sábado, 6 de junho de 2015
Ivone Caetano é empossada como desembargadora do Tribunal do RJ
Ivone Caetano, a primeira desembargadora negra do Estado do Rio de Janeiro - Gustavo Stephan / O Globo
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Miss Ariana Miyamoto levanta discurso sobre o racismo no Japão
Foto BBC - Brasil
É senso comum a predominância das características físicas orientais nos descendentes de famílias multirraciais. No caso da Miss do Japão, Ariana Miyamoto, filha de mãe japonesa e pai afro-americano, a herança genética fez ela parecer não tão japonesa assim aos olhos dos mais conservadores. Dada a polêmica que causou quando ganhou o concurso de beleza nacional. Com a candidatura, Ariana trouxe à tona a campanha contra a discriminação que os japoneses mestiços sofrem em um dos países que possui a maior homogeneidade étnica.
Ganhar o concurso nacional faz de Ariana a mais nova representante da beleza japonesa na competição Miss Universo 2015. A ideia da japonesa, nascida em Nagasaki, é combater a preconceito racial que os considerados, ‘hafus’, uma referência a palavra em inglês half – metade ou mestiços, estão submetidos no país. A decisão de participar do concurso foi tomada após um amigo, filhos de casamento multirracial também, cometer suicídio devido à um crise de identidade causada por não se sentir encaixado na imagem de um japonês tradicional.
Foto BBC - Brasil
Fisicamente, Ariana possui fortes características afro-americanas, feições, cor de pele, olhos e cabelos, dentro de um país onde a população não está habituada com a diversidade e estranha características físicas de pessoas de nações próximas, como Coréia do Sul e China. Portanto, o resultado do concurso mostra que o Japão está iniciando a discussão sobre multiculturalismo, abrindo mão de tradições arraigadas socialmente e deixando de lado preconceitos que causavam bullying e crise de identidade, e infelizmente, vitimou o seu amigo.
Da Redação do Correio Nagô
‘Na literatura brasileira, mesmo sobre escravidão, protagonistas são brancos’, diz autor de HQ sobre resistência negra
Marcelo D’Salete fala sobre ‘Cumbe’, quadrinho com histórias de luta negra contra a escravidão no Brasil, pensado como ‘contraponto a uma ideia de submissão e harmonia que oficialmente a História brasileira tenta forjar’
Por Amarílis Borges, no Opera Mundi
Um país que recebeu milhões de pessoas negras escravizadas guarda muito da cultura africana. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), pelo menos dois milhões de pessoas africanas desembarcaram no Brasil, embora alguns autores defendam que na verdade foram quatro milhões.
É certo que os comerciantes que atuavam em Angola e no Congo forneceram o maior número de escravos que chegaram ao Brasil até 1888, ano em que a Lei Áurea aboliu a escravatura. Depois deste marco é mais simples falar sobre os anos de sofrimento e exclusão que afligiram os escravos. Para fugir a essa tendência, o quadrinista Marcelo d’Salete lançou no ano passado o livro “Cumbe”, que reúne quatro histórias de resistência e acaba de ser editado em Portugal.
D’Salete é designer gráfico e mestre em História da Arte. É professor de Artes do ensino básico, ilustrador e autor de outros três quadrinhos: “Noite Luz” (2008), “A Encruzilhada” (2011) e “Risco” (2014). A influência angolana em “Cumbe” serve de pretexto a esta conversa que acaba por abordar também a situação da população negra no Brasil, ainda hoje marginalizada.
“Cumbe” traz um estilo diferente daquilo a que você estava habituado – urbanização, problemas sociais contemporâneos. Em que se baseou para contar uma história que se passa no período colonial do Brasil?
Faço quadrinhos desde o começo dos anos 2000. No início fazia histórias em quadrinhos mais voltadas para falar sobre grandes cidades, muito sobre uma perspectiva negra, conflitos. Havia muito pouca representação nas histórias em quadrinhos, o que me levou a atentar para isso. Em 2006, durante um curso feito com um pesquisador sobre a história das pessoas negras no Brasil, lemos um trabalho do Décio Freitas sobre a batalha no Quilombo dos Palmares, Alagoas, e a partir daí fiquei pensando em falar sobre o período da escravidão. Fiz uma grande pesquisa no sentido macro-histórico, quantitativo, para saber o que era também o sistema da escravidão. Sabia desde aquele momento que eu não queria fazer algo muito didático, queria colocar ali outros elementos e fazer uma narrativa que não fosse pautada somente em texto; o meu trabalho não é esse, é imagem. Na verdade, você constrói a história a partir das imagens que vai lendo, e também trabalho muito com algumas sugestões.
Desde 2006 fiz essa pesquisa, primeiro dos principais textos sobre o que era a escravidão, depois cheguei a alguns outros – para mim, mais importantes – que falavam de alguns casos específicos de africanos escravizados que se envolveram em algum tipo de conflito com os senhores e isso geralmente ia parar na Justiça, principalmente a partir do século 19. Ali tinha alguns detalhes sobre a vida dessas pessoas que achei interessante para transformar em história, mas sempre pensando que o fato era interessante, mas não suficiente. Acabava acrescentando novos elementos; muitos fiz para construir as personalidades das personagens, como a situação sobre Calunga, que é um espírito de Angola relacionado à morte e também ao mar. Hoje em dia não sei se existe essa referência, mas antigamente tinha. Vi que precisava de mais informações para falar dessa cultura de origem bantu. Isso no Brasil está muito presente por causa da linguagem, tem muitos termos do kimbundu, ovimbundu também.
Quando passou de contos mais urbanos para o período histórico, qual foi a sua maior preocupação com o diálogo?
Tive que fazer uma grande mudança. A cidade eu já conhecia, muitas vezes trabalhava com observação, tirava fotos; no “Cumbe” não. Tive que fazer uma pesquisa iconográfica muito grande de alguns artistas da época, como Albert Eckhout, Frans Post, Johann Moritz Rugendas e Jean-Baptiste Debret, para juntar um pouco ao quebra-cabeça e ver o trabalho com a cana-de-açúcar, porque eu não tinha detalhes disso. Tive que ter cuidado porque precisava contar essas histórias e não queria que as pessoas lessem somente como um conto que torna as personagens vítimas. Tinha que tentar colocar as personagens de forma a que causasse empatia, compreensão sobre as suas motivações. Não foi fácil fugir dessa visão dos africanos escravizados. Na literatura brasileira, mesmo sobre escravidão, os protagonistas são brancos; “A Escrava Isaura” é assim. Quem faz essa outra perspectiva é Luís Gama, falando de África não como um local totalmente abandonado, mas de um ponto de vista positivo.
No livro, além da linguagem vemos também alguns símbolos, como Chibinda Ilunga, a tartaruga de Cabinda, a nsanga, os desenhos tchokwé.
O livro faz referência a alguns grupos que estão no nordeste de Angola, como os tchokwé. Esse grupo é muito importante, pelo menos em termos de representação artística. Achei que tinha tudo a ver com o sentido que eu queria utilizar na história. Aparece a escultura de Chibinda, relacionada a uma figura que é uma pessoa mais velha, que ensina. E aparece também outro símbolo tchokwé, um sona na árvore. O português José Redinha mostra esses símbolos quando fala sobre as culturas tradicionais angolanas. No Brasil, depois que a gente passa o século 19 e 20, quando se fala de cultura negra, isso vira sinônimo de candomblé, que é muito importante hoje (ótimo!), só que foi criado e divulgado no final do século 19 e 20 e tentaram abranger isso para explicar todas as experiências negras/religiosas no Brasil, e não é. Na verdade, o grupo dos iorubás era minoria. A grande maioria dos africanos escravizados que foram para o Brasil era de origem bantu, pelo menos 70%, então queria trazer isso para o livro, em termos de imagem e linguagem.
Essa cultura de origem bantu também está presente nas palavras “muleque”, “marimbondo”, “quindim”, “caçula”, e muitas outras. Isso é algo que permanece e poucas pessoas sabem. No livro, o título de três das quatro histórias é de origem bantu: Calunga, Cumbe e Malungo.
Que outras marcas esses milhões de escravos deixaram no Brasil?
O que tem de interessante para falar sobre isso são os candomblés. Muitos são do século 19, deixaram marcas religiosas e culturais, mas também na geografia das cidades de Salvador e de outras que se mantém até hoje e que é uma resistência negra porque foram perseguidos por muito tempo. Viviam afastados dos centros das cidades e só na época de Getúlio Vargas deixam de ser marginalizados e caso de polícia. Ter resistido por mais de 100 anos é incrível.
A sociedade brasileira tem uma necessidade muito grande de tentar apagar essas marcas, principalmente nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo: antigamente, o bairro da Liberdade, que é bem próximo da Sé, tinha um Pelourinho, isso foi totalmente apagado. A Barra Funda e o bairro do Bixiga eram extremamente negros. O único vestígio que tem na Barra Funda e no Bixiga hoje são as escolas de samba, que têm uma origem muito negra. Para fazer a pesquisa para o livro fui para o Recife para conhecer a cidade, fui para Alagoas, ao atual Memorial de Palmares, e para Olinda, onde conversei com um vendedor de gravuras e ele mencionou o Mercado de Escravos. Tem aquela geografia de um mercado de escravos, mas não tem nenhuma menção sobre isso. É um esforço da sociedade brasileira de apagar para não reconhecer, para não reparar e esquecer, como se não fosse parte do nosso passado.
Cumbe é uma história de resistência e luta dos negros no século 17, durante o período da cana-de-açúcar. Contudo, vive-se agora uma fase particularmente importante para a população negra brasileira, com casos de racismo, exclusão, violência. Você acha que o livro tem ligações com a atualidade?
A intenção de fazer o livro não era falar apenas sobre o passado. Não acho que é algo definitivo, é até uma narrativa bem pessoal, tentando montar um quebra-cabeça daquilo que seria necessário para contar essas histórias, pesquisando sobre cultura, história. O livro tenta mostrar aquele momento, mas pensando também no presente, nessa necessidade de os grupos atuais também construírem referências interessantes para as novas gerações, tanto para pessoas mais velhas lerem como para os mais jovens. Eu lido com alunos do ensino básico e do secundário também. Eles ficaram sabendo do livro e é muito legal ver que estão lendo como outra forma de falar de escravidão e sem deixar essa população negra apenas com atos passivos. Falar do passado pensando no momento atual, em que estamos precisando construir algumas referências positivas e mais complexas sobre a nossa História. Acho que pode servir como um elemento mais nesse conjunto para as novas gerações que estão se formando.
São quatro histórias que estão claramente interligadas por essa resistência. Que outros aspectos aproximam as personagens?
Algumas personagens, símbolos e locais são comuns. A ideia de resistência não é sempre a mesma. É importante ver que no livro não tento fazer uma coisa tão dicotômica de africanos escravizados de um lado e senhores brancos do outro. É lógico que era uma sociedade bem hierarquizada, mas por outro lado havia uma ideia de assimilação. Isso está representado, por exemplo, na primeira história, com um casal: o rapaz trabalha no engenho e está mais próximo de elementos e traços da cultura negra bantu, isso está apresentado principalmente pelas suas crenças, ele fala de Calunga. Ele se relaciona com uma menina que trabalha na casa grande, que assimilou a cultura branca. Isso está marcado pelo crucifixo, porque ela é cristianizada. Nos meus estudos ficou bem evidente que existiam categorias e formas distintas de esses africanos estarem presentes. Aqueles que eram considerados “boçais”, termo utilizado na época, que tinham trabalhos mais pesados, e sobreviviam muito pouco tempo. Na época da escravidão eles não passavam dos 25-30 anos, imaginar isso hoje para mim é uma coisa extremamente violenta, isso porque eles trabalhavam 18 horas por dia. Imagina alguém inválido aos 25 anos? Alguém que não consegue fazer nada porque o seu corpo já está destruído.
O Mapa da Violência 2015, divulgado há pouco mais de uma semana, mostra que das 39.686 vítimas de disparo de qualquer tipo de arma de fogo, em 2012, 28.946 eram negros e 10.632, brancos. Fala-se no Brasil de mais justiça social por um lado e aumento da violência nas comunidades negras por outro. Como vê a situação?
É extremamente complexa. Nos últimos anos, antes da crise econômica atual, houve um momento de abundância relativa, em termos de emprego, e as estatísticas demonstram que a taxa de homicídio da população branca caiu e, no mesmo período, essa taxa aumentou muito, principalmente no que diz respeito a meninos negros.
Existe um discurso oficial de harmonia que a elite brasileira tenta vender, quando na verdade a sociedade brasileira é extremamente violenta por causa dessa desigualdade que se mantém desde a escravidão. Tentam não falar de escravidão, não falar dos males da escravidão hoje na sociedade brasileira, que deixa na base da pirâmide quase 100% da população negra; se for mulher negra, mais ainda.
O Mapa da Violência falava numa diferença de 142%: para cada 100 mil habitantes, a taxa de vítimas da cor branca é 11,8 mortes e a de negros 28,5 mortes. O que acha que falta fazer para mudar isso?
Acho que precisamos ter mais negros ocupando postos de importância na política e em outras áreas. Precisamos também criar elementos para que esses jovens negros tenham perspectiva para além do crime, é nisso que o livro tenta contribuir. Para que possam ver-se na mídia e noutros locais bem representados. Isso é simbólico, parece pouco, mas afeta muito se a gente pensa em gerações e na imagem que foi criada durante séculos sobre esse grupo, que é negativa, pejorativa; basta ver no dicionário o que está escrito para o que é o branco e o que é o negro. Essa imagem precisa ser questionada e renovada. Mas, além disso, é preciso movimentação política, discussão, como se repara economicamente esses grupos. Não apenas reparar no sentido de financiamentos diretos, mas tentando reverter a situação, muitas vezes, de indigência. Investir em educação.
É complexo, não saberia dizer em poucas palavras e nem tenho uma resposta pronta. É algo que eu acho que precisa de uma movimentação muito forte no campo da cultura para se mostrar presente, para mostrar que as manifestações populares de origem africana são importantes também para a nossa formação. Temos que parar de entender isso como exótico, como é visto pela elite brasileira quando fala de candomblé e outras coisas. Não é encarado como fundamental e estruturante da própria cultura. E temos que pensar como que na política e na economia é possível reverter esses índices. Ultimamente no Brasil a gente está passando por uma onda neoliberal e conservadora. Considero que isso é uma ameaça muito grande a esse tipo de situação.
Com seus alunos, ao abordar a escravidão, você se limita aos manuais obrigatórios ou tenta fugir a isso?
São poucos autores que abordam isso e depois conseguem fazer de uma forma que não seja apenas encarar a história do negro no Brasil, principalmente no período da escravidão, vendo a população negra como vítima, como aqueles que sofreram o jugo da escravidão, que estavam marginalizados, etc. É lógico que existia isso sim, mas também existia resistência, e a ideia do livro é falar um pouco disso. Acho que esse é um dos pontos principais que a gente tem que tratar quando trabalhamos com educação, não falar apenas que houve escravidão, mas também de quem se revoltou contra isso, quais eram os movimentos contrários a esse tipo de situação. Tem Luís Gama em São Paulo, a Revolta dos Malês, o Quilombo dos Palmares. Muitas histórias podem ser contadas como contraponto a uma ideia de submissão e harmonia que oficialmente a História brasileira tenta forjar. Hoje há um movimento contra essa ideia de harmonia para dizer que não, não é bem assim, a situação era bem mais complexa.
Como se consegue afirmar esse movimento e mostrar outro ângulo da História?
Isto está em processo, ainda não é algo tranquilo no Brasil. Em 2003 foi promulgada a lei 10.639, sobre o ensino de Cultura Afro-Brasileira nas escolas, principalmente nas disciplinas de Arte, História, Língua Portuguesa. Por causa disso, algumas editoras começaram a produzir material, que nem sempre é de boa qualidade, mas espero que com o decorrer dos anos, e mais pesquisa, melhore. Este ensino ainda não está na prática pedagógica de boa parte das escolas. Na escola em que atuo, em São Paulo, temos um grupo de professores responsáveis por trazer essa discussão e por fazer outros projetos didáticos com os alunos, mas conheço professores que atuam em São Paulo – que é uma capital, onde isso é razoavelmente discutido –, e mesmo assim há escolas em que isso ainda não é a prática quotidiana. No interior menos ainda. A lei foi promulgada, mas algo que estão discutindo hoje, 12 anos depois, é que não foram pensados os meios de avaliação, como isso será fiscalizado, cobrado nas escolas ou incentivado para que aconteça.
As imagens fortes em “Cumbe” não caracterizam o livro como um quadrinho para crianças. Como poderia essa parte da história ser contada a elas?
É. Não é o caso do livro. No Brasil, e também noutros locais, os quadrinhos sempre foram muito vinculados a um tipo de publicação para crianças. Nada contra, acho que as crianças gostam. Eu aprendi a ler por causa de histórias em quadrinhos só que hoje a gente já tem novos autores que estão produzindo material para outros públicos. No caso do “Cumbe”, é um quadrinho direcionado a jovens e adultos pelo seu conteúdo, porque exige também do leitor compreender minimamente o que é escravidão, ter esse contexto para depois ler a história. Para alguém que não tenha todas essas referências históricas fica um pouco mais difícil, como é o caso das crianças. Tenho projetos no futuro de falar sobre discriminação e racismo no formato de quadrinhos para crianças. Muitos autores fazem quadrinhos para adultos para mostrar que é possível ter histórias tão complexas como no cinema e literatura.
Como vê o mercado de quadrinhos hoje?
No Brasil há um mercado razoável, tem muita gente fazendo bons quadrinhos. Grande parte desses autores tem foco nesse público mais adulto. Hoje, a gente está numa situação muito especial, num momento instável, tanto por causa dessa crise internacional, que agora começa a atingir também o Brasil – isso afeta um pouco o envolvimento do público com esse tipo de obra. Além disso, temos muitas outras formas de entretenimento, jogos, cinema, novos formatos utilizando Tablet, Ipad, Kindle, etc. É um momento sinuoso, algumas pessoas apostam nesse formato eletrônico, outros ainda em papel. Já existe certo público que procura esse tipo de quadrinhos, mas ainda existe um aficionado. No caso do “Cumbe” isso mudou um pouco. É bem interessante porque muita gente que não lê quadrinhos procura o livro por causa do tema e da perspectiva sobre a história. Por causa disso o livro está conseguindo certo destaque internacional que eu não imaginava.
A história da escravidão vai ser objeto de algum novo projeto? O que está preparando?
O meu projeto atual é fazer uma história sobre Quilombo dos Palmares, foi daí que surgiu o “Cumbe”. Comecei em 2006, é um trabalho de umas 350 páginas só sobre a saga de Palmares, falando de Zumbi mas também de Ganga Zumba, de Domingos Jorge Velho e de outros. A ideia é tê-lo pronto até o fim de 2016.
Entrevista original publicada no site Rede Angola.
Leia a matéria completa em: 'Na literatura brasileira, mesmo sobre escravidão, protagonistas são brancos', diz autor de HQ sobre resistência negra - Geledés http://www.geledes.org.br/na-literatura-brasileira-mesmo-sobre-escravidao-protagonistas-sao-brancos-diz-autor-de-hq-sobre-resistencia-negrana-literatura-brasileira-mesmo-sobre-escravidao-protagonistas-sao-brancos/#ixzz3cBuD42Bg
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quarta-feira, 3 de junho de 2015
“Senzala nunca mais”: intervenção artística contesta nome de restaurante em SP
Durante a escravidão, as senzalas eram lugar de sofrimento, violência e opressão dos negros. Em região nobre da capital paulista, dão nome a um restaurante de elite. Artistas realizaram performance para questionar a inversão de valores e reivindicar o respeito à sua dor
Por Anna Beatriz Anjos Do Portal Fórum
Eles entraram. Sentaram-se, pediram cervejas e porções. Dividiam-se em alguns grupos, espalhados por mesas diferentes no salão. Durante cerca de quarenta minutos, passaram desapercebidos aos olhos de quem ali estava. Parecia uma terça-feira de confraternização entre amigos.
Um olhar mais atento, porém, perceberia que eram os únicos negros no local, cercados por um mar de gente branca. Seus únicos irmãos de cor eram os garçons e a faxineira. Nada novo para um estabelecimento no Alto de Pinheiros, região nobre de São Paulo. O mais chocante ali não era, entretanto, a realidade de segregação que, em vez de revoltar, já se banalizou. Era o nome do restaurante, uma imensa inversão de sentidos: Senzala, que é, para muitos, uma expressão da Casa Grande dos tempos de escravidão oficial.
Três deles saíram de cena por alguns segundos, caminharam até o banheiro. Eram Ana Musidora, Juliana Piauí e Érickson, professores e artistas. Ao retornar, usavam máscaras de ferro nos rostos e correntes nos pés. Não demorou para que chamassem a atenção de quem calmamente degustava seus bolinhos de bacalhau, entre um gole e outro de vinho ou chope.
Caminhavam por entre as mesas e o barulho do metal arrastando no chão não podia ser desprezado. Tentavam comer e beber o que o garçom lhes havia trazido anteriormente, mas a armadura atrelada à face não permitia. Um capataz, também personagem, acompanhava os atores com um chicote, que de minuto em minuto estalava em suas costas. Ao final, gritos de “Eu tenho cabelo duro, mas não miolo mole” tomaram conta do local.
A reação das pessoas? Algumas miravam as cenas, com expressão meio perplexa, meio curiosa, tentando ligar os pontos para compreender, com ar de estranhamento, o que se passava diante de seus olhos. Outras – muitas – riam. Gargalhavam descompromissadamente, transformando em piada a situação.
Deparar-se com a representação pulsante da escravidão no Brasil pode ser um choque de realidade histórica sem volta para nós, brancos, outrora ativamente responsáveis pelo massacre de negros e negras, e hoje no mínimo privilegiados em todos os sentidos por suas implicações. Prestar atenção à performance dos atores significava sentir a culpa, mesmo que sem identificá-la com clareza; era encarar o peso do protesto, o peso de séculos enriquecendo às custas de um povo roubado, violentado e subjugado. Era, nem que por alguns segundos, correr o risco de ter empatia por aqueles corpos, imaginar-se no lugar deles e de todos os seus semelhantes. Para quem acredita em meritocracia e em democracia racial, isso é inimaginável e presumiria um confronto implacável às suas convicções fantasiosas. Para quem não crê em nada disso e tem o mínimo de sensibilidade à questão negra, é uma afronta à sua própria dignidade.
“O riso mostra o quanto a elite paulistana e brasileira é complacente. Ela tem um fetiche sobre a dor de alguns povos, principalmente do povo negro. Ela acha engraçado, ridículo, acha que não tem dor. Ela ignora essa dor”, afirma Érickson. “Não à toa você tem um restaurante que funciona há mais de trinta anos com esse nome e as pessoas não fazem uma reflexão sobre o que significava uma senzala, que é um lugar de estupro, de morte, enfim, de dor, violência, punição.”
Juliana Piauí relembra um momento de embate entre ela e os clientes. “Teve uma fala, inclusive, de que eles estavam sentindo os direitos deles muito feridos (…), que nós estávamos sendo agressivos e que eles estavam se sentindo agredidos”, destaca. “Como se não fosse agressivo crescer numa cidade como a de São Paulo, passar por essa avenida e ter que se deparar com a representação da nossa dor.”
No meio da manifestação, cartazes foram empunhados com os dizeres “Hiroxima Grill” e “Restaurante Auschwitz”. Segundo o produtor cultural e ator Max Muratorio, eles tinham objetivo definido. “Quem faria uma festa de aniversário em Auschwitz? Ou em um restaurante [chamado]Hiroshima? Essa e a ideia. Já que eles não conseguem entender o lugar do negro, do indígena, a gente se coloca no mesmo lugar deles. O lugar dos privilégios, onde os brancos têm a dor que tem importância. Então, você relaciona a Auschwitz, a Chernobyl, a Hiroshima, que são desgraças que aconteceram com seus irmãos, com seus povos, e talvez assim, quem sabe, eles possam se aproximar da gente”, explica.
Mais do que meter o dedo na ferida daqueles que não veem problema em frequentar um local que naturaliza o espaço onde ocorreu grande parte dos horrores da escravidão, a intervenção artística buscou representar um grito de liberdade do povo negro, protagonista da História mal contada. “O que aconteceu aqui é só a síntese de coisas que a gente vem elaborando há muitos anos. Discutimos muito a questão da identidade, a condição do negro no país”, disse Érickson. “Acho que eles não vão se aproximar [da nossa dor] porque não entenderam que não estamos na senzala. Estamos estudando, fazendo arte, militando, formando nas escolas. Saímos da senzala, essa é a questão essencial”, coloca Ana Musidora.
A intervenção terminou com carros de polícia na porta do restaurante. Enquanto isso, na rua, as cerca de trinta pessoas que participaram da ação comemoravam. Pelo menos por uma noite, a normalidade forjada da Casa Grande foi quebrada.
Leia a matéria completa em: “Senzala nunca mais”: intervenção artística contesta nome de restaurante em SP - Geledés http://www.geledes.org.br/senzala-nunca-mais-intervencao-artistica-contesta-nome-de-restaurante-em-sp/#ixzz3c2SRO7r2
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terça-feira, 2 de junho de 2015
Nzinga, a rainha negra que combateu os traficantes portugueses
No século XVII, o lucrativo comércio de escravos praticado pelos portugueses sofreu um duro revés. A oposição mais forte que enfrentaram veio da rainha Nzinga, uma obstinada líder política e militar que, por quarenta anos, impediu que os portugueses penetrassem no continente africano. Conheça a história dessa mulher africana extraordinária.
Por Joelza, do Ensinar História
Seu nome é grafado de diferentes maneiras: Nzinga, Ginga, Jinga, Singa, Zhinga e outros nomes da família linguística Banto (ou Bantu). É também conhecida pelos nomes portugueses de Ana de Souza, rainha Dona Ana e pelas formas híbridas como rainha Ana Nzinga.
Nzinga Mbandi Ngola Kiluanji, nasceu em 1582, no Ndongo, filha do ngola com uma escrava ambundo. Ainda criança, começou a ser treinada para o combate e o uso de armas. Com oito anos de idade, acompanhou o séquito do pai, em uma batalha, como parte dos exercícios de guerra. Com a morte do pai, em 1617, seu irmão Mbandi tornou-se ngola ascendendo ao trono de Ndongo.
Por essa época, os portugueses já estavam estabelecidos na ilha de Luanda onde fundaram a vila de São Paulo de Luanda, construíram igreja, casas e fortificações. Enfrentaram a resistência dos chefes angolanos e as doenças tropicais que impuseram pesadas perdas aos portugueses. Calcula-se que, entre 1575 e 1590, dos 1700 europeus falecidos em Angola, só 400 perderam a vida na guerra; os demais, quase 80%, morreram de maleita e outras febres.
No lugar de prata, escravos
O interesse inicial dos portugueses, em Angola, não era o tráfico de escravos mas as riquezas do país, suas jazidas de prata, cobre e sal. Além disso, o domínio de Angola abriria caminho para chegar, por terra, até as fabulosas minas de Monomotapa (atual Zimbábue). Acreditando que Angola seria um novo Peru, o rei de Portugal e Espanha (era o início da União Ibérica) enviou soldados, armas e canhões para derrotar os angolanos.
Foram 24 anos de combates até os portugueses finalmente atingirem, em 1603, às supostas minas de prata de Cambambe, ao sul de Luanda. Mas o contentamento durou pouco: as amostras colhidas revelaram-se de chumbo. Não havia prata em Cambambe. Decepcionado, o rei Felipe III mandou suspender a conquista e limitar-se ao tráfico de escravos.
O porto de Luanda tornou-se o local de embarque de milhares de escravos. Por volta de 1600, a média anual era de 5.600 escravos provindos de diversas partes da África e embarcados para a América.
Em Luanda chegavam vinhos portugueses, artigos de ferro e latão, mantas do Alentejo, lãs e linhos de Flandres, contas de vidro de Veneza, algodão e musselina da Índia a ainda produtos brasileiros como a farinha de mandioca. Como moeda usam-se os panos fabricados no Congo que recebiam um carimbo com o emblema real e eram usados para a aquisição de escravos. Conforme relata Costa e Silva, esses tecidos, em geral, não eram usados como roupas; passavam de mão em mão até se desgastarem e puírem, perdendo progressivamente parte de seu valor.
O comércio de escravos
Os portugueses tinham pouco controle sobre a captura de escravos. A apreensão e o comércio em território de Angola eram fortemente centralizados pelo ngola Mbandi, o rei ambundo, irmão de Nzinga. Ele cobrava dos portugueses tributos e taxas e proibia-lhes o acesso ao interior do reino e a compra direta de escravos.
As vendas de escravos eram fiscalizadas e só podiam ser feitas por lote, não permitindo ao traficante escolher as “peças” que lhe interessavam. O ngola mandava incluir, no lote, negros idosos, doentes ou com defeitos físicos de difícil colocação no mercado escravo de Luanda. Os que desrespeitavam as regras e os costumes locais eram punidos com o confisco da mercadoria, prisão, expulsão, açoites e até morte.
As restrições ao livre trânsito dos mercadores e as sanções aplicadas pelo ngola aos infratores causaram indignação entre os portugueses de Luanda. Afinal, para eles, aquelas terras eram de Portugal. As tensões levaram a uma nova guerra contra o ngola Mbandi que, como ocorrera outras vezes, ficou inconclusa.
Entra em cena a princesa Nzinga
Em 1621, chegou a Luanda o novo governador português que se apressou a buscar a paz com o ngola Mbandi. Para negociá-la, o rei ambundo enviou a Luanda uma embaixadora – sua irmã Nzinga, então com 39 anos de idade.
Neste encontro, ocorreu um episódio curioso que revela a altivez da princesa ambundu. Como o governador a recebeu sentado e não lhe ofereceu cadeira, Nzinga fez um sinal para uma de suas acompanhantes que se colocou de quatro no chão para a princesa sentar-se sobre ela. Ao sair, deixou a moça na sala, na mesma posição, como se fosse um banco. O governador avisou-a para levar a moça e Nzinga respondeu-lhe que não sentaria novamente naquele banco pois tinha muitos outros e não o queria mais.
A princesa, inteligente e decidida, deixou claro que o rei ambundo não era e nem seria vassalo do rei ibérico. Estava ali como representante de um estado soberano e exigia tratamento de igual para igual. Para surpresa de todos, Nzinga falou em português fluente. Possivelmente aprendera a língua com alguns dos mercadores e missionários portugueses que haviam frequentado a corte de seu pai.
Nzinga exigiu que os portugueses abandonassem suas instalações no continente, que entregassem os chefes africanos prisioneiros e ainda um lote de armas de fogo. Em sinal de sua intenção de celebrar o acordo de paz, Nzinga aceitou o batismo católico sob o nome português Ana de Souza. A conversão foi um jogo político do qual ela vai se valer em outros momentos para ganhar confiança e confundir os portugueses.
A rainha Nzinga
Vários meses se passaram desde o encontro em Luanda sem que os portugueses cumprissem sua parte no acordo. Não estavam dispostos a ceder em nada. Nzinga vai cobrar, pelas armas, o que fora prometido mas, dessa vez, como ngola, rainha de Ndongo.
A ascensão de Nzinga ao trono, em 1623, é rodeada de mistérios. Alguns estudiosos afirmam que ela envenenou o irmão, outros dizem que o rei se suicidou por decisão dos grandes chefes. Há ainda a versão de que Nzinga, com a morte do irmão tornou-se regente do garoto escolhido como novo ngola, mas a criança pouco depois, morreu afogada no rio Cuanza.
Começava a nascer uma “mitologia Nzinga”. Rainha enigmática, cujo nome causava terror entre os portugueses, ela deu origem a lendas e relatos contraditórios a seu respeito.
Desconhece-se sua imagem, não existem retratos da rainha elaborados no seu período de vida. Uma imagem de 1769, para a obra Zingha, reine d’Angola, de Jean-Louis Castilhon, mostra a rainha de perfil com um olhar recatado que nada corresponde ao perfil guerreiro dessa líder política africana. Usa coroa, colar, bracelete, broche e manta típicos da cultura europeia. O toque exótico e sensual fica por conta do seio à mostra, como era comum nas representações de africanas pelo traço europeu cristão. A imagem aproxima-se da descrição de Glasgow:
Vaidosa quanto às roupas e aparência, trazia na cabeça a coroa real, com joias de prata, pérolas e cobre a lhe adornarem os braços e as pernas. Lindos tecidos e roupas eram sua paixão especial e não perdia nenhuma oportunidade de adquirir novas roupas em estilo europeu dos mercadores portugueses. Às vezes ela trocava de traje várias vezes por dia, variando das modas africanas para as portuguesas e vice-versa, até no estilo do penteado. (…) Quando Nzinga recebia hóspedes estrangeiros, tanto ela quanto sua corte se adornavam com dispendiosos trajes e joias europeias e havia farto uso de baixelas de prata, cadeiras e tapetes. Saudava os hóspedes com o selo real de prata na mão e a coroa na cabeça, ocasionalmente até três vezes por semana. (Glasgow, p. 95-96)
Costa e Silva apresenta outra descrição de Nzinga:
“Ela recusava o título de rainha e fazia questão de ser chamada rei. Por isso que decidiu tornar-se socialmente homem e ter um harém, com os concubinos vestidos de mulher. Por isso que lutava como um soldado, à frente do exército. Na realidade, Jinga estava a criar a sua tradição, a sua legitimidade, os precedentes que permitiriam a suas netas e bisnetas ascenderem, sem contestação do sexo, ao poder.” (Costa e Silva, p.438)
Em obra recente, Nzingha: warrior queen of Matamba, de Patricia McKissack, publicado em 2000, o conceituado ilustrador Tim O’Brien, criou uma nova imagem da rainha ambundo dando-lhe uma fisionomia bantu juvenil. Ela usa bracelete e colar típicos da realeza bantu, um cordão de zimbos ou búzios, uma concha utilizada como moeda nos reinos do Congo, Ndongo e em sociedades tradicionais de Angola. O vestido colante com grafismos em zig-zag, motivo recorrente na cultura material da África subsaariana, e o arco e flechas compõem o retrato guerreiro e africano de Nzinga.
O filme Njinga, rainha de Angola, de 2012 (mostrado no Brasil em 2014) construiu outra imagem da rainha. Para representa-la, foi escolhida Lesliana Pereira, miss Angola 2008. A beleza da atriz reforçada por trajes sensuais em cenas de combate aproxima a rainha à imagem de uma super-heroína africana.
Leia a matéria completa em: Nzinga, a rainha negra que combateu os traficantes portugueses - Geledés http://www.geledes.org.br/nzinga-a-rainha-negra-que-combateu-os-traficantes-portugueses/#ixzz3bwVBNG4U
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Encontrados restos de navio português do séc XVIII que transportava escravos
O Paquete São José África foi encontrado ao largo da África do Sul. A embarcação, que transportava escravos entre Moçambique e o Brasil, afundou em 1794, matando mais de 200 pessoas.
no Observador
Há mais de 200 anos, um navio português que transportava mais de 500 escravos, naufragou junto à Cidade do Cabo. Os restos desse navio foram agora encontrados num esforço dirigido pelo museu norte-americano Smithsonian e pelo museu sul-africano Iziko. Morreram 212 pessoas, na sua totalidade escravos, neste naufrágio.
“Esta descoberta é significativa porque nunca houve documentação arqueológica de um navio que se afundou e se perdeu enquanto transportava uma carga de pessoas escravizadas”, disse Lonnie G. Bunch, diretor-fundador do Museu Nacional Smithsonian de História e Cultura Africana-Americana, de acordo com a Agência Lusa.
O navio português foi encontrado ao largo da cidade onde naufragou. Os caçadores de tesouros que o localizaram pensaram tratar-se de outra embarcação contemporânea. No entanto, segundo indica o New York Times, o facto de terem sido localizadas várias barras de ferro e pormenores de cobre – que mostravam que a embarcação só poderia datar do final do século XVIII e não era afinal o esperado navio mercante holandês – apontaram para o São José, que deixou Moçambique com destino ao Maranhão em dezembro de 1794, mas acabou por naufragar na África do Sul apenas 24 dias depois de ter zarpado.
“A identificação deste navio torna-se ainda mais importante por representar uma das primeiras tentativas para transportar escravos da África oriental [banhada pelo Índico] para o comércio de escravos transatlântico, que desempenhou uma importante função no prolongamento por décadas desde trágico comércio”, acrescentou Bunch.
Vista da Cidade do Cabo, onde o navio naufragou
A tripulação, assim como metade dos escravos a bordo terão conseguido salvar-se – os escravos eram considerados mercadoria valiosa e por isso, o comandante tentava acautelar a sua sobrevivência -, mas morreram mais de 200 pessoas neste naufrágio. Tanto o Smithsonian como o Iziko vão organizar uma cerimónia fúnebre na Cidade do Cabo para homenagear os escravos falecidos no acidente.
Calcula-se que mais de 400.000 nativos da África oriental foram transportados como escravos de Moçambique para o Brasil entre 1800 e 1865.
Leia a matéria completa em: Encontrados restos de navio português do séc XVIII que transportava escravos - Geledés http://www.geledes.org.br/encontrados-restos-de-navio-portugues-do-sec-xviii-que-transportava-escravos/#ixzz3bwUS4c7a
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