quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Grande Poema - Alda Lara



Este é o poema que eu escrevi
para as crianças da minha terra!...
Para as crianças negras,
e brancas,
e mestiças,
sem distinção de cor...
comungando o Amor
que as unirá...
Este é o poema que eu escrevi a sonhar,...
de olhos perdidos no mar,
que me separa delas...
poema que escrevi a sorrir
gritar confianças desmedidas
nas ânsias partidas,...
quebradas,...
como velas de naufrágio!...
poema que eu escrevi a soluçar,
sobre os livros
onde não encontrei
para os sonhos resposta um dia!...

   Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, a 9 de Junho de 1930, e faleceu em Cambambe, Angola, a 30 de Janeiro de 1962.  Muito nova foi para Lisboa onde concluiu o 7º ano dos liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, formando-se por esta última com a apresentação da tese de licenciatura sobre psiquiatria infantilEm Lisboa esteve ligada a algumas das atividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanosque então quase ninguém conhecia. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI).Figura emAntologia de poesias angolanasNova Lisboa, 1958; amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959; Antologia da terra portuguesa -Angola, Lisboa, s/d (1961?); Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963; Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963;Mákua 3idemAntologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969. Livros póstumosPoemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de chuva, 1973.      

Fonte: http://lusofonia.com.sapo.pt/alda_lara.htm                              

terça-feira, 5 de junho de 2012

A Educação Ambiental e a Literatura Infanto Juvenil

           Partindo do atual conceito de Literatura, como palavra nomeadora do real e como expressão essencial do ser humano em suas relações com o outro e com o mundo ( ou com a natureza em geral), conclui-se que a Literatura destinada às crianças e aos jovens é um dos instrumentos de maior alcance para a urgente conscientização ecológica desse grupo básico nas sociedades. Ou melhor, a Literatura Infanto-Juvenil é um dos caminhos mais fáceis para a conscientização dos imaturos acerca dos problemas que a Educação Ambiental vem colocando para a sociedade e que estão longe de poderem ser resolvidos.
         Como sabemos, a Literatura é, hoje, entendida como uma experiência humana fundamental, uma vez que atua nas mentes, nas emoções, nos sentimentos, ou melhor, no espaço interior do indivíduo e, evidentemente, atua na formação de sua consciência de mundo (a que é visada pela Educação Ambiental). Daí o crescente interesse da educação contemporânea pela inclusão dos livros literários, paradidáticos e didáticos nos currículos escolares, desde as primeiras séries, tendo como tema ou problemática a Educação Ambiental.
        A conclusão a que se chega, é que estamos no início de um longo processo de conscientização ecológica ou ambiental, dentro do qual a Literatura para crianças e adolescentes, levada para o âmbito da Escola, será um dos grandes instrumentos.
     É urgente a necessidade de conscientização de cada indivíduo, grupo ou nação, quanto à sua própria responsabilidade na ação que se faz necessária para, não só amenizar os atuais problemas de degradação dos meios naturais do universo (dos quais o próprio homem depende para sobreviver no planeta), como também encontrar soluções para evitar a continuidade crescente daquela degradação. O problema da Educação Ambiental, expresso em nível literário, paradidático ou didático, não será exceção à regra.

Baseado no texto de Nelly Novaes Coelho e Juliana S. Loyola e Santana


Lançamento: A Candidata - Vera Duarte - Livraria Kitabu


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ondjaki

[Ondjaki.jpg]Ondjaki, nasceu em Luanda, em 1977.

Interessa-se pela interpretação teatral e pela pintura (duas exposições individuais, em Angola e no Brasil). Já em Lisboa, fez teatro amador durante dois anos e um curso profissional de interpretação teatral. No ano 2000 recebeu uma menção honrosa no prémio António Jacinto (Angola) pelo livro de poesia actu sanguíneu. Participou em antologias internacionais (Brasil e Uruguai) e também numa antologia portuguesa.

É membro da União dos Escritores Angolanos. É licenciado em Sociologia.

BIBLIOGRAFIA

Materiais para Confecção de um Espanador de Tristezas, 2009, Editorial Caminho
Os da Minha Rua, 2009, Leya
O Leão e o Coelho Saltitão, 2008, Editorial Caminho
Avódezanove e o segredo do Soviético, 2008, Editorial Caminho
Os da Minha Rua, 2007, Editorial Caminho
E se Amanhã o Medo, 2005, Editorial Caminho
Momentos de Aqui, 2004, Editorial Caminho

CONSTRUÇÃO

construção da casa [e do interior da casa]
construção de uma fogueira [e do fogo, e da chama, e das cinzas]
construção de uma pessoa [do embrião aos livros]
construção do amor
construção da sensibilidade [desde os poros até à música]
construção de uma ideia [passando pelo que o outro disse]
construção do poema [e do sentir do poema]

[há qualquer coisa de «des» na palavra construção]

desconstrução do preconceito
desconstrução da miséria
desconstrução do medo
desconstrução da rigidez
desconstrução do inchaço do ego
desconstrução simples [como exercício]
desconstrução do poema [para um renascer dele]

construção é uma palavra
que causa suor
ao ser pronunciada.

penso que esse seja um suor bonito.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CRAVOS VITAIS



escrevo a palavra
escravo
e cravo sem medo
o termo escravizado
em parte do meu passado
 criei com meu sangue meus quilombos
crivei de liberdade o bucho da morte
e cravei para sempre em meu presente
a crença na vida.

 CUTI. Poemas da carapinha. São Paulo : Ed. do Autor, 1978. 135p. 

Festa Literária Internacional de Paraty 2012


Festa Literária
Internacional de Paraty
2012
de 4 de julho, quarta-feira
até domingo, 8 de julho
Maiores informações: 
http://www.flip.org.br/

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...