbis.
Medo e Intimidação
A PBC revela a sua preocupação com recentes episódios de violência política, tendo condenado qualquer tentativa de empregar o medo e a intimidação como instrumentos políticos.
O pronunciamento termina a destacar o objetivo de inaugurar um capítulo de paz e de desenvolvimento duradouro para a Guiné-Bissau.
Fonte: radioonu

Ruanda busca investidores para se transformar em polo tecnológico

KIGALI, Ruanda - No 12° andar do Kigali City Tower, moderno edifício de escritórios aqui na capital de Ruanda, um novo projeto para transformar uma pequena economia rural em um centro financeiro e de alta tecnologia está tentando se colocar de pé.

Uma Bolsa de mercadorias, com uma dezena de terminais e um software de última geração fornecido pela Nasdaq, realizou seus seis primeiros leilões ao longo do ano passado -um empreendimento nascente e arriscado, mas do tipo que ajuda a explicar como uma nação sem nenhum grande recurso natural conseguiu crescer de forma tão rápida nos últimos anos.
"O sentimento era de que poderia servir à região e talvez ser um trampolim para o restante da África", disse Paul Kukubo, o executivo-chefe da Bolsa do Leste da África, focada em mercadorias. Michael Lalor, do EY Africa Business Center, em Johannesburgo, disse: "Não posso imaginar como eles poderiam ter obtido um progresso melhor do que conseguiram nos últimos 20 anos".

Esse ponto de partida, 20 anos atrás, é a hora-zero para Ruanda, país que já foi consumido pela violência. Diante do Ministério das Finanças há um memorial dedicado ao genocídio de 1994, que serve de lembrança para a urgência por trás dos esforços econômicos do governo. A prevenção da instabilidade tem sido a principal justificativa para o controle do presidente Paul Kagame sobre o poder, e a elevação dos padrões de vida ajuda a evitar a volta da tensão.

Pete Muller/The New York Times
Bolsa de Valores de Ruanda, em Kigali; país busca investidores para impulsionar crescimento
Bolsa de Valores de Ruanda, em Kigali; país busca investidores para impulsionar crescimento

Ambições e problemas duradouros, como a discrepante distribuição de renda, são parte da história de crescimento econômico da África, que atrai o olhar de governos e corporações estrangeiros para o continente, visto como uma rica fronteira para os negócios. O Fundo Monetário Internacional prevê que a média de crescimento da África Subsaariana deva chegar a 6,1% neste ano, frente a 3,7% da média mundial.

Críticos argumentam que esses números provêm principalmente da venda das reservas de petróleo e gás ou de metais e minerais valiosos e que os lucros têm sido divididos entre os conglomerados estrangeiros e as contas "offshore" dos plutocratas do continente.
Ruanda oferece um modelo alternativo, dizem analistas. Sua economia cresceu em média quase 8% ao longo dos últimos quatro anos, graças a uma produtividade cada vez maior, ao turismo e aos gastos governamentais com infraestrutura e habitação. Apesar de ter uma população de apenas cerca de 12 milhões, Ruanda foi recentemente apontada pela consultoria A.T. Kearney como o mais atraente mercado africano para o varejo, no seu primeiro Índice de Desenvolvimento do Varejo para a África.

Ruanda depende fortemente de ajuda estrangeira, que foi reduzida depois que um relatório das Nações Unidas acusou o país de fomentar uma recente rebelião na vizinha República Democrática do Congo. Mais do que nunca, Ruanda está à caça de investidores em vez de doadores. Em abril do ano passado, vendeu US$ 400 milhões em títulos para investidores de todo o mundo, parte de um ano recorde para os papéis africanos.

A desaceleração na China, a redução da compra de títulos por parte do Fed (banco central dos EUA) e a fuga de capital dos mercados emergentes puseram em perigo os ganhos no continente. Mas alguns analistas dizem que Ruanda aguentou melhor do que muitos outros e tem avançado no padrão de vida.

Entre 2001 e 2011, a nação reduziu de 59% para 45% a parcela da população que vive na pobreza, e o contingente que está na pobreza extrema vem diminuindo ainda mais rapidamente.

Ainda assim, ao lado do Kigali City Tower, os telhados enferrujados das construções em ruínas são testemunhas do desafio envolvido no objetivo de Ruanda: se tornar um país de renda média. A estimativa é que 90% da população ainda trabalhe nos terraços construídos em morros verdejantes, cultivando banana, sorgo, batata e outros produtos, numa agricultura majoritariamente de subsistência.

Ruanda espera se tornar um centro de tecnologia da informação para os 135 milhões de habitantes da Comunidade do Leste Africano, um mercado comum regional. O país se equipou com cabos de fibra óptica e, no ano passado, o governo assinou um acordo para construir uma rede 4G que cobriria 95% do seu território.

Mas Ruanda enfrenta dura concorrência. O Quênia tem um próspero ambiente para start-ups e possui representações do Google, da Intel e da Microsoft, além de um mercado consumidor muito maior. Mas as ruas tranquilas e a ausência de crimes violentos tornam Kigali muito mais atraente em comparação com as vias perigosas e engarrafadas de Nairóbi.

Em Ruanda, os índices de expectativa de vida, alfabetização, matrícula escolar e gastos com saúde melhoraram nos últimos anos. O governo demoliu milhares de casebres com telhados de sapé. Ofereceu vasectomia gratuita e está promovendo uma campanha de circuncisão para reduzir o número de infecções por HIV.

Grupos de defesa dos direitos humanos continuam a atacar o governo ruandês por suas medidas de repressão política. Ao mesmo tempo, organizações pró-desenvolvimento elogiam as reformas econômicas ruandesas, tendo o Banco Mundial dado ao país notas altas pela facilidade para se fazer negócios e posicionado o país em 32° lugar entre 189 do mundo todo.

"Começar é bem fácil", disse Clarisse Iribagiza, cofundadora de uma empresa de tecnologia chamada HeHe. Ela disse que a abertura da empresa levou apenas um dia e custou menos de US$ 40.

Elettra Pauletto, analista da consultoria Control Risks, de Londres, afirmou que, embora Ruanda possa atrair investimentos ao impor rigidamente um ambiente de eficiência e estabilidade, esse pode ser um lugar difícil para negócios que entrem em conflito com o governo. "É um ambiente político muito autoritário", disse ela. "Pode ser que a inviolabilidade dos contratos não seja respeitada."

Como a Bolsa de mercadorias, a Bolsa de Valores de Ruanda, que abriu suas portas em 2011, ainda está se firmando. Pierre Célestin Rwabukumba, 39, executivo-chefe da Bolsa de Valores e ex-corretor de ações em Nova York, voltou para Ruanda em 2004. "Nós começamos do nada nove anos atrás", disse ele sobre a Bolsa, sentado em seu escritório no Kigali City Tower.

Somente duas empresas nacionais fizeram uma oferta pública inicial. Mas ele disse que o índice ruandês de ações subiu 44% em 2013, um sinal, do seu ponto de vista, de que a Bolsa, como o próprio país, vai na direção certa.

Alguns andares acima, Ara Nashera, 27, diretor de criação da Zilencio Creativo, estava trabalhando em uma plataforma de financiamento coletivo chamada eNkunga, que procura aproveitar o dinheiro trocado via celulares. A tecnologia pode ser nova para Ruanda, mas não o conceito.

"Contribuições coletivas são a maneira como as pessoas mandam um filho para a universidade e custeiam um casamento", disse Nashera. "É o jeito antigo transformado em novo".

Fonte: Folhauol

segunda-feira, 31 de março de 2014

A história do samba: unindo brasileiros e africanos

A HISTÓRIA DO SAMBA: UNINDO BRASILEIROS E AFRICANOS


por Gláucia Quênia
Mesmo com o passar do tempo, o samba não deixa dúvidas da relação entre o Brasil e a África. Desde sua origem até hoje, brasileiros e africanos procuram enfatizar a semelhança que os dois têm quando o assunto é samba. Os dois continentes irmãos trabalharam juntos para terem hoje, em suas culturas, um dos gêneros mais apreciados pelo mundo, transformando o samba em um símbolo da cultura afro-brasileira.
Explicações são o que não faltam sobre a origem do termo “samba”. Enquanto uma linha de pesquisa afirma que o termo nasceu da língua árabe, sendo no início “zambra” ou “zamba”; outros afirmam que é originário de uma das diversas línguas africanas existentes, o quimbundo. Neste caso, morfologicamente, “sam” significa “dar” e “ba” significa “receber”, ou então, “coisa que cai”. Há, ainda, uma terceira versão, que afirma que o termo é de procedência angolana ou congolesa, que conta com a grafia “semba” (umbigada). Versão, que no Brasil, é a levada mais a sério.




A HISTÓRIA DO SAMBA: UNINDO BRASILEIROS E AFRICANOS




Carnaval de Quelimane, Moçambique
Considerado uma manifestação popular africana, o samba é estimado como um ritmo urbano característico do Rio de Janeiro, cidade capital do Brasil colônia. As primeiras canções do gênero foram associadas ao Carnaval, elas eram marchinhas arranjadas por compositores de peso, como Heitor Prazeres, Pixinguinha, João da Baiana, que compunham sambas-maxixe, e como Chiquinha Gonzaga, que marcou a história da música, com seus hinos carnavalescos como o inesquecível “Ô Abre Alas”. As marchinhas inicialmente eram criadas por esses reconhecidos compositores, que eram remunerados pelas escolas de samba. Ao longo do tempo, elas foram substituídas pelos sambas-enredo. Mais tarde, o gênero ganhou estruturas modernizadas; sendo dois grupos fundamentais para essa nova “cara” que o samba estava ganhando: os grupos carnavalescos dos bairros Estácio de Sá e os do bairro Osvaldo Cruz, com compositores dos morros da Mangueira, Salgueiro e São Carlos.


A HISTÓRIA DO SAMBA: UNINDO BRASILEIROS E AFRICANOS




Chiquinha Gonzaga
Em razão das deficiências imobiliárias, as pessoas com baixa renda passaram a se deslocar para os morros do Rio de Janeiro, O samba acompanhou o processo e dessa nova estrutura social surgiram novos talentos musicais. A consolidação do gênero vem com o surgimento das “tias baianas”, peças fundamentais na composição do samba urbano. Os instrumentos que formaram a base e foram essenciais para a composição do samba foram os de percussão, como pandeiros e chocalhos. Ao passar dos anos, outros instrumentos ganharam espaço, como cavaquinho e cuíca. Além disso, para que as escolas realizassem seus desfiles na passarela do samba com o tempo determinado pelo regulamento, um novo formato foi introduzido – o ritmo mais acelerado, aquele que hoje deixa qualquer um com vontade de dançar.
Fonte: Geledes

Livro retrata racismo no século XIX e relação entre feminista branca e garota negra

LIVRO RETRATA RACISMO NO SÉCULO 19 E RELAÇÃO ENTRE FEMINISTA E GAROTA NEGRA




Em seu segundo romance, a americana Sue Monk Kidd usa a relação entre Sarah Grimké —feminista que lutou pela abolição da escravidão no sul dos Estados Unidos— e a garota negra que lhe foi dada como servente na infância para traçar um panorama de como opressão de gênero e racismo andavam lado a lado na manutenção da ordem social do século 19.


A história se passa em Charleston, em 1803, quando Sarah recebe uma menina da mesma idade, Hetty, como presente de aniversário. Segundo a pesquisa de Kidd, apesar de ter sido criada no coração do sistema escravocrata, Sarah demonstrava repulsa a esse esquema desde os quatro anos.
“Sei que parece romantizado achar que uma menina branca de 11 anos poderia ter uma posição tão consistente contra a escravidão, mas Sarah foi uma personagem histórica e não há floreio nesse aspecto”, explica Kidd em entrevista à Folha.


“A Invenção das Asas” bebe na fonte de clássicos como “Amada”, de Toni Morrison, para dar materialidade ao tema do preconceito racial. “Meu objetivo era resgatar a figura de Sarah, varrida da história como a de tantas mulheres importantes, e pintar um retrato de como era a dinâmica social dos escravos em ambiente urbano, já que o público costuma associar a escravidão apenas ao trabalho rural, às fazendas de algodão”, conta Kidd.


Enquanto Sarah e sua irmã, Angelina, são figuras históricas se não conhecidas ao menos bem documentadas, a escrava Hetty não passa de um borrão documental. Tudo que Kidd sabe sobre ela é que foi de fato dada como presente aos 11 anos, que era rebelde e que aprendeu a ler e escrever com sua senhora.


No livro, no entanto, a personagem recebe contornos realistas ao não se conformar com um papel de gratidão em relação à Sarah. O romance será transformado em filme pela Harpo Filmes, da apresentadora Oprah Winfrey, que já tinha incluído o livro em seu clube de leitura. “Não vou trabalhar diretamente no roteiro, mas espero ler a versão final e opinar um pouco. Ver essa história ganhar as telas é maravilhoso para mim porque assegura o meu objetivo de resgatar a história dessas mulheres para o público.”


Kidd, que é uma escritora branca, conta que viveu em um sul pré-direitos civis e que demorou a erguer sua voz contra o racismo. “A opressão ainda é um fenômeno mais ou menos naturalizado nas sociedades ocidentais com histórico escravista e eu quis somar um pouco à essa discussão”, conta.
Em “A Invenção das Asas”, Hetty explica que cada um se rebela como pode. No caso de Kidd, sua rebelião foi abandonar uma vida convencional e um casamento para, aos 30 anos, decidir ser escritora.

Para escrever seu segundo livro, ela passou dois anos pesquisando a história das irmãs Grimké e o modo de produção escravista do século 19.
“Um dos momentos mais emocionantes para mim foi quando pude visitar a casa onde elas moravam. Hoje o que funciona lá é um escritório de advocacia. Achei simbólico porque Sarah queria estudar direito e não pode por ser mulher”, diz.


Foi pesquisando a casa que Kidd encontrou o sótão onde ambientou uma das cenas mais tocantes do livro, o piquenique secreto entre Hetty e Sarah. “Talvez isso explique bem como se compõe um romance histórico: as pessoas perguntam o que é real e o que é ficção e eu digo, me dê um sótão real que eu planejo todo um piquenique.”


Fonte: Geledes


História e Cultura Africana e Afro-brasileira na Educação Infantil

historia e cultura
Brasília: MEC, UFSCar, 2014.
O livro é uma ferramenta fundamental e disponibiliza tanto para os professores responsáveis e compromissados com a educação da primeira infância quanto para os interessados de modo geral em uma educação e em um país justo e igualitário, conteúdos sólidos para a formação e o conhecimento sobre a riqueza, as diferenças e a diversidade da história e da cultura africana e suas influências na história e na cultura do povo brasileiro, em especial, da população afro-brasileira. Por meio dos projetos pedagógicos presentes na publicação, os(as) professores(as), a comunidade e os demais profissionais envolvidos com a história, a vida e a educação das crianças, poderão construir atividades e desenvolver práticas pedagógicas promotoras da igualdade étnico-racial.

Download em

  •   http://unesdoc.unesco.org/images/0022/002270/227009POR.pdf
  • Fonte: Geledes

  • Fonte: Unesco.org

    Mulheres Pretas

        Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...