sábado, 2 de novembro de 2013

Conto africano - Porque o morcego só voa de noite



Há muito tempo houve uma tremenda guerra entre as aves e o restante dos animais que povoa as florestas, savanas e montanhas africanas.
Naquela época, o morcego, esse estanho bicho, de corpo semelhante ao do rato, mas provido de poderosas asas, levava uma vida mansa, voando de dia entre as enormes e frondosas árvores à cata de insetos e frutas.
Uma tarde, pendurado de cabeça pra baixo num galho, ele tirava a soneca costumeira, quando foi despertado bruscamente pelos trinados aflitos de um passarinho:
– Atenção, todas as aves! Foi declarada guerra aos quadrúpedes. Todos aqueles que têm asas e sabem voar devem se unir na luta contra os bichos que andam pelo chão.
O morcego ainda estava se refazendo do susto, quando uma hiena passou correndo e uivando aos quatro ventos:
– Atenção, atenção! Foi declarada guerra às aves! Todos os bichos de quatro patas devem se apresentar ao exército dos animais terrestres.
– E agora? - perguntou a si mesmo o aparvalhado morcego – Eu não sou uma coisa nem outra.
Indeciso, não sabendo a quem apoiar, resolveu aguardar o resultado da luta:
– Eu é que não sou bobo. Vou me apresentar ao lado que estiver vencendo - decidiu.
Dias depois, escondido entre as folhagens, viu um bando de animais fugindo em carreira desabalada, perseguidos por uma multidão de aves que distribuía bicadas a torto e a direito. Os donos de asas estavam vencendo a batalha e, por isso, ele voou para se juntar às tropas aladas.
Uma águia gigantesca, ao ver aquele rato com asas, perguntou:
– O que você está fazendo aqui?

– Não está vendo que sou um dos seus? Veja! - disse o morcego abrindo as asas – Vim o mais rápido que pude para me alistar - mentiu.

– Oh! Queira me desculpar - falou a desconfiada águia. – Seja bem-vindo à nossa vitoriosa esquadrilha.
Na manhã seguinte, os animais terrestres, reforçados por uma manada de elefantes, reiniciaram a luta e derrotaram as aves, espalhando penas pra tudo quanto era lado.
O morcego, na mesma hora, fechou as asas e foi correndo se reunir ao exército vencedor.
– Quem é você? - rosnou um leão.

– Um bicho de quatro patas como Vossa Majestade - respondeu o farsante, exibindo os dentinhos afiados.

– E essa asas? - interrogou um dos elefantes. – Deve ser um espião. Fora daqui! - berrou o paquiderme erguendo a poderosa tromba num gesto ameaçador.
O morcego rejeitado pelos dois lados, não teve outra solução: passou a viver isolado de todo mundo, escondido durante o dia em cavernas e lugares escuros.
É por isso que até hoje ele só voa de noite.




© Cia de Jovens Griots da Baixada Fluminense   

Dennis de Oliveira: Um breve balanço dos dez anos da lei 10.639/03

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Em janeiro deste ano, completou dez anos a promulgação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino de História da África, cultura africana e afro-brasileira no currículo da educação básica. O caput dessa lei altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Cinco anos depois, a lei foi modificada e se transformou na Lei 11.645/08, incluindo a temática indígena.
A Lei 10.639/03 foi a primeira assinada pelo presidente Lula, logo após a sua primeira eleição. Isso tem um significado simbólico: as mudanças prometidas com a chegada de Lula e do PT ao governo se iniciaram com uma medida que era produto da reivindicação do movimento negro.
Dez anos se passaram, e o cenário não é animador. Eis o que se percebe em relação à aplicação dessa legislação:
a) Nos cursos superiores voltados para a licenciatura e de pedagogia (portanto responsáveis pela formação de professores do ensino básico), há resistência em implantar esses conteúdos nos seus currículos. Observa-se essa dificuldade em maior grau nas grandes universidades, como a USP. Revela-se aí o caráter eurocêntrico e racista hegemônico no pensamento acadêmico. O eurocentrismo aparece com força nas áreas de História, Literatura e Artes. Professores e pesquisadores que se aventuram em refletir e produzir cientificamente nestes campos por fora da hegemonia europeizante são poucos e, costumeiramente, marginalizados. Consequência disso: poucos profissionais da educação formados para dar conta das exigências da legislação e também a dificuldade de se criar uma massa intelectual crítica para pensar esses temas.
b) O sucateamento do ensino público no qual se concentra a maior parte do corpo docente mais engajado politicamente coloca, muitas vezes, essa discussão fora das prioridades da agenda política do movimento. Condição de trabalho, salários defasados, falta de material de apoio, estrutura precária, violência, entre outros, acabam ganhando prioridade nos movimentos sociais do campo da Educação. Em geral, a luta pela Lei 10.639 acaba se restringindo a alguns docentes que têm vinculações com o movimento antirracista.
c) O diagnóstico (correto) de que a dificuldade de aplicação da lei se deve, entre outras coisas, à ausência da formação do professor para esse tema, mobilizou várias organizações e até mesmo projetos empresariais tocados pelos militantes antirracistas que propõem "cursos de qualificação e formação" dos mais variados tipos e cargas horárias. Assim, o atendimento a uma demanda garantida em lei fica na dependência de iniciativas e do voluntarismo de militantes, desobrigando o poder público. Sintomático que em vários planos de Educação em nível municipal e estadual – e até mesmo a primeira versão do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE), que distribuiu verbas federais para municípios melhorarem suas estruturas educacionais – não se colocam ações necessárias dos poderes públicos para a aplicação da lei.
A forma como ela vem sendo tratada – apenas como atendimento a uma demanda específica do movimento negro – é problemática. É importante observar que as Leis 10.639 e 11.645 alteram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e, portanto, representam modificações na normatividade da Educação nacional. Essa alteração não se resume apenas a ser mais um mecanismo para combater a intolerância no ambiente escolar, mas visa, sim, a formar futuros cidadãos com uma consciência de que a sociedade brasileira é multiétnica, culturalmente diversa e que foi formada sob a exploração brutal de africanos escravizados e a destruição de experiências societárias originárias (indígenas) e civilizatórias (dos povos africanos).
Por essa razão, os conteúdos da lei valem tanto para as escolas públicas de bairros periféricos, onde há grande presença de alunos negros e negras, como também em escolas particulares de elite. Para tanto, é necessário redirecionar as energias do movimento antirracista para que as políticas educacionais, tocadas pelos órgãos públicos, façam cumprir a lei e atendam a todas as demandas necessárias para tanto. Somente o voluntarismo de educadores negros e negras, por mais louvável que seja, não será suficiente para tamanha tarefa. F
Dennis de Oliveira, professor da Universidade de São Paulo, coordenador do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc) e membro do Núcleo de Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb). E-mail:dennisol@usp.br
Fonte: Revista Fórum

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cine Brasília sedia abertura da Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça – SERNEGRA 2013

A Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça promovida Instituto Federal de Brasília terá sua abertura no Cine Brasília com a exibição do documentário “Raça, um filme sobre a igualdade”, do premiado diretor brasileiro Joel Zito Araújo, a partir das 17h30 do dia 17 de novembro.
A abertura na tradicional sala de cinema anuncia a intensa programação do evento. Logo após a exibição do documentário, o diretor Joel Zito Araújo (A negação do Brasil; Filhas do vento) conversará sobre o seu filme com o público.
Na segunda-feira, dia 18 de novembro, o evento segue com oficinas, simpósio e uma mesa redonda, com início às 18h30, sobre os 10 anos das cotas raciais nas universidades públicas. Comporão a mesa a Secretária de Políticas de Ações Afirmativas do Governo Federal, Ângela Maria de Lima Nascimento e o Professor da Universidade Federal da Bahia, Jocélio Teles dos Santos. Todas as atividades deste dia ocorrem no Campus Brasília do IFB, na SGAN 610, L2 Norte.
No dia 19 de novembro, o destaque do evento é a presença da renomada diretora e coreógrafa carioca Carmen Luz. A coreógrafa da Cia Étnica da Dança traz para o evento o seu documentário “Um filme de dança”, que será exibido nas dependências do Campus Brasília do IFB às 19h00. A diretora conversará com o público após o filme.
O encerramento do SERNEGRA será no dia 20 de novembro com a exibição da premiada peça Pentes, do brasiliense Grupo Embaraça. A peça, que tem direção de Alisson Araújo (Basirah), será exibida às 19h00 no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Shopping Iguatemi.
A entrada é franca em todos os eventos.
Programação completa em: www.ifb.edu.br/attachments/5672_Programacao-SERNEGRA-Final.pdf
Contatos: Pollyana Maria Ribeiro Marins; Glauco Vaz Feijó

Convocatória: Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares



Conforme previsto no § 1 do art. 4° da PORTARIA Nº 66, DE 16 DE MAIO DE 2013,  a Fundação Cultural Palmares – MinC (FCP) convida todos os interessados para participar do fórum para a escolha dos representantes da Sociedade Civil que irão compor o Comitê Gestor do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga no Município de União dos Palmares/AL. O fórum será realizado na sede do IPHAN, na cidade de Maceió, dia 13 de novembro de 2013 às 15hs.
Mais informações: agenda.presidente@palamares.

Personalidades Negras – Grande Otelo




Sebastião Bernardes de Souza Prata, conhecido nacionalmente como Grande Otelo, nasceu em na cidade de Uberlândia/MG em 18 de outubro de 1915, e se consagrou como um grande ator, comediante, cantor e compositor brasileiro. Grande Otelo vivia em Uberlândia quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e decidiu ir embora com eles para São Paulo. Já na cidade, ele voltou a fugir e foi para o juizado de menores, onde foi adotado pela família do político Antônio de Queiroz.
Na década de 1920, participou da “Companhia Negra de Revistas”, que tinha Pixinguinha como maestro. Em 1932 entrou para a “Companhia Jardel Jércolis”, uma das pioneiras do teatro de revista. Foi nessa época que ganhou o apelido de Grande Otelo, como ficou conhecido. No cinema, participou em 1942 do filme “It’s All True”, de Orson Welles, que considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro.
Fez ainda inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida a com Oscarito. Após um período de crise, Otelo voltou a fazer sucesso no cinema com sua grande atuação do personagem título de “Macunaíma (1969)”, filme baseado na obra de Mário de Andrade. A partir dos anos 1960, Otelo passou a ser contratado da TV Globo, onde atuou em diversas telenovelas de grande sucesso, como “Uma Rosa com Amor”, entre várias outras. Também trabalhou no humorístico “Escolinha do Professor Raimundo”, no início dos anos 1990. Seu último trabalho foi uma participação na telenovela “Renascer”, pouco antes de morrer.
Grande Otelo morreu em 1993 de um ataque do coração fulminante, quando viajava para Paris para uma homenagem que receberia no “Festival de Nantes”.
Fonte: FCP

Zumbi Volta À Cena Em São Paulo

arena conta zumbi


Baseada no clássico “Arena conta Zumbi”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, a peça retrata a luta dos Quilombolas de Palmares e sua resistência ao jugo português durante o período colonial brasileiro
 
A CAIXA Cultural São Paulo apresenta o musical “Zumbi”, que estreia no dia 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra e lembrança da morte do líder Zumbi dos Palmares, que lutou pela libertação dos negros escravizados, durante o período colonial no país. O evento é gratuito e tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal.
 
O espetáculo, que segue em temporada de 21 de novembro a 15 de dezembro, já passou pelas cidades do Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e é baseado no clássico “Arena conta Zumbi”, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. “Zumbi” tem a direção geral de João das Neves e Titane como diretora musical.
 
Escrita na época da ditadura militar (1964-1985), por Boal e Guarnieri e musicada por Edu Lobo, “Zumbi” é uma homenagem do Instituto Augusto Boal ao clássico musical do teatro brasileiro “Arena Conta Zumbi”.
 
“Zumbi” é encenado por um grupo de dez atores negros representando todos os personagens, e realizando o sistema Curinga (criado por Boal), no qual desaparece a noção do ator principal, já que os protagonistas são representados por diversos artistas na mesma encenação. Eles se revezam no desempenho das pequenas cenas focadas sobre os pontos fortes da trama, deixando a um ator coringa a função de fazer as interligações entre os fatos, pessoas e processos. O emprego da música ajuda as passagens de cena, acrescentando tons líricos de grande efeito.
 
“Hoje a minha proposta é a realização de um sonho: ver Zumbi representado por um elenco de atores negros.
 
Tenho  a pretensão de crer que Boal e Zumbi  estariam de acordo”, disse
 
Cecília Boal, viúva do autor e fundadora do Instituto  Augusto Boal.
 
A peça é o primeiro musical autenticamente brasileiro. Segundo o diretor João das Neves, a música e texto se entrelaçam.  “Nossa missão é reavivar a saga de um de nossos heróis fundadores, Zumbi, com a alegria e a fé de uma nação que começou realmente a ser construída ali, na Serra da Barriga, onde Boal, Guarnieri e Edu foram buscar inspiração para este Zumbi que ora vamos contar”, conclui João.
 
Ficha Técnica:
Texto: Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri
Música: Edu Lobo 
Direção Geral:  João das Neves
Direção Musical: Titane 
Temas Incidentais: Congado de Minas, Domínio Público
Elenco: Alysson Salvador, Benjamin Abras, Evandro Nunes, Júlia Dias, Júnia Bertolino, Kátia Aracelle, Nath Rodrigues, Ricardo Campos, Rodrigo Almeida e Rodrigo Jerônimo 
Cenário e Figurino: Rodrigo Cohen
Iluminação:  João das Neves 
Assistente de cenografia e figurinos:  Anouk Van Der Zee
Estagiária de cenografia e figurinos:  Luna Descaves 
Tapeçaria:  Luna Descaves
Bonecos:  Ivanise Silva 
Confecção de Tambores de Candomblé:  Pedrina do Loudes Santos
Arranjos:  Titane e Alysson Salvador com colaboração de Gil Van de Oliveira e Sinherê Pra Você Que Chora, A Morte de Zambi 
Objetos sonoros de metal:  Leandro César
Operação de Luz:  Silvio Cesar Costa 
Produção São Paulo:  Paulo Del Castro
Assistente de Produção: Elaine CSP 
Coordenador Técnico: Aloisio Antunes
Coordenador de Produção: Luiz Claudio Gomes 
Direção de Produção:  Valéria Alves
Idealização:  Cecília Boal 
Coprodução e Administração: JLM Produções
Produção e Realização:  Sevla Produções e Instituto Augusto Boal 
clique aqui e baixe a foto do texto em alta resolução.
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Serviço: 
Espetáculo teatral: “Zumbi”
Data: Estreia - 20 de novembro -  quarta-feira -  às 19h15 
Curta temporada: de 21 de novembro a 15 de dezembro de 2013 - quinta a domingo - (dia 12 de dezembro não haverá espetáculo)
Horário: 19h15 
Local: CAIXA Cultural São Paulo -  Praça da Sé, 111
Entrada Franca: os ingressos poderão ser retirados na bilheteria com uma hora de antecedência 
Capacidade: 80 lugares
Duração: 2 horas e 05 minutos 
Classificação etária: não recomendado para menores de 16 anos
 
Informações: (11) 3321-4400 
 
Acesso para pessoas com necessidades especiais

Milionários africanos vão duplicar em cinco anos

isabel31out2013
Isabel dos Santos


O crescimento será o segundo maior em todo o mundo até 2018, ficando atrás apenas da China.
Um estudo do banco Crédit Suisse revela que o número de indivíduos com uma fortuna superior a um milhão de dólares em África vai subir de 90 mil este ano para 163 mil em 2018, um aumento de 81%, muito acima do crescimento global de milionários, que será de 50%.
De acordo com o Global Wealth Report 2013, nos próximos cinco anos o continente africano irá produzir mais 73 mil novos milionários, à medida que a economia regista uma das maiores taxas de expansão em todo o mundo nos sectores das matérias-primas, infra-estruturas ou telecomunicações.
Até 2018, África será assim a segunda região com o ritmo mais elevado de crescimento de milionários, só ultrapassada pela China.
O Crédit Suisse considera as economias emergentes como sendo as 'fábricas' de grandes fortunas nos próximos anos.
A revista Forbes, por seu lado, revela que Aliko Dangote é o homem mais rico em África e o 76.º em todo o mundo, com uma fortuna calculada em 16 mil milhões de dólares feita no sector dos cimentos.
Já Isabel dos Santos, filha do presidente angolano, é a mulher com maior fortuna no continente, com dois mil milhões de dólares.

Fonte: RTC



Mulheres Pretas

    Conversar com a atriz Ruth de Souza era como viver a ancestralidade. Sinto o mesmo com Zezé Motta. Sua fala, imortalizada no filme “Xica...