segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Colóquio Internacional - Literatura e Diversidade Cultural: Repensando a Lusofonia


Data: 10 a 12 de abril de 2012
Local: Campus Central da PUCRS
10/04/2012 - Terça-feira 

9h - Abertura Oficial 
Pronunciamento
Prof. Dr. Cleonice Berardinelli (UFRJ) - Presidente de Honra 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Maria Eunice Moreira (PUCRS) 

10h - Conferência de Abertura
Prof. Dr. Helena Carvalhão Buescu (Universidade de Lisboa) 
Tema: As possibilidades e limites das literaturas pós-coloniais 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Maria Luíza Ritzel Remédios (PUCRS) 

14h - Mesa-redonda 
Relato (auto) biográfico, história e literaturas lusófonas
Prof. Dr. Ana Paula Arnaut (Universidade de Coimbra)
Prof. Dr. Lúcia Helena (UFF)
Prof. Dr. Isabel Cristina Rodrigues (Universidade de Aveiro) 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Paulo Ricardo Kralik Angelini (PUCRS) 

16h30min - Sessões de comunicação 
Mesa A - Autobiografias, Biografias e Memórias nas literaturas lusófonas - Coordenador da sessão: Prof. Dr. André Mitidieri (UESC, BA)
Mesa B - Autorreflexividade nas literaturas de língua portuguesa da atualidade - Coordenador da sessão: Prof. Dr. Francisco José Sampaio Melo (IFPi) 
Mesa C - Discursos sobre a África e a Ásia: a imaginação fantasmagórica colonial - Coordenador da sessão: Dr. Isadora Dutra (UTP) 

11/04/2012 - Quarta-feira

9h - Mesa-redonda 
Reimaginando a nação lusófona: identidade e identidades
Prof. Dr. Inocência Mata (Universidade de Lisboa)
Prof. Dr. Benjamin Abdala Júnior (USP)
Prof. Dr. Marli de Oliveira Fantini Scarpelli (UFMG)
Prof. Dr. Maria do Rosário Cunha Duarte (Universidade Aberta)
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Pedro Brum Santos (UFSM) 

11h - Sessões de Comunicação
Mesa D - Renovação do discurso nas literaturas de língua portuguesa - Coordenador da sessão: Prof. Dr. Inara de Oliveira Rodrigues (UESC, BA)
Mesa E - Imagens da identidade e da diferença nas literaturas de língua portuguesa - Coordenador da sessão: Prof. Dr. José Luís G. Fornos (FURG) 
Mesa F - Ficção e guerra, utopias e distopias nas literaturas lusófonas - Coordenador da sessão: Dr. Luciana Éboli (Secretaria da Cultura do RS) 

14h - Mesa-redonda 
Os espaços e as paisagens culturais nas literaturas lusófonas
Prof. Dr. Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto)
Prof. Dr. Maria Lúcia Dal Farra (UFS)
Prof. Dr. Beatriz Weigert (Universidade de Évora)
Prof. Dr. Teresa Cristina Cerdeira da Silva (UFRJ)
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Jane Tutikian (UFRGS) 

16h30 - Sessões de comunicação 
Mesa G - Cenas da poesia luso-afro-asiática
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Miriam Denise Kelm (UNIPAMPA)
Mesa H - Identidade e paisagens culturais
Coordenador da sessão: Dr. Roberto Carlos Ribeiro
Mesa I - Da natureza às malhas da ficção lusófona 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Regina da Costa da Silveira (UNIRITTER) 

12/04/2012 - Quinta-feira

9h - Mesa-redonda 
Amor e política: o apagamento das fronteiras e dos gêneros
Prof. Dr. Simone Pereira Schmidt (UFSC)
Prof. Dr. Mário César Lugarinho (USP)
Prof. Dr. Tânia Celestino de Macêdo (USP)
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Eunice T. P. Gai (UNISC) 

11h - Sessões de Comunicação
Mesa J - A transformação dos papéis femininos nas literaturas lusófonas 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Sílvia Helena Pinto Niederauer (UNIFRA) 
Mesa K - A palavra feminina na construção da identidade nas literaturas lusófonas - Coordenador da sessão: Prof. Dr. Vera Prola Farias (UNIFRA) 

14h - Conferência de encerramento
O discurso político e a lusofonia
Prof. Dr. Carlos Reis (Universidade Aberta) 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Ana Maria Lisboa de Mello (PUCRS) 

16h30 - Mesa de Escritores
Escritores e a cultura da lusofonia
Helder Macedo (Portugal)
João Melo (Angola)
Luís Cardoso (Timor-Leste) 
Coordenador da sessão: Prof. Dr. Miguel Rettenmaier da Silva (UPF) 

Fonte: http://www.pucrs.br/eventos/coloquiolusofonia/?p=capa

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Manoel de Barros Palavras e Poesias



Manoel de Barros

Caros amigos,

"Nasci para administrar o à-toa / o em vão / o inútil", avisa o poeta Manoel de Barros numa espécie de profissão de fé. Ele sabe que "o poema é antes de tudo um inutensílio". Por isso seu ofício é inventar palavras, invadir o arco-íris, surpreender formigas.

Nascido em Cuiabá-MT em 1916, o poeta estreou em 1937 com o volume Poemas Concebidos sem Pecado. De lá para cá, já publicou quase duas dezenas de títulos e, a partir dos anos 80, conquistou a consagração.

Os poemas de Manoel de Barros são marcados por uma sistemática irreverência com a lógica e o bom-comportamento das palavras. Em certos aspectos, seu trabalho guarda algum parentesco com o surrealismo.

Não, porém, aquele surrealismo dos manifestos europeus, mas uma poesia que rola no chão com os pequenos absurdos do dia-a-dia. Uma poesia marcadamente do interior, do Pantanal, que vive na proximidade de gente, bicho e planta. Uma poesia escrita por quem aprendeu sozinho que "uma árvore bem gorjeada passa a fazer parte dos pássaros que a gorjeiam".



Um abraço,

Carlos Machado



 
Administrador do inútil
Manoel de Barros


DESEJAR SER



8.
Nasci para administrar o à-toa
                                  o em vão
                                  o inútil.

Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
                              de pessoas com rãs
                              de pessoas com pedras
                              etc etc.

Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.
 
IX
O poema é antes de tudo um inutensílio.
Hora de iniciar algum
convém se vestir de roupa de trapo.
Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes.

Faz bem uma janela aberta.
Uma veia aberta.

Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
Enquanto vida houver

Ninguém é pai de um poema sem morrer
 
SEIS OU TREZE COISAS QUE EUAPRENDI SOZINHO
2.
Com cem anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com cem anos de escombros um sapo vira árvore e cresce por cima das pedras até dar leite.
Insetos levam mais de cem anos para uma folha sê-los.
Uma pedra de arroio leva mais de cem anos para ter murmúrios.
Em seixal de cor seca estrelas pousam despidas.
Mariposas que pousam em osso de porco preferem melhor as cores tortas.
Com menos de três meses mosquitos completam a sua eternidade.
Um ente enfermo de árvore, com menos de cem anos, perde o contorno das folhas.
Aranha com olho de estame no lodo se despedra.
Quando chove nos braços da formiga o horizonte diminui.
Os cardos que vivem nos pedrouços têm a mesma sintaxe que os escorpiões de areia.
A jia, quando chove, tinge de azul o seu coaxo.
Lagartos empernam as pedras de preferência no inverno.
O vôo do jaburu é mais encorpado do que o vôo das horas.
Besouro só entra em amavios se encontra a fêmea dele vagando por escórias...
A quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso.
Caracóis não aplicam saliva em vidros; mas, nos brejos, se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter 
 ela espicha os olhinhos para Deus.
De cada vinte calangos, enlanguescidos por estrelas, quinze perdem o rumo das grotas.
Todas estas informações têm soberba desimportância científica 
 como andar de costas.
 


http://www.algumapoesia.com.br/poesia/poesianet061.htm 

Poeta Manoel de Barros comemora 95 anos nesta segunda-feira









Nesta segunda-feira (19), é comemorado o 95º aniversário do poeta Manoel de Barros. Ele nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou e chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande. 

De acordo com a sua biografia, ele escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, no Rio de Janeiro, cidade onde residiu até terminar seu curso de Direito, em 1949. Como já foi dito, mais tarde tornou-se fazendeiro e assumiu de vez o Pantanal.

Seu primeiro livro foi publicado no Rio de Janeiro, há mais de sessenta anos, e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.

Nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".

Reconhecimento

Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor." 

Segundo o escritor João Antônio, a poesia de Manoel vai além: "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro." Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." E Geraldo Carneiro afirma: "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Laço inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímido Nequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".
Roberta Cáceres

sábado, 17 de dezembro de 2011

Morte da Diva Caboverdiana Cesária Évora


A cantora cabo-verdiana Cesária Évora, de 70 anos, morreu esta manhã, 17/12/11 no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde sexta-feira.
"Foi com profunda consternação que tomei conhecimento do falecimento de Cesária Évora. Dirijo antes de mais uma palavra de condolências e profundo pesar à sua família e amigos próximos, bem como ao Governo e povo cabo-verdiano", refere Pedro Passos Coelho na sua mensagem, à qual a agência Lusa teve acesso.
Segundo o primeiro-ministro português, "não é apenas Cabo Verde que chora o desaparecimento de Cesária, Portugal chora também com Cabo Verde".
"Cesária foi uma artífice ímpar e uma intérprete excecional das mais belas expressões da música cabo-verdiana. Com Cesária, a saudade (sôdade) ganhou uma nova profundidade enraizada nas mais belas prosas musicais que o mundo de expressão crioula e de raiz lusófona jamais conheceu", sustenta o líder do executivo português.
Na perspetiva de Pedro Passos Coelho, Cesária Évora, "foi também uma pessoa de bondade contagiante, que tocou corações e motivou tantos quantos tiveram a oportunidade de a conhecer mais de perto".
"Presto hoje homenagem a esta grande artista que levou a morna e Cabo Verde aos mais recônditos lugares do planeta. Grande amiga de Portugal, Cesária, conhecida como "Rainha da Morna", ficará nos nossos corações para sempre também como uma diva mundial, que deixa uma infinidade de admiradores e seguidores um pouco por todo o mundo. É também a World Music, cujo mais alto galardão recebeu em 2004, que fica mais pobre. O mundo acordou hoje um pouco mais pobre", refere o primeiro-ministro na sua mensagem.
por © 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Feira Preta


17/12/2011 - 07h10

Feira de cultura negra é realizada neste fim de semana em SP

ALESSANDRO FIOCCO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Divulgação
Modelo em frente a estande da feira
Modelo em frente a estande da edição 2010 da feira
Celebrando dez anos, a Feira Preta realiza edição nos dias 17 e 18 em São Paulo (SP). Considerada a maior feira voltada à cultura negra da América Latina, o evento contabiliza nesse período público de 90 mil pessoas.
O evento é vitrine para marcas e serviços exibirem seus produtos, além de abrigar programação cultural. Nos estandes, serão apresentados roupas, objetos de decoração, livros e outros, voltados para o público-alvo. "Uma marca de cabelo que queira expor, precisa ter cremes específicos ao tipo de fios dos negros", ilustra Adriana Barbosa, coordenadora do evento.
Ela diz que o mercado está em expansão. "O empreendedor percebe que existe um mercado e investe. Com isso, o consumidor passar a comprar produtos que o respeita."
A expectativa de público é de 16 mil pessoas. Os dois dias contam com shows, como o do saxofonista Gary Brown e do cantor Criolo. A relação completa pode ser conferida nosite do evento.
Serviço
Feira Preta
Onde: Centro de Exposições dos Imigrantes (rodovia dos Imigrantes, Km 1,5, São Paulo, SP)
Quando: 17 e 18/12, das 13h às 22h
Quanto: R$ 15 (estudante) ou R$ 30

Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...